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Atualmente é professora associada Ina Universidade Federal de Uberlândia, atuando na graduação e na pós-graduação. Pesquisa na área de Linguística, notadamente em enunciação, semântica e história das Idéias Linguísticas. Na atualidade, participa do projeto de pesquisa \"Linguagem e constituição do sujeito\", com pesquisa sobre \"A teoria benvenistiana da linguagem e a escrita\". E-mail: [agustini@ileel.ufu.br](agustini@ileel.ufu.br)  \nSelma Zago da Silva BORGES  \nDoutoranda da Universidade Federal de Uberlândia, professora de Língua Portuguesa do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás-Câmpus Itumbiara, e membro do grupo de pesquisa e estudos em linguagem e subjetividade (GELS) da Universidade Federal de Uberlândia. Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente em projetos de pesquisas cujas temáticas estejam voltadas ao ensino de escrita egêneros textuais. E-mail: [selmazago@yahoo.com.br](selmazago@yahoo.com.br)  \nResumo  \nA partir do crivo da teorização de Benveniste ([1956] 2005; [1970] 2006) que mostra consenso ao levar em consideração o estudo da língua e da linguagem em funcionamento, o presente artigo objetiva mostrar que a redação do Enemse configura como gênero textual, composto, ao mesmo tempo, de um modelo euma transgressão, visto que a transgressão é um aspecto constitutivo do gênero textual, enquanto resultante de uma experiência de linguagem. Desse modo, este estudo considera que a experiência de linguagem do candidato tem implicaçãono seu êxito, uma vez que é essa experiência que possibilita ao candidato manejar a língua de modo a fazê-la co-referir à proposta, segundo o avaliador. Nesse sentido, a experiência de linguagem permite que a redação do Enem projete a realidade do candidato de modo a manter consonância com a realidade social, fruto do aspecto social da linguagem, o semantismo social.  \nPalavras-chave  \nenunciação –(inter)subjetividade-gênero textual – experiência de linguagem – produção escrita no Enem  \nConsiderações iniciais  \n—Ele escreve versos!  \nApontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os olhos, por cima das lentes, com o esforço de alpinista em topode montanha.  \n—Há antecedentes na família?  \n—Desculpe doutor?  \n[...] O filho confessou, sem pestanejo, a autoria dofeito.  \n—São meus versos, sim.  \n[...]  \nNa semana seguinte, foram os últimos a ser atendidos. O médico, sisudo, taciturneou: o miúdo não teria, por acaso, mais versos? O menino nãoentendeu.  \n—Não continuas a escrever?  \n— Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida—disse, apontando um novo caderninho—quase a meio. O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que sepoderia pensar. O menino carecia de internamento urgente.  \n[...]  \nHoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs etardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz pausada do filho do mecânico que vailendo, verso a verso, o seu próprio coração. [...].1  \nO trecho do conto de Mia Couto, em epígrafe, põe-se em harmonia com o pensamento benvenistiano: “[...] antes de servir para comunicar, a língua serve para viver” (BENVENISTE,[1966] 2006, p. 222) e que ora assumimos como o eixo que orienta o percurso teóricometodológico que empreendemos neste texto. O menino que escrevia versos nos faz pensar que a escrita nos faz viver, independentemente daquilo que nos aprisiona e metaforicamente nos mata. Ela nos permite atuar como sujeitos na e pela linguagem, na relação homem e mundo, homem e homem no mundo dos homens, e assim inscrever nossa existência e realidade no mundo. Em outras palavras, a escrita nos permite a experiência de viver. A experiência de viver é a experiência de linguagem, porque soment","cbCair5CDvzSXxe8","https://ap.wps.com/l/cbCair5CDvzSXxe8","pdf",287175,18,"Portuguese","# Resumo\n# Palavras-chave\n# Considerações iniciais\n## Escrita, vida e linguagem\n# Proposta de análise\n## Comparação entre documentos do ENEM e dos PCNEM-LP","[{\"question\":\"Como o artigo define a redação do ENEM em termos de gênero textual?\",\"answer\":\"A redação do ENEM é tratada como gênero textual composto, que combina modelo e transgressão, sendo a transgressão um aspecto constitutivo do gênero como experiência de linguagem.\"},{\"question\":\"Por que a experiência de linguagem do candidato influencia o êxito na redação?\",\"answer\":\"Porque essa experiência permite que o candidato maneje a língua para fazê-la co-referir à proposta segundo o avaliador, conectando escrita e enunciação.\"},{\"question\":\"Qual é a relação entre escrita e “experiência de viver” apresentada no texto?\",\"answer\":\"A escrita é vista como experiência de viver: somente na e pela linguagem o sujeito se relaciona com o outro e com o mundo, inscrevendo sua existência e realidade.\"}]","GÊNERO REDAÇÃO ENEM: A EXPERIÊNCIA DE LINGUAGEM EM UMA ESCRITA INSTITUCIONALIZADA | PDF",1788509500,6]