[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37510-pt":3,"doc-seo-37510-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37510,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Resposta a uma carta de José de Alencar","Resposta crítica e literária dirigida ao destinatário (“Exmo. Sr.”), discutindo a importância de conhecer e receber, por carta, a recomendação de um poeta. O texto defende a função da crítica e aborda o enfraquecimento do “gosto” no ambiente literário do país. Desenvolve ainda um diagnóstico sobre a crise das letras, critica a poesia dominada pelos sentidos e a tendência ao sucesso sem imaginação, e relata a experiência de leitura dos escritos de Castro Alves, destacando sua vocação original e a inadequação do modelo meramente copiador.","Texto-Fonte:  \nObra Completa de Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994.  \nResposta a uma carta de José de Alencar .  \nPublicada originalmente no Correio Mercantil, Rio de Janeiro, 01/03/1868 .  \n[RJ, 29 fev. 1868.]  \nExmo. Sr.— É boa e grande fortuna conhecer um poeta; melhor e maior fortuna é recebê-lo das mãos de V. Exª, com uma carta que vale um diploma, com umarecomendação que é uma sagração. A musa do Sr. Castro Alves não podia termais feliz intróito na vida literária. Abre os olhos em pleno Capitólio. Os seus primeiros cantos obtêm o aplauso de um mestre .  \nMas se isto me entusiasma, outra coisa há que me comove e confunde, é a extrema confiança, que é ao mesmo tempo um motivo de orgulho para mim. De orgulho, repito, e tão inútil fora dissimula r esta impressão, quão arrojado seria ver nas palavras de V. Ex.ª, mais do que uma animação generosa.  \nA tarefa da crítica precisa destes parabéns; é tão árdua de praticar, já pelosestudos que exige, já pelas lutas que impõe, que a palavra eloqüente de um chefe é muitas vezes necessária para reavivar as forças exaustas e reerguer o ânimo abatido .  \nConfesso francamente, que, encetando os meus ensaios de crítica, fui movidopela idéia de contribuir com alguma coisa para a reforma do gosto que se ia perdendo, e efetivamente se perde. Meus limitadíssimos esforços não podiamimpedir o tremendo desastre. Como impedi-lo, se, por influência irresistível, omal vinha de fora, e se impunha ao espírito literário do país, ainda mal formado equase sem consciência de si? Era difícil plantar as leis do gosto, onde se havia estabelecido uma sombra de literatura, sem alento nem ideal, falseada e frívola, mal imitada e mal copiada. Nem os esforços dos que, como V. Ex.ª, sabem exprimir sentimentos e idéias na língua que nos legaram os mestres clássicos, nem esses puderam opor um dique à torrente invasora . Se a sabedoria popular não mente, a universalidade da doença podia dar-nos alguma consolação quandonão se antolha remédio ao mal.  \nSe a magnitude da tarefa era de assombrar espíritos mais robustos, outro riscohavia: e a este já não era a inteligência que se expunha, era o caráter. Compreende V.Exª . que, onde a crítica não é instituição formada e assentada, aanálise literária tem de lutar contra esse entranhado amor paternal que faz dos nossos filhos as mais belas crianças do mundo. Não raro se originam ódios onde era natural travarem-se afetos. Desfiguram-se os intentos da crítica, atribui-se à inveja o que vem da imparcialidade; chama-se antipatia o que é consciência. Fosse esse, porém, o único obstáculo, estou convencido que ele não pesaria no ânimo de quem põe acima do interesse pessoal o interesse perpétuo da sociedade, porque a boa fama das musas o é também.  \nCansados de ouvir chamar bela à poesia, os novos atenienses resolveram bani-lada república.  \nO elemento poético é hoje um tropeço ao sucesso de uma obra. Aposentaram aimaginação. As musas, que já estavam apeadas dos templos, foram tambémapeadas dos livros . A poesia dos sentidos veio sentar-se no santuário e assim generalizou-se uma crise funesta às letras. Que enorme Alfeu não seria precisodesviar do seu curso para limpar este presepe de Augias?  \nEu bem sei que no Brasil, como fora dele, severos espíritos protestam com otrabalho e a lição contra esse estado de coisas; tal é, porém, a feição geral da situação, ao começar a tarde do século. Mas sempre há de triunfar a vida inteligente. Basta que se trabalhe sem trégua. Pela minha parte, estava e está acima das minhas posses semelhante papel; contudo, entendia e entendo —adotando a bela definição do poeta que V. Ex. ª . dá em sua carta — que há para ocidadão da arte e do belo deveres imprescritíveis, e que, quando uma tendênciado espírito o impele para certa ordem de atividade, é sua obrigação prestar esse serviço às letras.  \nEm todo o caso não tive imitadores . 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