[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-52421-pt":3,"doc-seo-52421-112":30,"detail-sidebar-cat-0-pt-112":91},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":20,"is_deleted":4,"is_public":21,"is_downloadable":21,"audit_status":21,"page_count":22,"language":23,"language_code":24,"site_id":25,"html_lang":24,"table_of_contents":26,"faqs":27,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":28,"read_time":29},52421,1099514067438,"River Wang","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/100002539ee87300030?x-image-process=image/resize,m_fixed,w_180,h_180&k=1780474512215547542",27,"Literatura","Sobre a Mentira","Tratado filosófico de Santo Agostinho que investiga o que é a mentira e em que condições alguém pode mentir. Definem-se as dificuldades do tema e os critérios para não confundir mentira com erro ou com intenção bem-intencionada. Examina-se a distinção entre acreditar e imaginar, bem como o papel da intenção de enganar. O texto exclui as piadas por não haver propósito de ludibriar e conclui pela necessidade de nunca mentir, valorizando a sinceridade no falar.","Santo Agostinho  \nSobre AMentira  \nTradução de: Souza Campos, E. L. de  \nTeodoro Editor  \nNiterói – Rio de Janeiro – Brasil 2018  \nSobre a mentira  \nSanto Agostinho  \nNo que consiste a mentira? Podemos, algumas vezes, mentir? Estas são as questões que o Santo Doutor se propõe discutir.  \nExemplos e razões pró e contra. Oito espécies de mentiras, examinadas uma a uma e rejeitadas.  \nConclusão: não se deve mentir jamais.  \nIntrodução1  \nEscrevi um livro sobre a mentira. Mesmo que ele exija algum esforço para ser compreendido, ele pode ser um útil exercício à mente e ao intelecto e também ser vantajoso para os costumes, fazendo com que seja amada a sinceridade no falar.  \nEu tinha me decidido retirar este livro de minhas obras, porque ele é obscuro e cheio de sinuosidades. Ele me parecia insuportável e então eu não o publiquei.  \nMais tarde, quando escrevi outro intitulado Contra a mentira, eu muito mais decididamente tinha resolvido destruí-lo.  \nIsto não foi feito e eu o encontrei são e salvo, por ocasião darevisão de minha obra. Então, após tê-lo revisto, decidi que ele  \n1 Das Revisões. Livro I, cap. XXVII.  \nsobreviveria. Há nele, de fato, coisas muito necessárias e que não estão no outro.  \nO título deste último é Contra a mentira e o título do primeiro é Sobre a mentira. Aquele é inteiro um combate aberto à mentira e este é uma pesquisa e uma discussão. O objetivo, no entanto, dos dois, é o mesmo.  \nEsta obra começa assim: “A mentira é uma questão importante”.  \nCapítulo 01  \nA dificuldade do tema.  \nA mentira é uma questão importante. Frequentemente ela provoca perturbação em nosso comportamento habitual e nos oferece este duplo perigo: considerarmos, de maneira apressada, como mentira o que não é mentira ou considerarmos que podemos algumas vezes mentir por um motivo honroso, para prestar um favor ou por piedade.  \nNós a trataremos então com todo o cuidado possível, enfrentaremos as dificuldades que surgirem e não afirmaremos nada ao acaso. O leitor atento perceberá, neste mesmo tratado, o resultadode nossas pesquisas, se houver um, pois o tema é obscuro, porassim dizer, cheio de sinuosidades e recantos tenebrosos, onde frequentemente o pensamento daquele que se ocupa com ele fica  \naprisionado, a ponto de o objetivo buscado escapar por entre os dedos, reaparecer depois e em seguida sumir novamente. No fim, no entanto, um exame atento levará a um resultado certeiro.  \nSe for encontrado algum erro, como a verdade liberta de todo erro, enquanto que a falsidade arrasta tudo, eu me consolarei, pelo menos, pensando que, de todos os erros, o menos perigoso é aquele que se comete por um amor excessivo à verdade e um ódio exagerado à falsidade.  \nDe fato, os críticos austeros dizem: “Há aí um excesso”. Mas, talvez a verdade diga: “Ainda não é suficiente”.  \nEm todo caso, leitor, seja você quem for, não critique antes de ter lido tudo e você encontrará menos coisas para criticar. Nãopreste atenção ao estilo, pois ficamos muito presos aos fundamentos das coisas e cedemos à necessidade de terminar prontamente uma obra muito necessária para as necessidades cotidianas da vida. Por isso, nos ocupamos pouco ou quase nada com a escolhadas expressões.  \nCapítulo 02  \nAs piadas não são mentiras.  \nIsentamos primeiramente as piadas, que jamais passaram por mentiras, pois a própria maneira como são contadas e a afeição daqueles que ouvem, mostram de forma bem evidente que  \nnão há nenhuma intenção de enganar, mesmo que não se diga averdade.  \nMas as almas perfeitas devem se permitir as piadas? Esta é uma questão que não temos intenção de tratar aqui.  \nColocamos então as piadas de lado e começamos por esteponto: não tratar como mentiroso aquele que não mente.  \nCapítulo 03  \nO que é a mentira? 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