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A narrativa articula memórias pessoais sobre enfrentamento da unanimidade e do linchamento, conectando esse aprendizado ao papel jornalístico. 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É importanteisso, muito importante, a crítica ter sido feita para que se repense o papel da mídia e como tem desempenhado – ou não – sua missão. Não ficou uma crítica de quem fala só peloprazer de ser do contra, de contestar”.  \n“Sabe quando a gente ama muito uma pessoa e quer muito seu sucesso e bem estar, mas a pessoa vai temerariamente pelo caminho errado e perigoso; sabe quando a gente vê a pessoa amada se perdendo, daí senta e conversa francamente com ela? Com firmeza necessária, mas sem crueldade? Querendo o bem?”  \n“Ficou assim...”  \nPaulinho de Castro  \nDe uma coluna de dezembro de 1999:  \n“Outro dia fiquei sabendo da morte de Jorginho Cachorrada, companheiro de adolescêncialá em Poços de Caldas. Jorginho era bom de briga. Perto dos 30 anos, adolescente tardio, cismou de ir de moto até uma boate no Bortolan, em plena noite. Topou com um automóvel e perdeu o movimento em um braço. No desastre, perdeu a vida o Paulinho de Castro, o Castrinho, que estava na garupa, e que foi minha primeira referência de caráter, fora da família.”  \n“Tinha 11 anos, estudando no primeiro ano ginasial dos Maristas. Fim de ano, nossa classesaiu mais cedo e a molecada começou a esvaziar pneus de bicicletas. Fui contra. Batemos boca quando apareceu um irmão, querendo saber o que estava acontecendo. A molecadafugiu. Ficamos eu e um colega, bom aluno, e que também estava esvaziando pneus. Ocolega entregou os demais.”  \n“Quando saí à rua, fui cercado por uma dúzia de colegas, julgando ter sido eu o autor dadelação. Foi minha primeira experiência com o espírito do linchamento. Quanto mais fraco o colega, mais atrevido ficava, amparado pela maioria. Passaram-me a mão no rosto, deram-me coque, e eu sem poder me defender, porque significaria delatar o colega que delatara.”  \n“Nesse momento, apareceu o Castrinho, com quem mal trocara duas palavras naquele primeiro ano de ginásio. Pegou dois tijolos, passou-me um, segurou o outro, e desafiou o grupo: “Quem chegar perto, eu arrebento”. O grupo se desfez na hora, porque rompera-sea unanimidade.”  \n“Castrinho era neto de Pedro de Castro, dos primeiros jornalistas de Poços.”  \n“Não cheguei a virar seu amigo, mas levei essa lição para o resto de minha vida. Em todosos episódios em que me envolvi, enfrentando a maioria –Escola Base, bar Bodega, Precatórios etc.—vinha-me à memória o colega Castrinho. Foi elemento fundamental naminha formação, assim como (na ponta oposta) os colegas que se fortaleceram com o espírito do linchamento.”  \n“Desde então, sou tomado de desprezo profundo por todo mundo que adere a maiorias – mesmo que eventualmente (quase nunca) legítimas. E de uma admiração única por quemousa enfrentar a unanimidade”.  \nPrefácio.....................................................................................2  \nPaulinho de Castro..................................................................2  \nAbertura ................................................................................. 12  \nA evolução da imprensa no Brasil .................................... 13  \nO início da profissionalização ........................................... 14  \nO padrão Veja .................................................................. 15  \nO padrão Globo ................................................................ 16  \nO padrão Jornal da Tarde................................................. 17  \nO padrão Folha ................................................................. 20  \nA campanha do impeachment .......................................... 23  \nO marketing da notícia...................................................... 26  \nO uso da catarse e as raízes do Brasil ............................. 26  \nO uso dos inquéritos ...............","cbCairqA8kIGVRUG","https://ap.wps.com/l/cbCairqA8kIGVRUG","pdf",779276,297,"Portuguese","# Prefácio\n## Paulinho de Castro\n# Abertura\n## A evolução da imprensa no Brasil\n## O início da profissionalização\n## O padrão Veja\n## O padrão Globo\n## O padrão Jornal da Tarde\n## O padrão Folha\n## A campanha do impeachment\n## O marketing da notícia\n## O uso da catarse e as raízes do Brasil\n## O uso dos inquéritos\n## O esquentamento das manchetes\n## O uso dos grampos e dossiês\n## A pauta como matéria\n# Manual de Sobrevivência\n## O novo jornalismo\n## Os novos tempos e a qualidade total\n## O painel de controle\n## A cobertura de temas complexos\n## O jovem jornalista\n## Técnica do bom jornalismo\n## Na contra-mão\n## O caso Escola Base\n## O caso Collor\n## Lei e ética\n## 17/06/1992 Coração satânico\n## 10/09/1992 A esquizofrenia de um grande ator\n## 06/07/1994 O fenômeno Collor","[{\"question\":\"O que o prefácio destaca sobre a crítica ao papel da mídia?\",\"answer\":\"A crítica é apresentada como necessária para fazer o público repensar a missão da mídia, evitando amargura ou negativismo e sem contestar apenas por oposição.\"},{\"question\":\"Como a experiência pessoal do autor sobre linchamento se conecta ao tema do livro?\",\"answer\":\"O autor relata uma lição de enfrentar a maioria e contrapõe isso ao papel da mídia diante de unanimidades, citando episódios em que a memória do exemplo orienta sua leitura crítica.\"},{\"question\":\"Quais tópicos sobre jornalismo e cobertura são anunciados no sumário?\",\"answer\":\"O sumário organiza discussões sobre evolução da imprensa, padrões (Veja, Globo, Jornal da Tarde, Folha), impeachment, marketing da notícia, catarse, inquéritos, manchetes, grampos e dossiês, além de casos como Escola Base e Collor.\"}]","O Jornalismo dos Anos 90 - Prefácio | PDF",1788819218,457]