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O texto compara interpretações sobre o lema “O Brasil para os brasileiros” e sua contraposição a “A América para os Americanos”, explorando usos do monroísmo e do pan-americanismo no contexto do IHGB, de congressos e da Comissão Brasileira Revisora. 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Esta interpretação, ajuizada ao final do segundo tomo da ‘Introdução’ da coleção Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madri, apontava claramente o diálogo no qual o autor lusitano se colocava e a posição por ele defendida no metajogo historiográfico e político brasileiro.\nNo caso, Cortesão se postava firmemente em contrariedade à corrente historiográfica consolidada na década de 30 pelas exposições e escritos de Rodrigo Octávio no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e que fora explicitamente endossada pelo Segundo Congresso de História Nacional em 1931. Rodrigo Octávio destacava Alexandre de Gusmão como o precursor do pan-americanismo e, como o inspirador da política de aproximação em relação ao Uruguai e à Argentina, iniciada pelo Governo Washington Luís em 1927.\nContudo, há que se salientar que Cortesão não divergia apenas do arrazoado historiográfico de Rodrigo Octávio, mas também se opunha às leituras desse conteúdo feitas pelos defensores do alinhamento com os Estados Unidos no período da Guerra Fria. No caso, a expressão “O Brasil para os brasileiros” estava sendo contraposta a sua congênere “A América para os Americanos”, empregada em 1940 por Rodrigo Octávio para se referir ao legado de Gusmão, o qual vinha sendo equiparado por ele à expressão monroísta do pensamento de Elihu Root (OCTÁVIO, 1941, 32), secretário da guerra no governo William McKinley e secretário de estado sob Theodore Roosevelt (PEIXOTO, 2011a).\nEm 1940 Rodrigo Octávio havia juntado vários argumentos distribuídos em seus textos das décadas de 20 e 30 para produzir o artigo ‘Alexandre de Gusmão e o Monroísmo’, publicado na Revista do IHGB de 1941, em boa parte para endossar as premissas de atuação da Comissão Brasileira Revisora dos Textos de História e Geografia, que havia sido liderada intelectualmente por Pedro Calmon em 1936.\nEsta Comissão havia resultado exatamente da política de aproximação com o Uruguai e a Argentina, a qual o governo Getúlio Vargas havia dado continuidade durante a década de 30 e, incluía o congraçamento cultural e a promoção de acordos que visavam eliminar os contenciosos, inclusive, removendo dos textos didáticos de história e geografia as passagens e conteúdos que atentassem contra as relações entre aqueles países (PEIXOTO, 2015).\nCabe apontar que o artigo de Rodrigo Octávio havia sido determinante para o engajamento historiográfico de Jaime Cortesão, na medida em que propiciara a suíte de reportagens sobre Alexandre de Gusmão dirigida por Cassiano Ricardo para o jornal A Manhã, e, a discussão historiográfica em que se Cortesão se integrou (PEIXOTO, 2015, p. 56-57).\nJaime Cortesão se colocava também contra a visão explicitada em 1943 por Pedro Calmon em sua coleção História do Brasil, terminada de publicar justo em 1955 – um ano antes do seu texto. 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Esta teria como móvel impedir que a política externa republicana não sofresse da solução de continuidade com a da monarquia, cujas origens datavam do reconhecimento de nossa independência pelos estadunidenses, que, em última análise, aninhava-se no legado pan-americanista de Alexandre de Gusmão (PEIXOTO, 2011a; 2015).\nEst","cbCait4PfQgzomJc","https://ap.wps.com/l/cbCait4PfQgzomJc","docx",96617,25,"Portuguese","# Moldando o corpo do Brasil\n## Leituras de Cortesão e o Tratado de Madri\n## Rodrigo Octávio, IHGB e o pan-americanismo\n## Guerra Fria, alinhamentos e contraposicionamentos textuais\n## A Comissão Brasileira Revisora e a aproximação regional\n## Pedro Calmon e a “influência” de Gusmão desde 1750\n## Álvaro Lins e a “solução de continuidade” do Rio Branco\n## O Brasil, os Estados Unidos e o Monroísmo no contexto de 1906","[{\"question\":\"Qual é o papel do lema “O Brasil para os brasileiros” no argumento do texto?\",\"answer\":\"O lema, atribuído a Alexandre de Gusmão na leitura de Jaime Cortesão, orienta a interpretação sobre o diálogo historiográfico e político defendido por Cortesão no metajogo brasileiro relacionado ao Tratado de Madri.\"},{\"question\":\"Como Rodrigo Octávio utiliza Alexandre de Gusmão em sua argumentação?\",\"answer\":\"Rodrigo Octávio apresenta Gusmão como precursor do pan-americanismo e como inspirador de políticas de aproximação com Uruguai e Argentina, associando esse legado a leituras que remetem ao monroísmo.\"},{\"question\":\"Por que a “solução de continuidade” é relevante na reinterpretação de Álvaro Lins?\",\"answer\":\"A “solução de continuidade” sustenta que a aproximação com os Estados Unidos teria sido adotada já sob a monarquia, sendo articulada ao texto atribuído ao Rio Branco e reforçada por Álvaro Lins ao reorganizar a figura do Barão na historiografia.\"}]","Moldando o corpo do Brasil - Jaime Cortesão, Rodrigo Octávio e o metajogo na região historiográfica do Prata | DOCX",1788305255,9]