[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37550-pt":3,"doc-seo-37550-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37550,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS. O Velho Senado","O Velho Senado descreve memórias e impressões de Machado de Assis sobre o Senado brasileiro do ano de 1860, a partir de uma visão que compara “visões” à imagem da retina. O texto registra o ingresso do autor na imprensa e a convivência com figuras políticas e literárias em encontros sobre letras e política, incluindo detalhes de rotinas, locais e conversas. Reconstitui o caráter de senadores como Bocaiúva, Sinimbu e Paranaguá, e como a passagem do tempo altera a percepção entre homens e instituição, destacando debates, temperamentos e o ritmo das sessões.","Texto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.II, 1994.  \nPublicado originalmente em Revista Brasileira, Rio de Janeiro, 1898.  \nA propósito de algumas litografias de Sisson, tive há dias uma visão do Senado de 1860. Visões valem o mesmo que a retina em que se operam. Um político, tornando a ver aquele corpo, acharia nele a mesma alma dos seus correligionáriosextintos, e um historiador colheria elementos para a história. Um simples curiosonão descobre mais que o pinturesco do tempo e a expressão das linhas comaquele tom geral que dão as coisas mortas e enterradas.  \nNesse ano entrara eu para a imprensa. Uma noite, como saíssemos do Teatro Ginásio, Quintino Bocaiúva e eu fomos tomar chá . Bocaiúva era então uma gentil figura de rapaz, delgado, tez macia, fino bigode e olhos serenos. Já então tinha os gestos lentos de hoje, e um pouco daquele ar distant que Taine achou em Mérimée. Disseram coisa análoga de Challemel-Lacour, que alguém ultimamentedefinia como très républicain de conviction et très aristocrate de tempérament. Onosso Bocaiúva era só a segunda parte, mas já então liberal bastante para dar um republicano convicto. Ao chá, conversamos primeiramente de letras, e poucodepois de política, matéria introduzida por ele, o que me espantou bastante, não era usual nas nossas práticas. Nem é exato dizer que conversamos de política, euantes respondia às perguntas que Bocaiúva me ia fazendo, como se quisesseconhecer as minhas opiniões. Provavelmente não as teria fixas nem determinadas; mas, quaisquer que fossem, creio que as exprimi na proporção e com a precisãoapenas adequadas ao que ele me ia oferecer. De fato, separamo-nos com prazo dado para o dia seguinte, na loja de Paula Brito, que era na antiga Praça da Constituição, lado do Teatro S. Pedro, a meio caminho das Ruas do Cano e dos Ciganos. Relevai esta nomenclatura morta; é vício de memória velha. Na manhã seguinte, achei ali Bocaiúva escrevendo um bilhete. Tratava-se do Diário do Rio de Janeiro, que ia reaparecer, sob a direção política de Saldanha Marinho. Vinha darme um lugar na redação com ele e Henrique César Múzio.  \nEstas minudências, agradáveis de escrever, sê-lo-ão menos de ler. É difícil fugir aelas, quando se recordam coisas idas. Assim, dizendo que no mesmo ano, abertasas câmaras, fui para o Senado, como redator do Diário do Rio, não posso esquecer que nesse ou no outro ali estiveram comigo, Bernardo Guimarães, representantedo Jornal do Comércio, e Pedro Luís, por parte do Correio Mercantil, nem as boas horas que vivemos os três. Posto que Bernardo Guimarães fosse mais velho quenós, partíamos irmãmente o pão da intimidade. Descíamos juntos aquela Praça da Aclamação, que não era então o parque de hoje, mas um vasto espaço inculto evazio como o Campo de S. Cristóvão. Algumas vezes íamos jantar a um restaurant da Rua dos Latoeiros, hoje Gonçalves Dias, nome este que se lhe deu por indicação justamente no Diário do Rio; o poeta morara ali outrora, e foi Múzio, seu amigo, que pela nossa folha o pediu à Câmara Municipal. Pedro Luís não tinha só a paixão que pôs nos belos versos à Polônia e no discurso com que, pouco depois,  \nentrou na Câmara dos Deputados, mas ainda a graça, o sarcasmo, a observaçãofina e aquele largo riso em que os grandes olhos se faziam maiores. Bernardo Guimarães não falava nem ria tanto, incumbia-se de pontuar o diálogo com um bom dito, um reparo, uma anedota. O Senado não se prestava menos que o restodo mundo à conversação dos três amigos.  \nPoucos membros restarão da velha casa. Paranaguá e Sinimbu carregam o peso dos anos com muita facilidade e graça, o que ainda mais admira em Sinimbu, quesuponho mais idoso. Ouvi falar a este bastantes vezes; não apaixonava o debate, mas era simples, claro, interessante, e, fisicamente, não perdia a linha. Esta geração conhece a firmeza daquele homem político, que mais tarde foi presidentedo Conselho e teve de lutar com oposições grandes. Um incidente dos últimosanos mostrar","cbCailQh8r00yDTw","https://ap.wps.com/l/cbCailQh8r00yDTw","pdf",43626,1,7,"Portuguese","pt",112,"# Visão do Senado de 1860\n# A entrada na imprensa e o convívio com Bocaiúva\n# Amigos no jornal: Bernardo Guimarães e Pedro Luís\n# Sinimbu e a natureza do homem político\n# O Senado e a passagem do passado para o presente\n# Funcionamento das sessões e o cotidiano parlamentar","[{\"question\":\"Como o texto relaciona a visão do Senado à percepção do observador?\",\"answer\":\"A visão é apresentada como equivalente à imagem formada na retina onde ocorre o “ato” de ver. 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