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A Teoria Queer é mobilizada como ilustração de saber insurgente, evidenciando peculiaridades e tensões no recorte latino-americano, sobretudo na conjectura brasileira. 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Partindo desse pressuposto, o presente ensaio ancora-se nas contribuições de autores que imputam seus artefatos intelectuais às problematizações acerca da colonialidade eurocêntrica do poder e saber, sobretudo na América Latina e no Caribe. Para isso, utilizaremos a Teoria Queercomo ilustração de saber insurgente, expondo as peculiaridades e os sismos que tal teoria abarca no recorte latino-americano, enfatizando a conjectura brasileira.\nPALAVRAS-CHAVE:Teoria Queer; Novas Epistemologias; Saberes Insurgentes.\nAbstract: Considerations of contemporary models of global academic productions have reverberated numerous positions and criticism. Based on this assumption, the present essay is anchored on contributions from authors who impute their intellectual artifacts to problematizations about Eurocentric coloniality of power and knowledge, particularly in Latin America and the Caribbean. For this, we use Queer Theory as an illustration of knowing insurgent, exposing the peculiarities and the earthquakes that this theory embraces the Latin American crop, emphasizing the Brazilian conjecture.\nKEYWORDS: Queer Teory; New Epistemologies; Insurgents Knowledge.\nIntrodução\nEste artigo apresentaa discussão da colonialidade eurocêntrica do saber e poder nas produções acadêmicas latino-americanas, expondo o surgimento da problemática dos saberes insurgentes na América Latina, a partir de uma desobediência epistêmica do modelo colonial de produção e reprodução do conhecimento, usando como exemplo a Teoria Queer. Para introduzir tal discussão, nos debruçamos sobre os textos de Walter Mignolo (2008) e Aníbal Quijano (1992) e nos deparamos, inicialmente, com duas noções: o significado de identidade em política e a opção descolonial de produção do conhecimento. Essas duas noções fazem referência crítica ao eurocentrismo, que por sua vez é definido por Mignolo como sendo: “a hegemonia de uma forma de pensar fundamentada no grego e no latim e nas seis línguas européias e imperiais da modernidade; ou seja, modernidade/ colonialidade” (MIGNOLO, 2008, p. 301).\nQuijano (2005) evoca alguns argumentos que delineiam o processo de ratificação europeia, enquanto reduto de produção racional e de subjetividades. Segundo ele,\na modernidade e a racionalidade foram imaginadas como experiências e produtos exclusivamente europeus. Desse ponto de vista, as relações intersubjetivas entre a Europa, ou, melhor dizendo, a Europa Ocidental, e o restante do mundo, foram codificadas num jogo inteiro de novas categorias: Oriente-Ocidente, primitivo-civilizado, mágico/mítico-científico, irracional-racional, tradicional-moderno. Em suma, Europa e não-Europa (QUIJANO, 2005, p. 111).\nO bojo argumentativo de Aníbal Quijano está calcado na crítica ao eurocentrismo não somente no plano teórico, e sim, de maneira mais pujante, no plano político.\nMignolo (2008) constrói seu argumento de identidade em política diferenciando-a de política de identidade.  Segundo ele, a política de identidade se aproxima de aspectos essencialistas e posições fundamentalistas. Para o autor, a identidade em política é de extrema relevância por possibilitar o desvelamento e empoderamento do sujeito construído através dos discursos imperiais e a partir disso, ser uma contribuição importante para a opção descolonial.\nA identidade em política, em suma, é a única maneira de pensar descolonialmente (o que significa pensar politicamente em termos e projetos de descolonização). 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