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S. Correia, docente da Universidade de Aveiro e especialista em Ilustração Científica e Comunicação de Ciência. O texto contextualiza a evolução histórica da ilustração científica desde a imprensa de tipos móveis, explorações marítimas e musealização, até à prática científica e escolas como a Casa do Risco. Aborda também o desafio de reconstituir espécies extintas na paleontologia e a necessidade de colaboração entre ilustradores e paleontólogos, com etapas metodológicas, hipóteses gráficas e validação pela comunidade científica.",{"@graph":51,"@context":110},[52,68,89],{"@type":53,"itemListElement":54},"BreadcrumbList",[55,59,62,65],{"item":56,"name":57,"@type":58,"position":9},"https://docshare.wps.com","Home","ListItem",{"item":60,"name":10,"@type":58,"position":61},"https://docshare.wps.com/pt/template/",2,{"item":63,"name":19,"@type":58,"position":64},"https://docshare.wps.com/pt/template/cartazes/",3,{"item":66,"name":47,"@type":58,"position":67},"https://docshare.wps.com/pt/template/who-wants-to-know-more-about-scientific-illustration-portal-to-the-world-of-science/196535/",4,{"url":66,"name":47,"@type":69,"image":70,"author":75,"headline":47,"publisher":78,"fileFormat":81,"inLanguage":45,"description":49,"dateModified":82,"datePublished":83,"encodingFormat":81,"isAccessibleForFree":84,"interactionStatistic":85},"DigitalDocument",{"url":71,"@type":72,"width":73,"height":74},"https://docshare.wps.com/thumbnails/who-wants-to-know-more-about-scientific-illustration-portal-to-the-world-of-science/196535.png","ImageObject",442,249,{"name":76,"@type":77},"Ezra","Person",{"url":56,"name":79,"@type":80},"DocShare","Organization","application/pdf","2026-09-28","2026-09-03",true,{"@type":86,"interactionType":87,"userInteractionCount":64},"InteractionCounter",{"@type":88},"ViewAction",{"@type":90,"mainEntity":91},"FAQPage",[92,98,102,106],{"name":93,"@type":94,"acceptedAnswer":95},"Quais foram os momentos decisivos para a ilustração científica ganhar forma e consistência?","Question",{"text":96,"@type":97},"O texto aponta quatro momentos: a imprensa com caracteres móveis e livros ilustrados; as explorações marítimas e as cartas náuticas; a musealização e os gabinetes de curiosidades; e o surgimento da prática científica com crescente autonomia do poder clerical.","Answer",{"name":99,"@type":94,"acceptedAnswer":100},"Por que é desafiante desenhar espécies extintas na ilustração científica?",{"text":101,"@type":97},"A reconstituição depende de evidências petriﬁcadas e de interpretações, misturando conclusões objetivas com algum nível de especulação. 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S. Correia é reconhecidoespecialista em Ilustração Cientíﬁcae Comunicação de Ciência: colocamos-lhe algumas perguntassobre esta fascinante matéria… | \u003Cbr>Fernando Correia é Diretor do Laboratório de Ilustração Cientí􀁿ca LIC, Coordenador do Curso de Formação em Ilustração Cientí􀁿ca (dbio/UINFOC) e colaborador da revista “Parques e Vida Selvagem” desde 2011 |\n| --- | --- |\n\n| na Idade Média, surgidos no século XII, os quais conﬁguram, podemos dizer, as primeiras edições com pretensão a compêndio de botânica e zoologia, masonde a realidade infelizmente ainda casava com a fantasia, materializada nos corposdesenhados e xilogravados de um grifo, oude um unicórnio, etc. Foi preciso esperar por quatro momentos basilares para a ilustraçãocientíﬁca ganhar forma e consistência:\u003Cbr>1) o aparecimento da imprensa decarateres móveis que conduziu à massiﬁcação e democratização do saber através dos livros em grandes e acessíveistiragens, cada vez mais ilustrados com gravuras, em pleno Humanismorenascentista do séc. XV;\u003Cbr>2) as primeiras explorações marítimas (como a circum-navegação de Fernãode Magalhães, 1519-22), que trouxeram consigo as cada vez mais precisas cartasnáuticas (ilustração cientíﬁca na forma decartograﬁa) e também primevas ilustrações da vida que pululava nos Mundos Novose era preciso dar a conhecer, obviamenteatravés da imagem desenhada e/ou pintada;\u003Cbr>3) o fenómeno da musealização, iniciadopelo colecionismo dos objetos naturaise depositados nos então Gabinetes de Curiosidades da História Natural, precursores dos modernos museus, ondefoi possível aos ilustradores confrontar os espécimes conservados com os relatos dosaventureiros, acabando com a prática do desenho ditado;\u003Cbr>4) e o surgimento da prática cientíﬁca em crescente autonomia do poder clerical. Portugal é um país fundacional da ilustraçãocientíﬁca, até porque no séc. XVII promoveuvárias expedições naturalistas (com o ﬁm de reaﬁrmar a soberania dos territórios ultramarinos, designadas romanticamente como“Viagens Filosóﬁcas”) e, de caminho, criou os riscadores (nome dado aos ilustradores à época) que teriam deacompanhar os naturalistas para registar em imagem as riquezas naturais de outras paragens. Esses riscadores formavamse numa das escolas formais pioneiras na Europa, a Casa do Risco (1780), queensinava como fazer ilustração cientíﬁca, com rigor, correção e honestidade.\u003Cbr>Dado o rigor dos trabalhos de ilustraçãocientí􀁿ca, há um con ito intrínseco quando desenha espécies extintas?\u003Cbr>Fernando Correia — A ilustração cientíﬁcanão se restringe à biodiversidade extante, ou | seja, aquela que existe e é contemporânea. Também se observa nas ciências que estudam o passado e orbitam nas chamadas ciências sociais ou humanas (aantropologia física, que estuda a ﬁlogenia do Homem, ou a arqueologia, que estuda os artefactos, ou cultura, produzidas em antigas civilizações). A paleontologia é talvez, de entre todas as ciências, aquela que é mais dependente da visualidade criada pelas ilustrações paleontológicas — uma subcategoria da IC.\u003Cbr>Na realidade, partindo da unidade de estudo que é o fóssil, tenta-se reconstituir como seria o organismo antes de ser extinto, sejaele vegetal ou animal. Isso implica muitosestudos interpretativos sobre as evidências petriﬁcadas, por parte dos paleontólogos. Um ilustrador que procure fazer uma reconstituição paleontológica sabe que depende de uma equipa de paleontólogos, por vezes multidisciplinar, e que estará atrabalhar sobre interpretações, quase como se fosse uma prática medieval de desenho ditado. Parte serão conclusões objetivase outra parte, o mais restrita possível, será especulação. 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