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Lembro-me, por exemplo, de que, no final de 1972, quando eu me preparava para defender o Mestrado em Física nessa Universidade (ocorrido somente em 30 de abril de 1973), o jornal O Estado de São Paulo apresentou aseguinte manchete: “Doutorados de mão cheia na USP”. Tratava-se doseguinte. Para obter o doutoramento na USP, bastava que o candidato defendesse sua tese na presença de uma Banca Examinadora, sem seguir o“ritual norte-americano”, isto é, fazer cursos pós-graduados regulares e submeter-se ao “qualifying” (Exame de Qualificação), critério que seria adotadoa partir de 1973. Desse modo, muitos candidatos (professores ou não) aproveitaram a Legislação em vigor, o que motivou a matéria jornalística referida.  \nNa década de 1980 (me parece que foi em sua metade), novas matérias jornalísticas voltaram a criticar a USP. Com efeito, o leitor não muito jovem, como eu, deve lembrar-se do escândalo referente aos “improdutivos” da USP, dentre os quais situavam-se professores uspianos consagrados.  \nJá na década de 1990, novas críticas voltaram a ser veiculadas namídia sobre a “improdutividade” dos professores universitários. Desta vez oalvo foram os cursos pós-graduados de Universidades (públicas e privadas) que recebiam verbas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) . Assim, em 29 outubro de 1995, o Jornal do Brasil divulgou“a lista negra da pós-graduação brasileira”. Nessa lista, preparada pela CAPES, constavam cursos pós-graduados [mestrado (M) e doutorado (D)] daquelas Universidades e que foram “reprovados” ou colocados em “segunda época”. Por exemplo, o Mestrado em Física da Universidade Federal do Pará(UFPA) recebeu o seguinte parecer: “Pesquisa ruim em relação à qualificação dos professores; maioria dos docentes não apresenta produção científica; sem  \n-2- CBPF-CS-006/01  \nprodução dos alunos; “recomenda-se fortemente a desativação do curso”. Registre-se que o nosso Mestrado havia sido criado em 1986 e, até aquela data, pouco ou quase nada havia recebido de ajuda financeira da CAPES. Os seus cientistocratas haviam materializado o famoso apotegma do economista sueco, o Nobel (1974) Gunnar Myrdal: “O pobre é pobre porque é pobre”.  \nEm agosto de 1998, uma nova metodologia foi utilizada pela CAPES para avaliar os 1.297 cursos pós-graduados (M, D) brasileiros. Destavez, foi atribuída uma nota, que variava de 1 a 5, para os mestrados, e de 1 a 7, para os doutorados, com o corte na nota 3. Assim, o curso que houvesserecebido nota abaixo desse valor ficaria sem auxílio financeiro e, mais ainda, caso não melhorasse (sic!), seria desativado. O Mestrado de Física da UFPA ficou com a nota 2, e, desse modo, continuávamos “myrdalianos”, uma vez que, entre 1996 e 1999, a CAPES só deu quatro (4) bolsas para o nosso Mestrado.  \nNos dias 12 e 15 de setembro de 1999, a Folha de São Paulo divulgou listas as quais indicavam que apenas poucos professores universitários brasileiros tinham sua produção intelectual citada por seus","cbCaio9f400CrArg","https://ap.wps.com/l/cbCaio9f400CrArg","pdf",22153,"Portuguese","# Críticas midiáticas à produtividade universitária\n## Casos envolvendo USP, CAPES e rankings\n## Efeitos sobre cursos de pós-graduação e avaliação","[{\"question\":\"O que o autor chama de “cientistocratas”?\",\"answer\":\"Refere-se aos cientistas ligados a órgãos estatais voltados a fomentar e aperfeiçoar ensino, extensão e pesquisa, que influenciam a forma como a produtividade acadêmica é medida e divulgada.\"},{\"question\":\"Como a CAPES mudou a avaliação dos cursos de pós-graduação em 1998?\",\"answer\":\"Passou a atribuir notas de 1 a 5 para mestrados e de 1 a 7 para doutorados, com corte na nota 3; cursos abaixo desse limite perderiam auxílio e poderiam ser desativados se não melhorassem.\"},{\"question\":\"Por que o autor considera que fechar o CBPF seria um “crime de lesa-ciência”?\",\"answer\":\"Porque defende que não existe departamento ou instituto de Física no Brasil que não tenha tido participação direta ou indireta do CBPF, destacando seu papel histórico e formativo.\"}]","A mídia e a cientistocracia brasileira | PDF",5]