[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37543-pt":3,"doc-seo-37543-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37543,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS. Notas Semanais","Textos semanais de Joaquim Maria Machado de Assis exploram heranças culturais e a responsabilidade do cronista diante da tolerância do leitor. O conteúdo critica a ingenuidade e a injustiça de comissões sanitárias que aplicam multas com base em supostas fontes minerais, ignorando artifícios comerciais e a dinâmica social local. Também aborda o sentido simbólico de publicações sobre confeitaria, discutindo hábitos alimentares, anglicismos gastronômicos e mudanças na vida urbana do Rio de Janeiro.","Texto-fonte:  \nObra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, Vol. III, 1994.  \nPublicado originalmente em O Cruzeiro, Rio de Janeiro, de 02/06/1878 a 01/09/1878 .  \n1878  \n2 de junho  \nI  \nHá heranças onerosas. ELEAZAR substituiu SIC, cuja pena, aliás, lhe não deram, econseguintemente não lhe deram os lavores de estilo, a graça ática, e aquele pico e sabor, que são a alma da crônica. A crônica não se contenta da boa vontade; não se contenta sequer do talento; é-lhe precisa uma aptidão especial e rara, que ninguém melhor possui, nem em maior grau, do que o meu eminente antecessor. Onerosa e perigosa é a herança; mas eu cedo à necessidade da ocasião.  \nResta que me torne digno, não direi do aplauso, mas da tolerância dos leitores.  \nII  \nUm pouco dessa tolerância, bem podiam tê-la as comissões sanitárias, cujalocomoção me tem feito pensar nas três famosas passadas de Netuno. Vejamos um claro exemplo de intolerância e de outra coisa.  \nDescobriu uma de tais comissões que certa casa da rua tal, número tantos, vende água de Vidago e de Vichy, sem que as ditas águas venham efetivamente dos pontos designados nos anúncios e nos rótulos. As águas são fabricadas cá mesmo. A comissão entendeu obrigar a casa a dar um rótulo às garrafas, indicando o que as águas eram; e, não sendo obedecida, multou-a.  \nHá duas coisas no ato da comissão: ingenuidade e injustiça.  \nCom efeito, dizer a um cavalheiro que escreva nas suas águas de Vidago: estasnão são de Vidago, são do Beco dos Aflitos — é exigir mais do que pode dar anatureza humana. Supondo que a população do Rio de Janeiro morre por lebre, e que eu, não tendo lebre para lhe dar, lanço mão do gato, qual é o meu empenho? Um somente: dar-lhe gato por lebre. Ora, obrigar-me a pôr na vianda o próprionome da vianda; ou, quando menos, a escrever-lhe em cima esta pergunta: onde está o gato? é supor-me uma simplicidade que exclui a beleza original do meu plano; é fechar-me a porta. Restar-me-ia, em tal caso, o único recurso decomparar a soma das multas com a soma dos ganhos, e se esta fosse superior, adotar o alvitre de fazer pagar as multas pelo público. O que seria fina flor dahabilidade industrial.  \nMas pior do que a ingenuidade, é a injustiça da comissão, e maior do que ainjustiça é a sua inadvertência. A co missão multou a casa, porque supõe a existência de fontes minerais em Vidago e em Vichy, quando é sabido que uma eoutra das águas assim chamadas são puras combinações artificiais. Vão publicarse as receitas. Acresce que as águas de que se trata nem são vendidas ao público. Há, na verdade, muitas pessoas que as vão buscar; mas as garrafas voltamintactas, à noite, e tornam a sair no dia seguinte, para entrar outra vez; é um jogo, um puro recreio, uma inocente diversão, denominada o jogo das águas, mais complicado que o jogo da bisca, e menos arriscado que o jogo da fortuna. A vizinhança, ao ver entrar e sair muita gente, está persuadida de que há grande venda do produto,—o que diverte infinitamente os parceiros, todos eles sócios do Clube dos Misantropos Reunidos.  \nIII  \nQuanto a receitas, não serão aquelas as únicas impressas. O Cruzeiro anunciou que um dos nossos mais hábeis confeiteiros medita coligir todas as suas, em volume de mais de trezentas páginas, que dará à luz, oferecendo-o às senhoras brasileiras.  \nÉ fora de dúvida, que a literatura confeitológica sentia necessidade de mais um livro em que fossem compendiadas as novíssimas fórmulas inventadas peloengenho humano para o fim de adoçar as amarguras deste vale de lágrimas. Tem barreiras a filosofia; a ciência política acha um limite na testa do capanga. Não está no mesmo caso a arte do arroz-doce, e acresce-lhe a vantagem de dispensar demonstrações e definições. Não se demonstra uma cocada, come-se. Comê-la é defini-la.  \nNo meio dos graves problemas sociais cuja solução buscam os espíritos investigadores do nosso século, a publicação de um manual de confeitaria, só pode parecer vulgar a espíritos vulgares; na re","cbCaicXusQZJZ6m6","https://ap.wps.com/l/cbCaicXusQZJZ6m6","pdf",151929,1,29,"Portuguese","pt",112,"# I\n# II\n# III","[{\"question\":\"Qual é o tema central do primeiro trecho sobre a “herança” e a função do cronista?\",\"answer\":\"O texto discute heranças onerosas e perigosas e defende que a crônica exige uma aptidão especial e rara, associada ao estilo e à graça do cronista anterior. Também revela a necessidade de ser digno diante da tolerância dos leitores.\"},{\"question\":\"Por que o narrador critica a atuação das comissões sanitárias?\",\"answer\":\"A crítica recai sobre ingenuidade e injustiça: as multas decorrem da suposição de fontes minerais verdadeiras, quando as águas seriam combinações artificiais. 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