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O texto evidencia a conjunção entre práticas de liberdade e desvio de modelos tradicionais de feminilidade, relacionando experiências individuais a instituições políticas e contextos histórico-culturais. A análise mobiliza Foucault, destacando parrhesia, risco do dizer verdadeiro, escrita de si e heterobiografia, articuladas a um corpus heterodoxo de fontes documentais e narrativas fragmentárias.",{"@graph":51,"@context":106},[52,68,89],{"@type":53,"itemListElement":54},"BreadcrumbList",[55,59,62,65],{"item":56,"name":57,"@type":58,"position":9},"https://docshare.wps.com","Home","ListItem",{"item":60,"name":10,"@type":58,"position":61},"https://docshare.wps.com/pt/template/",2,{"item":63,"name":15,"@type":58,"position":64},"https://docshare.wps.com/pt/template/cartas/",3,{"item":66,"name":47,"@type":58,"position":67},"https://docshare.wps.com/pt/template/review-a-aventura-do-contar-se-feminism-self-writing-and-inventions-of-subjectivity-margareth-rago/168999/",4,{"url":66,"name":47,"@type":69,"image":70,"author":75,"headline":47,"publisher":78,"fileFormat":81,"inLanguage":45,"description":49,"dateModified":82,"datePublished":83,"encodingFormat":81,"isAccessibleForFree":84,"interactionStatistic":85},"DigitalDocument",{"url":71,"@type":72,"width":73,"height":74},"https://docshare.wps.com/thumbnails/review-a-aventura-do-contar-se-feminism-self-writing-and-inventions-of-subjectivity-margareth-rago/168999.png","ImageObject",442,249,{"name":76,"@type":77},"Eliana","Person",{"url":56,"name":79,"@type":80},"DocShare","Organization","application/vnd.openxmlformats-officedocument.wordprocessingml.document","2026-10-05","2026-09-01",true,{"@type":86,"interactionType":87,"userInteractionCount":64},"InteractionCounter",{"@type":88},"ViewAction",{"@type":90,"mainEntity":91},"FAQPage",[92,98,102],{"name":93,"@type":94,"acceptedAnswer":95},"Qual é o tema central de A aventura do contar-se destacado na resenha?","Question",{"text":96,"@type":97},"A relação de si para consigo e para com o mundo, examinada nas positividades e nas censuras que marcam as trajetórias de sete mulheres.","Answer",{"name":99,"@type":94,"acceptedAnswer":100},"Como a resenha relaciona a obra a Foucault?",{"text":101,"@type":97},"Ao mobilizar a parrhesia, entendida como uma verdade política e arriscada, além da escrita de si como prática de autoconstituição ética e política.",{"name":103,"@type":94,"acceptedAnswer":104},"Quais são os principais elementos do “risco” assumido por Rago na escrita e na escolha das fontes?",{"text":105,"@type":97},"O risco aparece tanto na composição do corpus heterodoxo (artigos, livros, processos penais e entrevistas) quanto na organização do texto sem linearidade, sustentando a crítica entre memória, esquecimento e trauma.","https://schema.org",{"og:url":66,"og:type":108,"og:title":47,"og:site_name":79,"og:description":49},"article",{"robots":110,"canonical":66},"index,follow",{"doc_id":112,"site_id":44},168999,1791128336,{"code":4,"msg":5,"data":115},{"doc_id":112,"user_id":116,"nickname":76,"user_avatar":117,"doc_module":9,"category_id":14,"category_name":15,"doc_title":47,"doc_description":49,"doc_content":118,"file_id":119,"file_url":120,"file_type":121,"file_size":122,"view_count":64,"is_deleted":4,"is_public":9,"is_downloadable":9,"audit_status":9,"page_count":123,"language":124,"language_code":45,"site_id":44,"html_lang":45,"table_of_contents":125,"faqs":126,"seo_title":127,"seo_description":49,"update_tm":128,"read_time":64},4398048949847,"https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/400002536579ef2da7f?_k=1778318612642679267","ESCREVER, EXISTIR, RESISTIR.\nResenha de A aventura de contar-se: feminismos, escrita de si e invenções da subjetividade Margareth Rago/ Campinas,SP: Editora da Unicamp, 2013.