[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-126508-pt":3,"doc-seo-126508-112":31,"detail-sidebar-cat-0-pt-112":93},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":20,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":27,"seo_description":28,"update_tm":29,"read_time":30},126508,4398046703435,"Jiven","",26,"Contos e Romances","A Escrava Isaura - Bernardo Guimarães","\u003Cp>Romance ambientado no início do reinado de D. Pedro II, em uma grande fazenda na região de Campos de Goitacases. A narrativa apresenta, em meio à exuberância rural e ao silêncio aparente da propriedade, o encontro entre o ambiente opulento e uma voz feminina marcada pela melodia e pela dor. O canto revela a condição de escravizada da protagonista, seus sofrimentos e a impossibilidade de amar e ser livre. Com lirismo e tensão dramática, o capítulo introduz personagens e um clima de recolhimento que contrasta com a crueldade do sistema escravista.\u003C/p>","\u003Cp>A ESCRAVA ISAURA &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>BERNARDO GUIMARÃES &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Esta obra respeita as regras &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>do Novo Acordo Ortográfico &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>CAPÍTULO 1 &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Era nos primeiros anos do reinado do Sr. D. Pedro II. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>No fértil e opulento município de Campos de Goitacases, à margem do Paraíba, apouca distância da vila de Campos, havia uma linda e magnífica fazenda. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Era um edifício de harmoniosas proporções, vasto e luxuoso, situado em aprazível vargedo ao sopé de elevadas colinas cobertas de mata em parte devastada pelo machado do lavrador. Longe em redor a natureza ostentava-se ainda em toda a sua primitiva e selvática rudeza; mas por perto, em torno da deliciosa vivenda, a mão do homem tinha convertido aselva, que cobria o solo, em jardins e pomares deleitosos, em gramais e pingues pastagens, sombreadas aqui e acolá por gameleiras gigantescas, perobas, cedros e copaíbas, que atestavam o vigor da antiga floresta. Quase não se via aí muro, cerca, nem valado; jardim, horta, pomar, pastagens, e plantios circunvizinhos eram divididos por viçosas everdejantes sebes de bambus, piteiras, espinheiros e gravatás, que davam ao todo o aspetodo mais aprazível e delicioso vergel. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>A casa apresentava a frente às colinas. Entrava-se nela por um lindo alpendre todo enredado de flores trepadeiras, ao qual subia-se por uma escada de cantaria de seis a setedegraus. Os fundos eram ocupados por outros edifícios acessórios, senzalas, pátios, curraise celeiros, por trás dos quais se estendia o jardim, a horta, e um imenso pomar, que ia perder-se na barranca do grande rio. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Era por uma linda e calmosa tarde de outubro. O Sol não era ainda posto, e parecia boiar no horizonte suspenso sobre rolos de espuma de cores cambiantes orlados defêveras de ouro. A viração saturada de balsâmicos eflúvios se espreguiçava ao longo das ribanceiras acordando apenas frouxos rumores pela copa dos arvoredos, e fazendo farfalhar de leve o tope dos coqueiros, que miravam-se garbosos nas lúcidas e tranquilas águas da ribeira. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Corria um belo tempo; a vegetação reanimada por moderadas chuvas ostentava-sefresca, viçosa e luxuriante; a água do rio ainda não turvada pelas grandes enchentes, rolando com majestosa lentidão, refletia em toda a pureza os esplêndidos coloridos do horizonte, e o nítido verdor das selvosas ribanceiras. As aves, dando repouso ás asas fatigadas do contínuo voejar pelos pomares, prados e balsedos vizinhos, começavam apreludiar seus cantos vespertinos. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>O clarão do Sol poente por tal sorte abraseava as vidraças do edifício, que esse parecia estar sendo devorado pelas chamas de um incêndio interior. Entretanto, quer no interior, quer em redor, reinava fundo silêncio, e perfeita tranquilidade. Bois truculentos, e médias novilhas deitadas pelo campo, ruminavam tranquilamente à sombra de altos troncos. Asaves domésticas grazinavam em tomo da casa, balavam as ovelhas, e mugiam algumas vacas, que vinham por si mesmas procurando os currais; mas não se ouvia, nem se divisavavoz nem figura humana. Parecia que ali não se achava morador algum. Somente as vidraças arregaçadas de um grande salão da frente e os batentes da porta da entrada, abertos de par em par, denunciavam que nem todos os habitantes daquela suntuosa propriedade se achavam ausentes. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>A favor desse quase silêncio harmonioso da natureza ouvia-se distintamente o arpejo deum piano casando-se a uma voz de mulher, voz melodiosa, suave, apaixonada, e do timbre o mais puro e fresco que se pode imaginar. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Posto que um tanto abafado, o canto tinha uma vibração sonora, ampla e volumosa, querevelava excelente e vigorosa organização vocal. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>O tom velado e melancólico da cantiga parecia gemido sufocado de uma alma solitária esofredora. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Era essa a única voz que quebrava o silêncio da vasta e tranquila vivenda. Por fora tudo parecia escutá -la em místico e profundo recolhimento. &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>As coplas, que cantava, diziam assim: &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Desde o berço respirando &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Os ares da escravidão, &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Como semente lançada &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Em terra de maldição, &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>A vida passo chorando &nbsp;\u003C/p>\u003Cp>Minha tris\u003C/p>","cbCaigJallpwtORp","https://ap.wps.com/l/cbCaigJallpwtORp","pdf",799035,1,216,"Portuguese","pt",112,"# Capítulo 1\n## Ambientação: fazenda em Campos de Goitacases\n## O canto da protagonista\n## Entrada na sala e apresentação da jovem ao piano","[{\"question\":\"Em que época e contexto histórico se passa o início da obra?\",\"answer\":\"O capítulo se passa nos primeiros anos do reinado de D. 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