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Analisa a Conferência Mundial contra o Racismo ao reconhecer a escravidão como crime contra a humanidade, e relaciona o racismo à globalização dos padrões discriminatórios, evidenciando como a publicidade e os modelos de “beleza” alimentam exclusão e auto-rejeição 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marcantes da alta modernidadeéa busca de umanova agenda para se enfrentar os desafios colocados diante da humanidade.Dentre os desafios da pós-modernidade merece destaque a construcão de umacultura da diversidade.  \nA modernidade,a despeito de ter sido considerada um tempo de luzem contras-te com a escuridão por que se caracterizou o periodo medieval,tem alterado seus ciclosde luzes com a escuridão das trevas como podemos considerar o colonialismo,o tráfi-co de seres humanos,o holocausto,e de uma forma geral,o derramamento de sangueem razão da intolerância.Com o fim da guerra fria a intolerancia tornou-se a causaprincipal de destruicao de vidas humanas no nosso planeta  \nNa verdade,a agenda da modernidade tardia encontra-sejá pautada pelo temada tolerancia e da construcao de uma cultura da diversidade.  \nUm dos pontos altos da Conferencia Mundial Contra o Racismo,ADiscrimina-cao Racial,A Xenofobia e Intolerância Correlata,foi o reconhecimento da escravidãocomo crime de lesa-humanidade.Os crimes desta natureza sao imprescritíveis,o queimplica um dever moral de que venham a ser reparados os males causados pelo colo-nialismo.  \nO racismoéa um só tempo causa e conseqüência da escravidão colonial.Mas épreciso compreender que a globalizacão teve como um de seus efeitos a mundializacãodos padrões de discriminacão racial.  \nO racismo adquire caracteristicas próprias na alta modernidade.A sociedadeelege um modelo ideal de ser humano,que nos nossos dias corresponde a padrões bas-tante europeizados.Omodelo ideal torna-se também por razoes óbvias,o modelo idea-lizado.Pode-se dizer sem medo de errar que este modelo idealé a pessoa com tracoslongilíneos,alta,magra,em idade adolescente ou próxima da adolescencia,com olhosclaros,preferencialmente verdes ou azuis e cabelos aloirados.A possibilidade que  \nDOUTRINA  \ncada ser humano tem de ser aceito socialmente depende da escala de proximidade oude distancia que ele se encontra em relacão a este modelo ideal.  \nDa perspectiva de uma cultura da diversidade,a contestacão do racismo em ne-nhuma hipótese implica em contestacão do modelo apresentado por ideal.O que sepretendeéque haja uma multiplicidade de modelos,bem como de idealidades.  \nNo caso brasileiro,poderíamos afirmar que o modelo europeu,hoje único e im-  \npositivo,poderia e deveria conviver em confortável diversidade com o modelo afro-  \ndescendente e afro-amerindio.  \nA modernidade radicalizada caracteriza-se entre outras coisas por ser uma so-ciedade altamente competitiva,as oportunidades de sucesso não estão ao alcance de to-dos ea aparência fisica em proximidade com o modelo idealpassou a ser um fator de-terminante para a realizacão pessoal e,inclusive,para o sucesso profissional.  \nUm adolescente ou umajovem afro-descendente tem dificuldades para encon-trar pessoas para namorar.Ocorre que o modelo ideal passa a ser também o modeloidealizado,inclusive em termos de simbologia sexual.O desejo do sucesso profissio-nale o desejo sexual pelo modelo tido por ideal são coisas que chegam a se confundirmesmo entre si.Isto decorre da publicidade,da propaganda e da difusao etnocêntricado modelo ideal na mídia.  \nHá que se considerar ainda a fenomenologia sociopática do fetichismo da mer-cadoria.Em outras palavras,a constante associacão entre os produtos mais desejados eomodelo ideal produzido pela publicidade são capazes de criar no consumidor a ilusaode que com a mercadoria ele adquire conjuntamente omodelo ideal enquanto simbolo-gia sexual.Nãoépor acaso que a publicidadee a propaganda recorrem cada vez mais àsensualidade e mesmo ao erotismo,apresentando por símbolo sexual o modelo ideal.Exemplo bastante característico do que estamos a dizeréa cerveja apresentada comoloira gelada.São as propagandas de automóveis luxuosos,quase sempre com uma loirano volante ou ao lado do motorist","cbCaibpYAf7rfFKa","https://ap.wps.com/l/cbCaibpYAf7rfFKa","pdf",311648,"Portuguese","# O papel do Ministério Público do Trabalho após a Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban - África do Sul\n## Modernidade tardia, intolerância e diversidade\n## Escravidão, imprescritibilidade e dever de reparação\n## Racismo, globalização e modelo ideal de beleza\n## Publicidade, fetichismo da mercadoria e discriminação\n## Autoritarismo do modelo único e necessidade de pluralidade","[{\"question\":\"Como a publicidade e a imposição de um modelo ideal contribuem para a discriminação?\",\"answer\":\"A publicidade associa produtos ao “modelo ideal”, criando ilusões de pertencimento e fortalecendo a rejeição de quem se afasta desse padrão, o que intensifica a discriminação social e racial.\"}]","O PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO APÓS A CONFERÊNCIA MUNDIAL CONTRA O RACISMO, EM DURBAN - ÁFRICA DO SUL | PDF",1788388371]