\n“A natureza não cria senão seres livres”\nLaclos, C. Les liasons dangereuses [1783]\nRigor e criatividade andam lado a lado em A aventura do contar-se (2013), em que M. Rago se entrega a um esmiuçar reflexivo acerca da autorrealização de sete vidas como militantes, como artistas-de-si, como mulheres, entre os anos 1960 e 2010, no Brasil. O livro se insere no campo dos estudos de gênero, sexualidade e subjetividade, território que a autora domina com propriedade ímpar.  Sendo uma das responsáveis pela recepção e circulação das reflexões foucaultianas no Brasil, M. Rago – cuja formação intelectual alia História e Filosofia-, construiu nos últimos trinta anos uma sólida carreira, em que se destacam as obras Do Cabaré ao lar. A utopia da cidade disciplinar. Brasil, 1890-1930 (Paz e Terra, 1985) e Os Prazeres da Noite. Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930 (Paz e Terra, 1991).\nA aventura do contar-se é um estudo sobre a relação de si para consigo e para com o mundo de sete mulheres, que abarca as positividades desses trajetos, mas também as censuras e obstruções que os marcam. Referidas pelo prenome, numa escrita que desafia os formalismos acadêmicos – traço evidenciado por Seligmann-Silva no prefácio -, cada uma dessas personagens atua como uma linha de força pela qual acompanhamos a conjunção entre práticas de liberdade e desvio de modelos que conforma parte importante da configuração histórico-cultural do Brasil contemporâneo.\nQuem são elas? As irmãs Amélia Teles e Criméia Schmidt, militantes do PC do B à época da Guerrilha do Araguaia, fundadoras da União de Mulheres de São Paulo, ativistas e membros da Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos da ditadura militar brasileira; Gabriela Leite que, vinda de uma família de classe média, estudante da Usp, faz uma inusitada opção pela prostituição e se torna  líder da Davida, organização pioneira em promover a cidadania das prostitutas;  Ivone Gebara, freira e teóloga que rompe com a Teologia da Libertação para reinventar a relação da mulher com a religião católica, criticando os dogmas patriarcais dentro do domínio religioso; Maria Lygia Quartim de Moraes, socióloga ativista da causa feminista que viveu a experiência da perda do marido (Norberto Nehring, militante da ALN e assassinado pelo Regime Militar em 1970) e do exílio em Cuba, Chile e França; Tânia Swain, historiadora, que sai do Brasil para estudar e que corre o mundo com a companheira, vivendo a atmosfera incandescente do feminismo da Paris dos anos 1970; por fim,  Norma Telles, que desiste da segurança do casamento em 1968, adere à contra-cultura, suas turbulências e experimentações, enfrentando a questão do corpo (sentidos, emoções, sentimentos), a um só tempo engessada pelo conservadorismo da sociedade e relegada pelas teorias revolucionárias como “dilema pequeno-burguês”. Entre elas, em comum, argumenta Rago, há a dimensão profunda da “experiência de incômodo e inadaptação diante dos modelos tradicionais de feminilidade” (p. 36).\nO que alimenta a rede traçada entre as representações das vivências individuais, as instituições políticas e os contextos mobilizados, é apontado, com pertinência, por Seligmann-Silva, como parrhesia. Isso é, “uma verdade eminentemente política, que fere, provoca e desmonta o establishment” (p. 15). Com efeito, Em Le courage de la vérité: le gouvernement de soi et des autres, Foucault argumenta a respeito dessa prática que fundamenta a democracia. Esse “falar franco” ou “dizer verdadeiro” constitui-se como uma atividade que compreende uma dimensão de risco por aquele que o enuncia.\nTrabalhando no limiar entre o discurso historiográfico, discurso feminista e autobiografia, M. 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