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O livro contesta a ideia de que a teoria das raças antecedeu o racismo, rejeitando também o racismo como traço inato universal. 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Das percepções gregas às muçulmanas  \n2. Reconquista cristã  \n3. Universalismo: Integração e classificação  \n4. Tipologias da humanidade e modelos de discriminação PARTE II: EXPLORAÇÃO OCEÂNICA  \n5. Hierarquias de continentes e povos  \n6. Africanos  \n7. Americanos  \n8. Asiáticos  \n9. Europeus  \nPARTE III: SOCIEDADES COLONIAIS  \n10. Classificação étnica  \n11. Estrutura étnica  \n12. Projetos e políticas  \n13. Discriminação e segregação  \n14. Abolicionismo  \nPARTE IV: TEORIAS DE RAÇA  \n15. Classificações dos seres humanos  \n16. Racialismo científico  \n17. Darwin e a evolução social PARTE V: NACIONALISMO E MAIS ALÉM  \n18. O impacto do nacionalismo  \n19. Comparações globais Conclusões  \nNotas  \nCréditos das imagens  \nIntrodução  \nEsta obra rompe com a visão, relativamente consensual, de que a teoria das raças antecedeu o racismo; contesta o atual revisionismo acadêmico, que remonta a invenção do racismo à Anti guidade Clássica; erejeita a ideia do racismo como fenômeno inato partilhado por toda a humanidade. Meu argumento é de que determinadas configurações de racismo só podem ser explicadas com a pesquisa de conjunturashistóricas, que precisam ser comparadas e estudadas no longo prazo. O racismo é relacional e sofrealterações com o tempo, não podendo ser compreendido na sua totalidade através do estudo segmentadode breves períodos temporais, de regiões específicas ou de vítimas recorrentes—negros ou judeus, porexemplo.  \nO conceito de racismo de que me servirei neste livro—preconceito em relação à ascendência étnica combinado com ação discriminatória—serve de base para essa abordagem de longo prazo, permitindonos descrever as suas diferentes formas, continuidades, descontinuidades e transformações. A minhapesquisa se concentra no mundo ocidental, desde as Cruzadas até o tempo presente. Encontramos discriminação e preconceitos étnicos dentro da Europa desde a Idade Média até os dias atuais, e aexpansão europeia deu origem a um corpo coerente de ideias e de práticas associadas à hierarquia dos povos de diferentes continentes. Não defendo que a realidade do racismo seja exclusiva dessa zona doglobo; a Europa limita-se a fornecer um cenário relativamente consistente, que será comparado com outras partes do mundo onde se verificou a ocorrência de fenômenos semelhantes.  \nA presente obra baseia-se, em grande medida, na análise de fontes primárias impressas e visuais, que nos proporcionam novas pistas sobre o passado, servindo-se ainda da interpretação crítica de uma importante e extensa literatura secundária, oriunda de vários campos do saber, acerca do racismo.1 A hipótese na qual se centra a minha pesquisa considera que, ao longo da história, o racismo na forma de preconceito étnico associado a ações discriminatórias foi motivado por projetos políticos.  \nQUESTIONAMENTOS  \nComo é possível que a mesma pessoa seja considerada negra nos Estados Unidos, de cor no Caribe ouna África do Sul e branca no Brasil? Foi esse questionamento que há doze anos me levou a investigar a história do racismo. A arbitrariedade está no cerne da questão, mas a minha formação me obrigava alevar a sério as formas de classificação. As classificações podem moldar o comportamento humano em todos os níveis da sociedade. Neste caso, parecia óbvio que as classificações raciais tinham o poderimenso de escalonar os grupos sociais, bem como de impor limitações e oportunidades às populações dos países envolvidos. Consultei os principais estudos sobre racismo de Pierre van den Berghe, Carl  \nDegler e George M. Fredrickson, obras que identificavam claramente percepções raciais comuns edivergentes nos Estados Unidos e no Brasil—como exemplo dessas divergências, nos Estados Unidos, uma gota de sangue africano define um indivíduo como negro, ao passo que, no Brasil, o status de classemédia embranquece a tez humana.2 Contudo, sentia que tanto os antecedentes históricos como as form","cbCaibkL84l849jc","https://ap.wps.com/l/cbCaibkL84l849jc","pdf",14951397,441,"Portuguese","# Introdução\n## Parte I: As Cruzadas\n## Parte II: Exploração Oceânica\n## Parte III: Sociedades Coloniais\n## Parte IV: Teorias de Raça\n## Parte V: Nacionalismo e mais além\n# Questionamentos\n# Conclusões","[{\"question\":\"Qual é o conceito de racismo adotado no livro?\",\"answer\":\"Racismo é definido como preconceito em relação à ascendência étnica combinado com ação discriminatória, permitindo analisar suas formas e mudanças ao longo do tempo.\"},{\"question\":\"Por que o autor defende uma abordagem de longo prazo?\",\"answer\":\"Porque o racismo não se explica apenas por recortes breves, regiões específicas ou vítimas recorrentes; trata-se de um fenômeno relacional que envolve efeitos e transformações ao longo da história.\"},{\"question\":\"Que questionamentos motivaram a pesquisa sobre racismo?\",\"answer\":\"O autor se baseia na ideia de que a mesma pessoa pode ser classificada de formas diferentes em distintos contextos (por exemplo, negra nos Estados Unidos, “de cor” no Caribe ou branca no Brasil), evidenciando a arbitrariedade das classificações.\"}]","Racismos - Das Cruzadas ao século XX - Francisco Bethencourt | PDF",679]