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Examina discursos associados a narrativas europeias, brancas, machistas e sexistas que delimitam lugares restritos à vida pública da mulher negra, transformando-o em objeto de satisfação sexual. 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Essespuderam ser constatados na rede discursiva dos feirantes das cidades nordestinas baianas de Amargosa e Coração de Maria, por meio de aplicação de entrevistassemiestruturadas nas suas Feiras Livres e referenciam este artigo. O corpo que era feio, nojento, preguiçoso passa a ser, paradoxalmente, belo, viril, trabalhador, exótico reconfigurando-se nos diferentes movimentos políticos (COSTA, 2009) . O desejo (re)cria o corpo negro e o estereótipo o marca: A “nega” gostosa é a mesma “nega” que, muitas vezes,“não serve para casar”. Procuramos compreender como esses discursos, apoiados por narrativas da cultura europeia, branca, machista e sexista normalizam a mulher negra, construindo lugares restritos à sua vida pública. Para tanto, tem-se como base teórica os postulados de Foucault (1987), Bhabha (1998), Curiel (2007), Fanon (2008), Cunha (2002) e Costa (2007) . Lugar de controle social o corpo sempre foi objeto das redes microfísicas de poder (FOUCAULT, 1987, 1997) . Do sexo forçado com o colonizador às ridículas cantadas dos dias atuais várias foram e são as tentativas de domesticação e/ou disciplinarização do corpo da mulher negra. A “nega do corpão”desperta os mais variados desejos. Os estereótipos construídos pela cultura, de caráter normativo e hegemônico, são capilarizados na sociedade, criando empecilhos para avida da mulher negra. As marcas sociodiscursivas e/ou socioculturais transformam, em muitos casos o corpo da mulher em um objeto, que serve apenas para satisfazer osdesejos sexuais dos homens. Um corpo torna-se desejável por meio das práticasdiscursivas que o constrói como modelo, impassível às singularidades. Quando uma mulher negra escuta o “Eita nega gostosa”, várias estratégias de poder estão sendoutilizadas e formuladas pela sociedade; contudo signos identitários estão sendoelaboradas nos entre-lugares, formando disjunções de etnias, religiosidades e gêneros, como formas de resistência à padronização. Erguem-se resistências fronteiriças, diaspóricas e complexas (BHABHA, 1998; HALL, 2009) .  \nPalavras-chave: mulher negra, cultura, corpo, estereótipos, resistência.","cbCaiiIRsPj83osk","https://ap.wps.com/l/cbCaiiIRsPj83osk","pdf",125518,"Portuguese","# Introdução\n## Corpo feminino negro, desejo e estereótipo\n# Discurso, poder e normalização\n## Estratégias sociais e marcas sociodiscursivas\n# Entre-lugares e resistência\n## Disjunções, diaspóricas e fronteiras","[{\"question\":\"Qual é o foco central do texto sobre “Eita nega gostosa”?\",\"answer\":\"O texto investiga a relação entre desejo e estereótipo, mostrando como a expressão marca e reconfigura o corpo feminino negro por meio de discursos sociais e culturais.\"},{\"question\":\"Como os estereótipos afetam a vida pública da mulher negra?\",\"answer\":\"Os discursos, apoiados por narrativas hegemônicas, normalizam e constroem lugares restritos para a mulher negra, criando obstáculos à sua vida pública.\"},{\"question\":\"Que estratégias e formas de resistência aparecem nos entre-lugares?\",\"answer\":\"Ao ouvir a expressão, entram em funcionamento estratégias de poder; simultaneamente, surgem signos identitários elaborados nos entre-lugares, com disjunções de etnia, religiosidades e gêneros como resistência à padronização.\"}]","EITA NEGA GOSTOSA - ENTRE O DESEJO E O ESTEREÓTIPO | PDF",1788509369]