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Descreve etapas preparatórias para a alfabetização com ênfase no desenvolvimento do tato, coordenação motora fina, orientação espacial e direcionalidade, incluindo atividades com diferentes papéis, texturas, colagens, desenho em relevo, pareamento de objetos, exercícios de pré-escrita e prática com reglete, punção e máquina Perkins. 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Introdução  \nEste relato trata de minha experiência com o Sistema Braille como aprendiz (dos anos do jardim à classe de alfabetização) e usuária do sistema, desde sua aprendizagem (que se deu, efetivamente, em 1993) até me tornar professora de braille na Divisão de Reabilitação, Preparação para o Trabalho e Encaminhamento Profissional (DRT), vinculada ao Departamento de Pesquisas Médicas e de Reabilitação (DMR), do Instituto Benjamin Constant (IBC), ondetrabalho desde 2012.  \n2. Experiência com o Sistema Braille  \nMinha experiência com o Sistema Braille começou cedo, ainda na pré-escola. Nãolembro exatamente com que idade ouvi pela primeira vez o nome braille e aprendi que nós, cegos, tínhamos um alfabeto diferente daquele usado pelas pessoas de visão para escrever: o alfabeto braille. Como estudei, desde a estimulação precoce à antiga 8a série do Primeiro Grau, no IBC, a inserção de atividades que preparavam para o braille (assim como a do próprio alfabeto em minha vida) se deu de forma gradual, lúdica e prazerosa, já que desde cedofazíamos atividades direcionadas para a aprendizagem desse alfabeto. A ideia de aprender a lere a escrever em um alfabeto para mim novo e com pontos (furando o papel) me animava, e, quanto maior a proximidade da época da alfabetização, mais a curiosidade acerca do braille crescia.  \n1 Graduada em Letras Português-Inglês e especialista em Letras-Cultura, Língua e Literatura Latina, ambos os cursos pela UFF (2009 e 2012, respectivamente), mestra em Estudos de Linguagem pela UFF (2013), professora do IBC desde 2012. Tem experiência na área de Letras com ênfase em Literatura Latina, atuando principalmente nos temas progressãoreferencial e anáfora.  \n62 Benjamin Constant, Rio de Janeiro, ano 20, edição especial, p. 62-69, nov. 2014  \nBConstant\\#edEsp2014_FINAL. pmd 62 12/12/2014, 08:40  \nSistema Braille: aprendizagem, uso e ensino  \nJá durante a época do jardim de infância (principalmente no último ano desse segmento) intensificaram-se os trabalhos preparatórios para a alfabetização no Sistema Braille. As atividades com diversos tipos de papel (papel laminado, papel de seda, papel crepom, cartolina etc.) auxiliavam no desenvolvimento do tato e da musculatura dos dedos e das mãos, quando a professora pedia que fizéssemos bolinhas de papel de diversos tamanhos equalidades diferentes de papel e as colássemos em uma cartolina. As atividades de colagem, durante as quais discriminávamos, separávamos e colávamos grãos de diversos tipos etamanhos de papel em uma cartolina, auxiliavam no desenvolvimento da noção espacial (direcionalidade) e da coordenação motora fina (principalmente com o movimento de pinça, muito utilizado no Sistema Braille) . Outros tipos de exercícios que fazíamos eram os de cobrir formas, que eram contornadas por um barbante, dentro do qual tínhamos de cobrir (pintar, preenchendo todo o interior com uma cor escolhida pela professora ou pelos alunos) . Esse tipode exercício também auxiliava muito na orientação espacial, na direcionalidade e nodesenvolvimento da coordenação motora fina das crianças. Também fazíamos exercícios dedesenho em papel ofício sobre uma tela confeccionada pela Divisão de Produção de Material Especializado (DPME), exercício no qual desenhávamos com lápis de cera, ficando o desenho com relevo. Esse tipo de exercício também auxilia na coordenação motora fina e na noçãoespacial e de direcionalidade, sendo de grande importância na educação de crianças cegas. Atela mencionada no exercício é construída prendendo-se (normalmente com grampos) uma telade janela (que protege contra mosquitos) a uma superfície dura de papelão.  \nFazíamos, também, exercícios de pareamento de objetos, durante os quais separávamos os objetos iguais, os nomeávamos e, com o auxílio da professora, os conceituávamos. 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