[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-52210-pt":3,"doc-seo-52210-112":30,"detail-sidebar-cat-0-pt-112":92},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":20,"is_deleted":4,"is_public":21,"is_downloadable":21,"audit_status":21,"page_count":22,"language":23,"language_code":24,"site_id":25,"html_lang":24,"table_of_contents":26,"faqs":27,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":28,"read_time":29},52210,687197207639,"Asher","https://ap-avatar.wpscdn.com/davatar_a8503ba1806abce46bf441b54a3ca4cd",27,"Literatura","O Homem que Nasceu Póstumo: Uma Defesa de Nietzsche","O texto apresenta uma defesa e leitura interpretativa do pensamento de Nietzsche diante da pouca compreensão do “leitor comum”, preso a preconceitos e esquemas abstratos. Recorre a ideias sobre o caráter póstumo do autor e a necessidade de tempo, estudo e exegese para alcançar “Zaratustra”. Discute a mística e a simbólica como caminhos de aproximação, além do tema do “homem livre”, criticando a adesão a seitas e mestres. Defende uma verdade transmissível, mas acessível a poucos.","O HOMEM QUE NASCEU PÓSTUMO  \nMário Ferreira dos Santos  \n“Alguns nascem póstumos...”  \nNietzsche  \nReferindo-se à pouca compreensão de seus livros pelo leitor comum, ainda preso aos preconceitos de dois mil anos de uma educação caluniosa à vida, e dominada apenas poresquemas abstratos, Nietzsche dizia:  \n“Quanto ao problema da compreensão ou da incompreensão, tornar-se-á um assunto supérfluo, por estar ele muito longe ainda da atualidade.  \nEu mesmo não sou um homem atual; alguns nascem póstumos.  \nChegará o tempo em que surgirão institutos, nos quais se viverá e ensinará o que entendo por viver e ensinar; talvez se instalarão cátedras especiais para interpretar “Zaratustra”. Contudo, eu estaria em flagrante contradição comigo mesmo se esperasse encontrar desde já ouvidos e mãos dispostos a acolher as minhas verdades: que hoje não me ouçam, que nãose queira aceitar nada de mim, parece-me não só natural, mas até justo”.  \nEm outra passagem de sua obra, presumia que só muitos anos após a sua morte viriam os seus leitores. Já entramos nesse período, e só agora é Nietzsche realmente estudado de ângulos mais precisos.  \nSobre três figuras da história foi escrito o maior número de obras: Cristo, Napoleão e Nietzsche. Num período de cinqüenta anos, neste século, ninguém recebeu uma literatura tão abundante. E se dá com ele o que se não dá com outros, que brilham muito, e depois são esquecidos. Nietzsche, cada dia que passa, é mais lido, mais analisado. Seus temas estão aí presentes em toda a filosofia moderna, e colocados, bem ou mal, do ângulo que ele desejou colocar.  \nÉ natural que este livro, que ora publicamos, focalize apenas alguns desses temas, pois atemática nietzscheana apresenta-os numerosos, além da complexidade da sua problemática,à espera de exegeses por parte dos estudiosos de todos os campos do saber humano.  \nPode dizer-se sem receio, e o provaremos ainda no futuro, que não há tema atual geral, nem nas ciências naturais nem nas culturais, que não tenha sido por ele colocado. E sua temática  \nexigirá, não este século, mas possivelmente dois séculos de estudos, de respostas às perguntas por ele formuladas, bem como para verificar a procedência ou não de muitas dassuas soluções.  \nConsiderava ele que uma época poderia ser medida pela sua capacidade de reconhecer os grandes homens. E não tinha dúvidas quanto à que vivia. Não admirava o homem bovino que se formava na Europa e que iria, neste século, como o foi, constituir a maior ameaça determitismo, ou de abelhismo humanos.  \nCompreendia merecer “Zaratustra” interpretação após estudos acurados. Obra simbólica, de feitura alciônica, de difícil penetração pelos não-iniciados, seria um livro dos mais lidos, um livro de todos, mas também de ninguém.  \nEm nosso último tema, sobre a mística, procuraremos dar uma análise simbólica da obra nietzscheana e da sua mistagogia. Compreendemos que o nosso trabalho completa-se, com“Assim Falava Zaratustra”, cujas anotações sobre a simbólica, permite tornar claros muitos aspectos.  \n“...Entender somente umas seis frases “de “Zaratustra”, o que equivaleria a vivê-las elevaria o leitor a um grau de humanidade bem mais alto do que poderiam alcançar oshomens “modernos”..., afirmava ele. A penetração no mundo dionisíaco de Zaratustra levará os homens a um “olhar goetheano de boa vontade e de amor”, aproximando-os no alto das montanhas, de onde olharão o nascer do sol com a mesma altivez das águias. Nietzsche não procurava leitores; procurava os seus leitores.  \nConsiderava sua obra como dinamite, e julgava-a absolutamente imprópria para a juventude, porque o seu imoralismo – e muitas vezes o afirmou – seria compreendido por ângulos diversos de os por ele desejados.  \nAdemais, como transmitiria a sua “verdade” a qualquer um? E antes de tudo se deve compreender que, para Nietzsche, uma verdade só o é quando é transmissível. E sabia que poucos, muito poucos, estariam naquela disposição simpática que permitiria recebê-la. Além disso, a maioria do","cbCaihRMcLAWDIBE","https://ap.wps.com/l/cbCaihRMcLAWDIBE","pdf",511240,5,1,111,"Portuguese","pt",112,"# Compreensão tardia e recepção de Nietzsche\n## O tempo do leitor e a educação caluniosa\n# Temas e complexidade da obra\n## Exegese e reconhecimento dos grandes homens\n# Mística e simbólica em “Zaratustra”\n## Mistagogia e abordagem dionisíaca\n# Homem livre e crítica a mestres e seitas\n## Verdade transmissível e autonomia pessoal","[{\"question\":\"Por que Nietzsche é descrito como “homem póstumo” e o que isso implica para a leitura de sua obra?\",\"answer\":\"A obra sustenta que muitos só compreenderiam Nietzsche vários anos depois, quando surgissem condições de estudo e interpretação mais precisas. 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