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Reúne e examina críticas dirigidas à sociedade contemporânea como necessidades inadiáveis e sustenta, com epistemologia política, a proposição de um currículo de orientação espacializante, chamado geocurrículo. 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Recenseia suas críticas à sociedade contemporânea, considerando-as como necessidades inadiáveis. Com uma epistemologia política, propõe um tipo de currículo de orientação espacializante: um geocurrículo. Para configurar o mapa curricular, apresenta procedimentos cartográficos do método perspectivista, o qual implica uma distância positiva dos diferentes. Conclui que um currículo topologicamente orientado expressa a ética desejante de pensar e de educar noslimiares da ciência, da arte e da filosofia; a poiesis da própria manufatura; e a aventura da criação de outroscurrículos abertos ao porvir.  \nI. DAS NECESSIDADES INADIÁVEIS  \nNesta mundialização liberal, polimorfa e cruel, temos, no Brasil, um pensamento curricular que nos força a criar problemas e a nos posicionar, cada vez mais criticamente, diante damegamáquina capitalista e de suas insaciáveis formas de controle social e dominação subjetiva, miséria e mediocridade, crimes, solidão e horror?  \nNeste momento de fascínio pela globalização econômica reprodutora e cultural homogeneizadora (em que comunidades e indivíduos portam um niilismo absoluto ou um pessimismo atávico), qual currículo, dentre os que conseguimos produzir, mantém-nos em devirrevolucionário (no domínio do indestrutível), para nos confrontar, radicalmente, aos abismoseconômicos, sociais, tecnológicos, políticos?  \nNeste aqui-e-agora de ligação (alienadoramente apaixonada) com a mídia e a publicidade humanista, as teorias de formação de professores desenvolvem uma nova sensibilidade para afectose perceptos, disjunções inclusivas e conjunções intensitárias, anteriores aos códigos e irredutíveis à cognição? Para o limite neutro de níveis marginais de sentido? Para a violência inerente àsdefinições e identificações? Para os processos gerativos de individuação ou de subjetivação, antes do que para subjetividades ou sujeitos, constituídos pela Filosofia do Indivíduo coextensivo ao Ser (cf. Deleuze, 1988; 1994; 2001)?  \n1 Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Texto decorrente de palestra realizada na Mesa Redonda “Os sentidos das teorias na produção do conhecimento no campo do currículo e da formação de professores”, constituída por Alice Casimiro Lopes, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, e por Josenilda Maués, da Universidade Federal do Pará; por ocasião do VII Seminário Nacional de Políticas Educacionais e Currículo: Ética e regulação no currículo e nas políticas educacionais, na Universidade Federal do Pará, em Belém do Pará, 15 de dezembro de 2009.  \nRevista Teias v. 11 • n. 22 • p. 149-164 • maio/agosto 2010 149  \nNestes espaços de neo-arcaísmos (família universal; juventude eterna; saúde puritana; leiseca do álcool e drogas molhadas; corrupção rotineira; direitos humanos estupefatos; esporte analfabeto bilionário; tirania disfarçada de pregação; etc.), ainda impregnados pelas dicotomias Indivíduo/Estado, Homem/Mulher, Inclusão/Exclusão, o pensamento curricular nos orienta notecido fibroso dessa realidade e nos faz transbordar dessas dicotomias, ao introduzir, entre elas, insuspeitas dobras e lutas variadas?  \nNesta rede planetária de tecnocosmos, ciberespaço, reprodução regulada por computador, exploração genética, pedofilia em rede, fast-food googleano, bioética, biodiversidade, DNA, célulastronco, idiotia comunicacional, automatismos informatizados, besteiras mecânicas e industriais, a Educação nos livra da Epistemologia da Pureza Essencial e da sua correspondente apreensão deseres, fenômenos e coisas estáveis, ao fazer a Diferença Pura, com sua capacidade de se multiplicar? Ou nos encaminha, no máximo, até a variedade e a diversidade multiculturais, como sendo o Bem Máximo?  \nNesta época de fragmentação em mil marcad","cbCaipnkrcGz2kWJ","https://ap.wps.com/l/cbCaipnkrcGz2kWJ","pdf",228279,16,"Portuguese","# RESUMO\n## Necessidades inadiáveis\n## Epistemologia política e geocurrículo\n## Procedimentos cartográficos e método perspectivista\n## Ética desejante e currículos abertos ao porvir","[{\"question\":\"Qual abordagem filosófica sustenta o texto sobre o currículo?\",\"answer\":\"O texto se ancora na filosofia da diferença para discutir os sentidos produzidos pelo pensamento curricular brasileiro.\"},{\"question\":\"O que é o geocurrículo proposto no artigo?\",\"answer\":\"É um tipo de currículo de orientação espacializante, concebido para configurar um mapa curricular a partir de uma epistemologia política.\"},{\"question\":\"Como o texto pretende configurar o mapa curricular?\",\"answer\":\"Apresenta procedimentos cartográficos ligados ao método perspectivista, que implica uma distância positiva entre os diferentes.\"}]","Os sentidos do currículo - Sandra Mara Corazza | PDF",1788504424,6]