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O Seminário Sabores Geográficos é um evento que se realizaa cada dois anos e nesta quarta edição visou explorar e substanciar o sabor geográfico pela morte, espiritualidade e mineiridade. Aspectos como a paisagem, o lugar, a cultura, o imaginário, a comida, a memória e a identidade foram contemplados nos trabalhos que se seguem. São essências que expressam, imprimem e compõem a geografia nas suas múltiplas vertentes humanistas, culturais e fenomenológicas. Uma oportunidade  \nNotas do Editor  \nVirgínia Palhares Professora e Organizadora do Simpósio Sabores Geográficos  \nespecial para o fazer geográfico pelos caminhos da geografia humanista cultural  \nescavando a fenomenologia, a geopoética e a arte, princípios das edições anteriores.  \nIniciamos em torno da mesa posta e o café servido, onde somos convidados por Lívia de Oliveira para uma prosa recheada de quitandas e quitutes, como o tradicional  \npão-de-queijo. Ao longo de seu texto Café com Prosa, a autora salienta como o momento  \ndo café proporciona a pausa necessária para desfrutarmos a troca de saberes não só em  \nrelação às (con)vivências diversas, mas também em relação aos saboresque estãopresentes  \nacompanhando uma xícara de café . Para cada acompanhamento são trazidos para a mesa  \nautores que contribuem para enriquecer a prosa com reflexões ligadas à relação dos  \nsabores com nossa cultura e aos encontros com a brasilidade. Destaca, ainda, a presença  \ndas quitandas e quitutes diversos em nossas celebrações que vão do nascimento à morte.  \nPara enriquecer a mesa com sabores diversos, Danielle Piuzana em seu texto Explorando novos sabores: associação azeite e plantas aromáticas no Espinhaço, nos  \nconvida a degustar uma série de associações que ela faz de azeite com plantas aromáticas.  \nTomilho, sálvia, rosmaninho, orégano, manjericão, louro, chimichurri e alecrim são  \nalgumas das ervas utilizadas na produção quase alquímica destes complementos  \nque acrescentam sabor aos alimentos que vão para nossa mesa. Tais plantas e seus  \nazeites nos são apresentados, um a um, quanto ao sabor, ao uso na culinária e às  \npropriedades medicinais encontradas em vários deles. Merece destaque o Rosmaninho,  \nplanta endêmica da Serra do Espinhaço que já estava presente nos escritos de Saint  \nHilaire e Martius. Um aspecto interessante de seu texto nos remete à geograficidade  \nde Dardel quando ela ressalta a importância da observação atenta necessária em  \nrelação aos ciclos da natureza, uma vez que estes interferem diretamente no tempo  \nde 􀀀fazeção􀀀 do azeite. Cada planta tem um tempo diferente e é preciso respeitá-lo.  \nApresentando uma relação bastante estreita com o que nos é contado em tom de prosa-poética por Lívia de Oliveira, seguimos ao texto Os sabores do sagrado nos  \nsaberes da comunidade quilombola dos Arturos. Ali, Maria Ivanice de Andrade Viegas  \nnos leva a conhecer um pouco de uma comunidade que surgiu em 1917 e que hoje vive  \ncom seus 500 membros em Contagem, aqui em Minas Gerais: a comunidade quilombola  \ndos Arturos, marcada pela resistência diante da globalização que vivemos. Traz, em sua  \nessência, uma riqueza cultural com destaque para a celebração de sua fé e ancestralidade  \npor meio do Congado. Durante as festividades, os banquetes coletivos estão presentes  \npara celebrar seus antepassados e cantos de devoção. Segundo a autora, a culinária é  \numa marca identitária dos Arturos e muitos dos alimentos produzidos pela comunidade  \nnão estão distantes da típica cozinha mineira. Iguarias como o Cubu, o Corre-Corre, a  \nRosca Saborosa carregam dentro de si marcas da ancestralidade arturiana. Nos momentos  \nsagrados como a Festa do Congado, a Festa do Batuque, a Festa do João do Mato e  \ntambém nos rituais fúnebres o alimento sempre está presente. 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