[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37542-pt":3,"doc-seo-37542-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37542,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS Memorial de Aires","Memorial de Aires apresenta um relato diarístico situado em 1888, quando o narrador, o Conselheiro Aires, retorna definitivamente da Europa ao Brasil. A narrativa articula o cotidiano doméstico com lembranças do desembarque e uma rotina marcada por eventos familiares e religiosos. Em janeiro, um bilhete da mana Rita conduz à visita ao cemitério de São João Batista, onde se observa a devoção, o silêncio do lugar e a memória materializada nas sepulturas. Acompanhando o olhar do narrador, surgem episódios sobre figuras conhecidas, como a viúva Noronha.","Memorial de Aires  \nTexto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1994.  \nPublicado originalmente pela Editora Garnier, Rio de Janeiro, 1908.  \nEm Lixboa, sobre lo mar,  \nBarcas novas mandey lavrar. . .  \nCantiga de Joham Zorro.  \nPara veer meu amigo Que talhou preyto comigo, Alá vou, madre.  \nPara veer meu amado Que mig’a preyto talhado, Alá vou, madre.  \nCantiga d’el rei Dom Denis .  \nAdvertência  \nQuem me leu Esaú e Jacó talvez reconheça estas palavras do prefácio:“Nos lazeres do ofício escrevia o Memorial, que, apesar das páginas mortas ou escuras, apenas daria (e talvez dê) para matar o tempo da barca de Petrópolis”.  \nReferia-me ao Conselheiro Aires. Tratando-se agora de imprimir o Memorial, achou-se que a parte relativa a uns dois anos (1888-1889), se for decotada de algumas circunstâncias, anedotas, descrições e reflexões,— pode dar uma narração seguida, que talvez interesse, apesar da forma de diário que tem. Não houve pachorra de a redigir à maneira daquela outra,— nem pachorra, nem habilidade. Vai como estava, mas desbastada e estreita, conservando só o que liga o mesmoassunto. O resto aparecerá um dia, se aparecer algum dia.  \nM. de A.  \n1888  \n9 de janeiro  \nOra bem, faz hoje um ano que voltei definitivamente da Europa. O que me lembrou esta data foi, estando a beber café, o pregão de um vendedor de vassouras e espanadores: \"Vai vassouras! vai espanadores!\" Costumo ouvi-lo outras manhãs, mas desta vez trouxeme à memória o dia do desembarque, quando cheguei aposentado à minha terra, ao meu Catete, à minha língua. Era o mesmo que ouvi há um ano, em 1887, e talvez fosse a mesma boca.  \nDurante os meus trinta e tantos anos de diplomacia algumas vezes vimao Brasil, com licença. O mais do tempo vivi fora, em várias partes, enão foi pouco. Cuidei que não acabaria de me habituar novamente aesta outra vida de cá . Pois acabei. Certamente ainda me lembram coisas e pessoas de longe, diversões, paisagens, costumes, mas não morro de saudades por nada. Aqui estou, aqui vivo, aqui morrerei.  \nCinco horas da tarde  \nRecebi agora um bilhete de mana Rita, que aqui vai colado:  \n9 de janeiro  \n“Mano,  \nSó agora me lembrou que faz hoje um ano que você voltou da Europa aposentado. Já é tarde para ir aocemitério de São João Batista, em visita ao jazigo da família, dar graças pelo seu regresso; irei amanhã de manhã, e peço a você que me espere para ir comigo. Saudades da  \nVelha mana,  \nRita”.  \nNão vejo necessidade disso, mas respondi que sim.  \n10 de janeiro  \nFomos ao cemitério. Rita, apesar da alegria do motivo, não pôde reter algumas velhas lágrimas de saudade pelo marido que lá está no jazigo, com meu pai e minha mãe. Ela ainda agora o ama, como no dia em que o perdeu, lá se vão tantos anos. No caixão do defunto mandou guardar um molho dos seus cabelos, então pretos, enquanto os mais deles ficaram a embranquecer cá fora.  \nNão é feio o nosso jazigo; podia ser um pouco mais simples,— ainscrição e uma cruz,— mas o que está é bem feito. Achei-o novo demais, isso sim. Rita fá-lo lavar todos os meses, e isto impede que  \nenvelheça. Ora, eu creio que um velho túmulo dá melhor impressão dooficio, se tem as negruras do tempo, que tudo consome. O contrário parece sempre da véspera.  \nRita orou diante dele alguns minutos, enquanto eu circulava os olhos pelas sepulturas próximas. Em quase todas havia a mesma antigasúplica da nossa: \"Orai por ele! Orai por ela!\" Rita me disse depois, em caminho, que é seu costume atender ao pedido das outras, rezando uma prece por todos os que ali estão. Talvez seja a única. A mana é boa criatura, não menos que alegre.  \nA impressão que me dava o total do cemitério é a que me deramsempre outros; tudo ali estava parado. Os gestos das figuras, anjos eoutras, eram diversos, mas imóveis. Só alguns pássaros davam sinal de vida, buscando-se entre si e po usando nas ramagens, pipilando ou gorjeando. Os arbustos viviam calados, na verdura e nas flores.  \nJá perto do portão, à s","cbCaitZL9tLutTwe","https://ap.wps.com/l/cbCaitZL9tLutTwe","pdf",407815,1,116,"Portuguese","pt",112,"# Advertência\n# 9 de janeiro\n## Bilhete de Rita\n# 10 de janeiro\n## Visita ao cemitério\n## Encontro com a viúva Noronha","[{\"question\":\"Quem é o narrador do Memorial de Aires e o que marca seu retorno ao Brasil?\",\"answer\":\"O narrador é o Conselheiro Aires. 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