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A argumentação procura mostrar que a arte de Eça vai além da simples representação: torna o leitor sentir a visão das coisas, intensificando o “efeito do real”. Para sustentar a tese, o texto retoma fragmentos de obras entre 1871 e 1900, analisando procedimentos linguísticos e contrastando realismo e romantismo quanto à capacidade de provocar comoção e perceção.",{"@graph":59,"@context":108},[60,77,99],{"@type":61,"itemListElement":62},"BreadcrumbList",[63,68,71,74],{"item":64,"name":65,"@type":66,"position":67},"https://docshare.wps.com","Home","ListItem",1,{"item":69,"name":9,"@type":66,"position":70},"https://docshare.wps.com/pt/document/",2,{"item":72,"name":31,"@type":66,"position":73},"https://docshare.wps.com/pt/document/literatura/",3,{"item":75,"name":55,"@type":66,"position":76},"https://docshare.wps.com/pt/document/visibility-and-art-in-eca-de-queiros-part-2/156449/",4,{"url":75,"name":55,"@type":78,"image":79,"author":84,"headline":55,"publisher":87,"fileFormat":90,"inLanguage":53,"description":57,"dateModified":91,"datePublished":92,"encodingFormat":90,"isAccessibleForFree":93,"interactionStatistic":94},"DigitalDocument",{"url":80,"@type":81,"width":82,"height":83},"https://docshare.wps.com/thumbnails/visibility-and-art-in-eca-de-queiros-part-2/156449.png","ImageObject",300,407,{"name":85,"@type":86},"Rizky","Person",{"url":64,"name":88,"@type":89},"DocShare","Organization","application/pdf","2026-09-27","2026-08-28",true,{"@type":95,"interactionType":96,"userInteractionCount":98},"InteractionCounter",{"@type":97},"ViewAction",6,{"@type":100,"mainEntity":101},"FAQPage",[102],{"name":103,"@type":104,"acceptedAnswer":105},"Como o texto relaciona realismo e romantismo na questão da “comoção”?","Question",{"text":106,"@type":107},"O artigo contrasta o modo como românticos e realistas atingem perceções: a retórica pode promover comoção sem gerar efeito de real, enquanto Eça intensifica a visibilidade e a percepção do que o mundo significa.","Answer","https://schema.org",{"og:url":75,"og:type":110,"og:title":55,"og:site_name":88,"og:description":57},"article",{"robots":112,"canonical":75},"index,follow",{"doc_id":114,"site_id":52},156449,1790020445,{"code":4,"msg":5,"data":117},{"doc_id":114,"user_id":118,"nickname":85,"user_avatar":119,"doc_module":4,"category_id":30,"category_name":31,"doc_title":55,"doc_description":57,"doc_content":120,"file_id":121,"file_url":122,"file_type":123,"file_size":124,"view_count":98,"is_deleted":4,"is_public":67,"is_downloadable":67,"audit_status":67,"page_count":125,"language":126,"language_code":53,"site_id":52,"html_lang":53,"table_of_contents":127,"faqs":128,"seo_title":129,"seo_description":57,"update_tm":130,"read_time":131},962085564807,"https://ap-avatar.wpscdn.com/davatar_6f874abed73319feea01a86fa6f0fab8","PARTE 2  \nDOSSIÊ EÇA DE QUEIRÓS  \nPágina anterior: Eçade Queirós (foto doNúcleo do Instituto Camões emSão Paulo)  \nVISIBILIDADE E ARTE EMEÇA DE QUEIROZ *  \nMaria de Lourdes A. Ferraz**  \nRESUMO  \nNestedespretencioso artigo voltoaumtópico já muitodebatido: o  \nrealismo deEçade Queiroz. Procuro demonstrar que Eçade Queiroz nunca abandonou o realismo, sendoverdade o oposto: eledesenvolveu até ao fimoseu realismo; ou seja, asua capacidadede mostrar. Masnãomostra apenas; faz o leitor sentir a visãodascoisas como elelhas mostra. Volto para isso a pequenos fragmentos de alguns textosbemconhecidos (1871, 1879, 1886, 1900) edefendo aidéia de que Eçadeixou de lado um realismo programático edesenvolveu seu realismo como visibilidade de sentimentos, idéiaseações humanos.  \nObaspela o glingoglfer–azerexvrraordinariamente simples: a arte deEça é aarte de  \nque pretendo aqui desenvolver pode parecer – e é para o leitor a quem  \nSe é simples qualquer leitor constatar em Eça a capacidadedesta arte de fazer ver, menos simples é para oseu estudiosoperguntar-se como é que um autorconsegue– ou seja, quaisas estratégias, que procedimentos procura– para que asua linguagem não só deixe ver o que nos quer mostrar, mas nos obrigue também a sentiroque nos mostra, como tão claramenteacontece comEçade Queiroz!  \nÀ faculdade dealinguagem representaroque vemos podemos chamargenericamente realismo, sem considerarmoscomisso o programade arte que noséc. XIX teve esse nome. Comefeito é Erich Auerbach que, no seu livro Mimesis, um clássico dos estudos literários, publicado em 1946, defende ser essa a característica  \n* ConferênciarealizadanoFunchal (Madeira) em Janeiro de 2001.  \n** Universidade de Lisboa.  \nSCRIPTA, Belo Horizonte, v. 4, n. 8, p. 121-127, 1º sem. 2001  \n121  \nfundamental datradiçãoda narrativaocidental. Mas, anos maistarde, Roland Barthes definiu o realismo literárionão como acapacidade de representaçãomasacapacidade de provocar um como que“efeitodo real”. Assim nemsempreo exercício dacapacidade humanade representação, que é sempre um exercício de abstraçãoe um trabalho simbólico, tem umefeito de real. Podeter umefeitopuramente mental, de reflexão, de argumentação e mesmo quandohá descrição esta nãolevaipso facto aumefeito, ou percepção, deuma particular realidade. Seja como for, arepresentaçãodo real é uma arteensinada noocidentedesde queAristótelesa caracterizou na tragédia. Daí quenadademuito extraordinário devesse serexigido ao tempo deEça, noséc. XIX português, para que esse efeito fosse plenamenteatingido. Mas, segundo Eçade Queiroz terá sugerido nasua conferênciado Casino em 1871, oromantismoparecia ter esquecido ou ignorado essa possibilidade artística. E, no entanto, sabemosque muitosdos autores românticoshoje quasesó conhecidospor os seus nomesterem permanecido em ruas das nossascidades (nomeadamente Lisboa, bastalembrarmos Tomás Ribeiro, Pinheiro Chagas) ou porterem provocado comas suasobras fatos que fazem hoje parteda nossa história literária como protagonistasdachamada QuestãoCoimbrã, procuravamissomesmo: a naturalidadenasua poesia, uma como que espécie de coloquialidade, de registro familiar, com “fragrâncias campestres”. Masnão conseguiram umefeito de real, o que Eçaatribuía à prevalênciada retórica como “arte de promover a comoção”(Conf. do Casino) . E perguntamos: Eça de Queiroz nos seus escritos despromoveu a retórica? Nunca se mostra hiperbólico, excessivo? É ele incapaz de provocaremnós comoção? Sabemosbem quenão. Tantopodecomover-nos seo pretender, como podeindignar-nos seo preferir, ou fazernosrirousorrircomosseusexageros caricaturais. Achamos até que asua capacidade deefeitodo real permanece incólume, apesardasimensasmudanças na sociedade portuguesa. Chegamos adizerou a tera impressão quenada mudou…  \nOra o que me leva a retomar assuntostantas vezes referidos e discutidos como odo realismo deEçade Queiroz é ofatodejulgar que o escritorvaidescobrindo o seu realismo à medida que vai abandonando o realismomais programático ","cbCaik4QxM7FDQn5","https://ap.wps.com/l/cbCaik4QxM7FDQn5","pdf",50160,9,"Portuguese","# Resumo\n## Tese: Eça e a continuidade do realismo\n## Linguagem e estratégias de fazer ver e sentir\n## Realismo, tradição literária e efeito do real\n## Retórica, romantismo e comoção\n## Processos de intensificação da visibilidade","[{\"question\":\"Como o texto relaciona realismo e romantismo na questão da “comoção”?\",\"answer\":\"O artigo contrasta o modo como românticos e realistas atingem perceções: a retórica pode promover comoção sem gerar efeito de real, enquanto Eça intensifica a visibilidade e a percepção do que o mundo significa.\"}]","Visibilidade e arte em Eça de Queirós - Parte 2 | PDF",1787959222,14]