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O texto situa a publicação em 1866 no contexto do exílio do autor, relacionando a oposição ao II Império e a experiência em Guernsey. Examina a edição da UNESP de 2023 e a necessidade de nova tradução, destacando a pressa de Machado de Assis e contrastes de estilo. 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Os trabalhadores do mar. Editora Unesp Digital, 2023  \nJean C. Santos 1  \nConsiderado um clássico da literatura francesa, o romance “Ostrabalhadores do mar”, do escritor e político francês Victor Hugo foi publicadopela primeira vez em 1866. O livro decorreu da experiência de desterroimposta ao autor.2 A maior parte do exílio, entre 1855 e 1871, ocorreu em Guernsey, “uma ilha anglo-normanda situada entre a França e a Inglaterra”. Antes, entre 1852 a 1854, Victor Hugo passou por Bruxelas e Jersey. Aexpatriação foi motivada por sua oposição ao II Império (1852 a 1870), regime iniciado após o golpe de 18 de Brumário, evento que alçou Luís Bonaparte ao trono, rendendo-lhe o título de Napoleão III.3  \nA edição aqui analisada foi organizada em 2023 pela UNESP. Atradução ficou a cargo de Jorge Coli, historiador e professor emérito da UNICAMP. A versão inicial do romance em português, contemporânea aolançamento original, foi traduzida por Machado de Assis. Elaborada entre 15 de março e 29 de julho de 1866, por um Machado ainda jovem, com 27 anos, o trabalho não foi uma escolha, mas uma encomenda. Ele fornecia os capítulos para “publicação no Diário do Rio de Janeiro, como folhetim no anoem que o romance foi publicado na França. Esses capítulos foram reunidos logo depois em três volumes”4.  \nSegundo Jorge Coli, dois fatores destacam a necessidade de uma novatradução: a pressa de Machado em traduzir o romance e os pequenos  \n1 Graduando em Licenciatura em História na Universidade Estadual de Feira de Santana. [jean.claudio019@gmail.com](jean.claudio019@gmail.com)  \n2 HUGO, Victor. Os trabalhadores do mar. Editora Unesp, 2023. p.20; Para a obra original cf. HUGO, Victor. Les travailleurs de la mer. Lib. internationale A. Lacroix & Cie, Paris & Bruxelles & Leipzig & Livourne, 1866.  \n3 SILVA, Luiz Eudásio Capelo Barroso. O rochedo é a tribuna, a liberdade o brado: os discursos políticos do exílio de Victor Hugo. 2016. 202 f., Dissertação (Mestrado em Literatura) Universidade de Brasília, Brasília, 2016. p.103. pp. 102-3, 106.  \n4 Observação do tradutor, in: HUGO, Victor. Os trabalhadores do mar. Editora Unesp, 2023. p.18.  \nREVISTA HYDRA-VOLUME VIII, NÚMERO 15. ABRIL DE 2025.  \n309  \ndeslizes decorrentes disso, que o levaram a cortar as partes mais complicadas da história; além disso, as divergências de estilo entre os autores tambémforam um fator importante. Como lembra o historiador, o “estilo dos dois gigantes, Hugo e Machado, não poderia ser mais contrastante. À frase eloquente, envolvente, hipnótica de um opõe-se o estilo enxuto, breve, incisivo, do outro.”5 Logo, a escolha por resenhar a edição da UNESP se justifica pela proposta de tradução que priorizou a integralidade e fidelidadelinguística aos escritos originais.6  \nNascido em 1802, no seio de uma família monarquista, Victor Hugo permaneceu alinhado ao Ancien Régime por muito tempo. Detentor de prêmios concedidos por Louis XVIII e indicado a Pair de France pelo Rei LouisPhilippe I, o autor tinha uma carreira literária consolidada e internacionalmente prestigiada. Como já vimos, a situação mudou devido à sua adesão ao republicanismo, em oposição ao regime de Napoleão III. 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