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Examina o impacto do poema “Dictinha” (1927) e a crítica à decisão de extinguir o feriado de 13 de maio em 1930, incluindo declarações e discursos veiculados em jornais e programação radiofônica. 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Pode-se supor que ele surpreendeu a literatura brasileira ou, no mínimo, causou desconforto para alguns  \n*  \n**  \nDoutor em História (USP) e Professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) .  \nO autor agradece a Cláudia Nunes, da Universidade Tiradentes, e a Micol Seigel, da Indiana  \nUniversity, a leitura cuidadosa da versão preliminar deste texto e suas valiosas sugestões.  \n1 Lino Guedes, O canto do cisne preto, São Paulo: Typographie Aurea, 1927, p. 15.  \nAfro-Ásia, 41 (2010), 133-166 133  \ndos leitores do poema. Em pleno país da mestiçagem e do “paraíso” das mulatas, um discurso devalorização da mulher negra e de orgulho racial?  \nTrês anos depois dessa iniciativa, Guedestestemunhou uma grande reviravolta na vida do país. Às 17h15min, do dia 3 de outubro de 1930, iniciou-se um movimento armado que conduziu Getúlio Vargas ao poder. Um mês depois, o chefe político gaúcho era investido por uma junta militar no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, selando o fim da chamada República Velha. Desenvolvimento, projeto nacional, prosperidade, direitos trabalhistas, justiça social, combate às oligarquias, eis algumas das muitas promessas que o novo governo fez ao povo brasileiro. Tempos de esperanças, entusiasmos, expectativas, otimismos, alegrias. As classes médias ansiavam pela moralização da coisa pública, pelo fim das fraudes eleitorais e pelo solapamento do poder das elites aristocráticas e anacrônicas. As camadas populares, por sua vez, não ficaramapáticas e resolveram fazer uma experiência com aquele que seria considerado futuramente o “Pai dos Pobres”. Muitos afro-brasileiros também deram um voto de confiança ao novo governo e realimentaramsuas esperanças de que dias melhores viriam.  \nO ufanismo geral, porém, não demorou muito. Ainda em 1930, Vargas decretou o fim do feriado de 13 de maio, quando se comemorava a Abolição da escravatura. Se vários setores da sociedade civil ficaram indiferentes a essa medida, não foi o caso dos ativistas do chamado movimento associativo dos “homens de cor”. Um deles, Lino Guedes, não hesitou em utilizar a primeira página dojornal Progresso para criticar a República de Outubro:  \nArrancado do número dos feriados o 13 de Maio, escondeu-se, tardiamente embora, entre as páginas dos compêndios consultivos sobre a História do Brasil. Bem aviada, andou a República de Outubro, passando a esponja do esquecimento sobre o fato desconcertante para a maioria dos brasileiros que a data recorda.2  \n2 Progresso , 31 de maio de 1931, p. 1. Nas comemorações da Abolição da escravaturadaquele ano, a emissora de rádio Educadora Paulista organizou um programa especial sobre o assunto. Convidado, Lino Guedes, além de ter declamado versos de sua autoria, fez o discurso inicial do programa e questionou o decreto que aboliu o feriado de 13 de Maio. Diário de São Paulo, 13 de maio de 1931, p. 5.  \n134 Afro-Ásia, 41 (2010), 133-166  \nGuedes não se conformava com a insensibilidade demonstradapelo novo governo. Em tom de ironia, continuou destilando veneno contra a decisão de acabar com o feriado de 13 de maio:  \nComo e para que festejarmos oficialmente a abolição do trabalho servil? Que conquista fizemos nós, se não fomos além do cumprimento de umdever rudimentar? 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