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Descreve a formação artística, os primeiros trabalhos, a influência de ambientes evangélicos e de uma rotina marcada por jornais e gibis, além do encontro com desenhistas do Homem-Aranha em Mauá. 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Foi criado em Mauá, num ambiente evangélico. Aprendeu  \na tocar piano e clarinete na Congregação Cristã no Brasil – e desse período guarda o clarinete. Filho do torneiromecânico Eliseu Santiago e de Leonice Rodrigues Santiago, desde os 12 sabia o que queria fazer: quadrinhos de super-heróis. Com 18 anos abandonou a igreja e veio para São Paulo, estudarna Quanta Academia deArtes. Formouse em Design Gráfico na UMC-Universidade de Mogi das Cruzes, ondeleciona Desenho no curso de Produção Multimídia. Trabalha como ilustradorno jornal Folha de S.Paulo e nas revistas Getulio, Rolling Stone e Nova Escola. Já publicou nas editorasAbril e Globo ena Ibep (antiga Editora Nacional) . Nãotem paciência de ficar muito tempo diante de uma imagem. Gosta do traçorápido, sem muito tempo para refletir. Atirando para todos os lados, fez capade livro, coloriu os quadrinhos da série de TV 24 horas e criou a animação do clip do grupo Velhas Virgens. E acabade ganhar o prestigiado troféu HQMIX 2009. A seguir trechos da conversa que manteve com Getulio.  \nHomem Aranha em Mauá  \nNasci prematuro de sete meses e, extremamente agitado, gosto de fazer tudo ao mesmo tempo agora. Minhas três grandes paixões: desenho, música erádio. Aos 7 anos lembro-me que meu  \npai comprava o Diário do Grande ABCe junto vinha o Diarinho.“É isso que quero fazer, desenhar para jornal.” Souapaixonado por quadrinhos. Não façoporque dá um trabalho enorme. Souansioso, preciso resolver tudo imediatamente. A ilustração é um meio de resolver rapidamente as coisas. Desde moleque vivia enfiado na banca de jornal do bairro. Queria trabalhar, mas menino de 11 anos não é muito confiável [risos]. Como todo mundo conhecia minha família, insisti com odono [Alex Siqueira Imberno] e consegui o emprego. Foi ótimo, pois lia de tudo e de graça. Meu salário torrava nacompra de gibi e às vezes ainda ficava devendo. Depois consegui empregona padaria do bairro, ou seja, trabalhei desde cedo... A padaria abria as 6 damanhã! Mas voltei para a banca para ser sócio do Seu Flávio, pai do Alex. Eu com 14 anos e ele 55. Não sei como um senhor topa ser sócio de um moleque!  \nNo ABC ter uma profissão era ser pedreiro, comerciante ou metalúrgico. Meus pais não queriam saber dedesenho, não conheciam nenhum desenhista, artista, escritor. Pessoa bemsucedida trabalhava na Volkswagen. Hoje entendo, mas na época fiquei passado. Acreditava que daria certo. Em 1993 descobri que Luciano Queiroz, desenhista do HomemAranha, morava em Mauá . Fiquei doido com a notícia e mostrava o jornal para meus pais.“O Luke Ross, que desenha o Homem Aranha, mora aqui!” Era surreal! Se odesenhista do Aranha mora na minha  \ncidade, por que não posso trabalhar com desenho? Isso me motivou.  \nEm 1997, Marcelo Campos, Roger Cruz, Rogério Vilela, JP Martins e Octavio Cariello se juntaram e fundarama Fábrica de Quadrinhos, estúdio e escola de artes – depois virou Quanta Academia de Arte. Com 13 anos vim para São Paulo estudar com eles. Todos atuavam no mercado e compartilhavam as experiências do dia a dia coma sala de aula. Essa turma me despertou para outras formas de arte. Lá aprenditudo o que sei de desenho. O Marcelo Campos é meio como pai. Por ser muito persistente, sinônimo bonitinho para chato, comecei a trabalhar no estúdio. Achei que ia desenhar, né? Ia a banco, atendia telefone, fazia café, fechava aescola. Tudo menos desenhar. Às vezes não ia para casa e virava a madrugavavendo a turma trabalhar.“Me deixa pintar um desenho!” Venci pelo cansaço. Resolveram me usar, já que vivia enfiado lá dentro e era “persistente”.  \nAs escolas criam clones  \nTudo o que aprendi sobre desenho foina Quanta, na faculdade aprendi pouco. Achava que não precisava ir à universidade. A maioria dos desenhistas com quem convivia não tinha feito faculdade. 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