[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37501-pt":3,"doc-seo-37501-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37501,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS. Aquarelas","Texto literário de Joaquim Maria Machado de Assis que satiriza o “fanqueiro literário”, isto é, a produção artística orientada por comércio, vaidades e especulações. O ensaio descreve a dinâmica das vendas — folhetos, odes, discursos e assinaturas — e a transformação do talento em mecanismo movido por interesses econômicos e aparência social. Discute também a necessidade de uma “inquisição literária” para frear o excesso de ópio encadernado nas livrarias e questiona o valor do elogio quando depende do dinheiro.","Texto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.III, 1994.  \nPublicado originalmente em O Espelho, Rio de Janeiro, 11 e 18/09 e 9, 16 e 30/10/1859 .  \nI  \nOS FANQUEIROS LITERÁRIOS  \nNão é isto uma sátira em prosa. Esboço literário apanhado nas projeções sutis doscaracteres, dou aqui apenas uma reprodução do tipo a que c hamo em me ufalar seco de prosador novato — fanqueiro literário.  \nA fancaria literária é a pior de todas as fancarias. É a obra grossa, por vezes mofada, que se acomoda à ondulação das espáduas do pacientefreguês . Há de tudo nessa loja man ufatora do talento — apesar dararidade da tela fina; e as vaidades sociais mais exigentes podem vazar-se, segundo as suas aspirações, em uma ode ou discurso parvamente retumbantes.  \nA fancaria literária poderá perder pela e legância sus pe ita da ro upa feita, mas nunca pela ex igüidade dos gêneros . Tomando a tabuleta por base do silogismo co mercial é infalível chegar logo à proposição menor, que é a prateleira guapamente atacada a fazer cobiça às modéstias maisinsuspeitas.  \nÉ lindo comércio. Desde José Daniel, o apóstolo da classe — esse modo de vida tem alargado a sua esfera — e, por mal de pecados, não promete ficar aqui.  \nO fanqueiro literário é um tipo curioso.  \nFalei em José Daniel. Con hece is esse vulto histórico? Era uma excelente organ ização que se p restava perfeitamente a autópsia. Adelo ambulante da inteligência, ia farto como um ovo, de feira em feira, trocar pela enzinhavradamoeda o pratinho enfezado de suas lucubrações literárias. Não se cultivava impunemente aquela amizade; o folheto esperava sempre os incautos, como a Farsália hebdomadária das bolsas mal avisadas.  \nA audácia ia mais longe. Não contente de suas especulações pouco airosas, levava o atrevi mento a ponto de satirizar os próprios freg ueses — como em u ma o bra em que em barcava, diz ele, os tolos de Lisboa, para umacerta ilha; a ilha era, ne m mais ne m menos, a algibeira do poeta. É positivaa aplicação.  \nOs fanqueiros modernos não vão à feira; é um pudor. Mas que de com pensações! Não se pre para hoje o folheto de aplicação moral contra os costumes. A vereda é out ra; ex plo ram-se as folhi nhas e os pregões matrimoniais e as odes deste natalício ou daqueles desposórios. Nos desposórios é então um perigo; os noivos tropeçam no intempestivo de uma rocha tarpéia  \nantes mes mo de entrar no Capitólio.  \nDesposório, natalício ou batizado, todos esses marcos da vida são pretextos deinspiração às musas fanqueiras. É um eterno gênesis a referver por todas aquelas almas (almas!) recendentes de zuarte.  \nEntretanto, esta calamidade literár ia não é tão du ra pa ra u ma parte da sociedade. Há quem se julgue motivo de cuidados no Pindo — assim como pretensões a semideus da antiguidade; é um soneto ou uma alocução recheadinhade divagações  \nacerca do gênesis de uma raça — sempre eriça os colarinhos a certas vaidadesque por aí pululam — sem tom nem som.  \nMas entretanto — fatalidade!— por muito consistentes que sejam essas ilusões, caem sempre diante das conseqüências pecuniárias; o fanqueiro literário justifica plenamente o verso do poeta: não arma do louvor, arma do dinheiro. Oentusiasmo da ode mede-o ele pelas possibilidades econômicas do elogiado. Os banqueiros são então os arquétipos da virtude sobre a terra; tese difícil de provar.  \nQuerendo imitar os espíritos sérios, lembra-se ele de colecionar os seus disparates, e ei-lo que vai de carrinho e almanaques na mão — em busca denotabilidades sociais. Ninguém se nega a um homem que lhe so be as escadas conveniente mente vestido, e disc urso na ponta dos lábios. Chovem-lhe assim as assinaturas. O livrinho é prontificado e sai a l ume . A teoria do em barca mento dos to los é então posta em execução; os nomes das vítimas subscritoras vêm sempre em ar de escárnio no pelourinho de uma lista-epílogo. É, sobre queda, coice.  \nMas tudo isso é causado pela falta sensível de uma inquisição literária! Que es petáculo não","cbCaijXVoEw2MPSz","https://ap.wps.com/l/cbCaijXVoEw2MPSz","pdf",71460,1,12,"Portuguese","pt",112,"# OS FANQUEIROS LITERÁRIOS\n## Crítica ao “comércio” do talento\n## Tipos de publicações e estratégias de venda\n## Aparências sociais e consequências pecuniárias\n## Necessidade de inquisição literária","[{\"question\":\"O que significa “fanqueiro literário” no texto?\",\"answer\":\"“Fanqueiro literário” é o produtor que trata a literatura como mercadoria, ajustando obras, gêneros e discursos ao comércio e às exigências do público. O talento deixa de ser inspiração moral e passa a seguir interesses econômicos e vaidades.\"},{\"question\":\"Como o texto explica a relação entre elogio e dinheiro?\",\"answer\":\"O entusiasmo e a apreciação da obra são medidos pelas possibilidades econômicas do elogiado. 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