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Literatura infantojuvenil 2. Literatura infantojuvenil francesa i. Título  \n20-1056 cdd 028.5  \nÍndice para catálogo sistemático:  \n1. Literatura infantojuvenil  \n1a edição brasileira: 2020  \nDireitos de edição em língua portuguesa, para o Brasil, adquiridos por faro editorial  \nAvenida Andrômeda, 885 – Sala 310  \nAlphaville – Barueri – sp – Brasil  \ncep: 06473-000 – Tel.: +55 11 4208-0868 [www.faroeditorial.com.br](www.faroeditorial.com.br)  \nI  \nUma vez, quando tinha seis anos, vi um desenho magní  \nfico num livro chamado Histórias Vividas, sobre a floresta primitiva. Era um desenho que mostrava uma jiboia prestes a engolir um animal. Aqui vai uma cópia dele.  \nNo livro era dito: “As jiboias engolem suas presas por inteiro, sem nem mastigar. Depois disso, elas ficam incapazes de se mover e dormem pelos seis meses que necessitampara a digestão”.  \nEu então refleti profundamente acerca das aventuras daselva, e, após algum trabalho com um lápis de cor, consegui fazer o meu primeiro desenho, meu Desenho Número Um. Ele era mais ou menos assim:  \nMostrei minha obra-prima às pessoas grandes, e perguntei se meu desenho as assustava. Mas elas me responderam:“Assustar? Por que alguém se assustaria com um chapéu?”.  \nMeu desenho não era um chapéu. Era o desenho de uma jiboia digerindo um elefante. Mas como as pessoas grandesnão conseguiamentendê-lo, eu fiz um novo desenho: desenheio interior de umajiboia, assim as pessoas grandes poderiam ver claramente o elefante. Elas sempre precisam de explicações para as coisas. Meu Desenho Número Dois era assim:  \nDesta vez, as pessoas grandes me aconselharam a deixar de lado meus desenhos de jiboias, fossem elas abertas ou fechadas, e me dedicar a coisas como geografia, história,  \naritmética e gramática. Foi por isso que, aos meus seisanos, desisti do que poderia vir a ser uma carreira magnífica na pintura.  \nEu fui desencorajado pelos fracassos do meu Desenho Número Um e do meu Desenho Número Dois. As pessoas grandes nunca entendem nada por elas mesmas, e é muito cansativo para as crianças ficarem sempre explicando as coisas para elas.  \nEntão eu escolhi outra profissão, e aprendi a pilotaraviões. Eu voei por todas as partes do mundo; e é verdade que a geografia acabou me sendo muito útil. De relance, posso distinguir a China do Arizona. Se alguém fica perdidono céu noturno, esse conhecimento é bem valioso.  \nNo curso desta vida, eu tive muitos grandes encontros com muitas pessoas que se preocupavam com assuntosmuito sérios. Eu vivi por um bom tempo entre as pessoas grandes. Eu fui muito próximo e íntimo a elas, mas tudo issonão melhorou muito a opinião que tenho delas.  \nSempre que eu me encontrava com uma delas que meparecia mais lúcida à primeira vista, eu fazia um experimento: mostrava a elas o meu Desenho Número Um, que sempre carreguei comigo. Eu buscava saber se aquela era uma pessoa de compreensãoverdadeira. 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