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A simples idéia de transformar metais em ouro, oude descobrir o Elixir da Longa Vida, já era fascinante demais para passar despercebida a qualqueriniciante em Magia. Confesso que o Elixir da Longa Vida me seduziamais: antes de entender e sentir apresença de Deus, a idéia de que tudo ia acabar um dia era  \ndesesperadora. De maneira que, ao saber da possibilidade de conseguirum líquido capaz de prolongar pormuitos anos minha existência, resolvi dedicar-me de corpo e alma à sua fabricação.  \nEra uma época de grandes transformações sociais – o começo dos anos setenta – e não havia ainda publicações sérias a respeito de Al quimia. Comecei, como um dos personagens do livro, a gastar opouco dinheiro que tinha na compra  \nde livros importados, e dedicava muitas horas do meu dia ao estudoda sua simbologia complicada.  \nProcurei duas ou três pessoas no Rio de Janeiro que se dedicavam seriamente à Grande Obra, e elas serecusaram a me receber. Conhecitambém muitas outras pessoas que se diziam alquimistas, possuíam seus laboratórios, e prometiam me ensinar os segredos da Arte emtroca de verdadeiras fortunas; hojeentendo que elas nada sabiam  \ndaquilo que pretendiam ensinar.  \nMesmo com toda a minhadedicação, os resultados eramabsolutamente nulos. Não acontecia nada do que os manuais de Al quimia afirmavam em sua complicada linguagem. Era um semfim de símbolos, de dragões, leões, sóis, luas e mercúrios, e eu sempre tinha a impressão de estar no caminho errado, porque alinguagem simbólica permite uma gigantesca margem de equívocos.  \nEm 1973 , já desesperado com aausência de progresso, cometi uma suprema irresponsabilidade. 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