[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37549-pt":3,"doc-seo-37549-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37549,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS. O Jornal e o Livro","Texto de Joaquim Maria Machado de Assis sobre a perfectibilidade e o progresso moral da humanidade, estruturado como reflexão dirigida ao leitor (AO SR. MANUEL ANTONIO DE ALMEIDA). O ensaio defende que a época das “regenerações” encontra no jornal um sintoma decisivo, capaz de propagar e perpetuar ideias com maior amplitude e força democrática do que formas anteriores. Discute a evolução dos meios de comunicação: do “livro de pedra” e das artes monumentais até a imprensa e o livro como fórmulas complementares de uma revolução intelectual.","Texto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.III, 1994.  \nPublicado originalmente no Correio Mercantil, Rio de Janeiro, 10 e 12/01/1859 .  \nAO SR . MANUEL ANTONIO DE ALMEIDA  \nO espírito humano, como o heliotrópio, olha sempre de face um sol que o at rai, e pa ra o qual ele caminha sem cessar: — é a perfectibilidade .  \nA evidência deste princípio, ou antes deste fato, foi claramente demonstrada num livro de ouro~~ ~~[2], que tornou-se o Evangelho de uma religião. Serei eu, derradeirodos levitas da nova arca, que me abalance a falar sobre tão debatido e profundo assunto?  \nSeria loucura tentá-lo. De resto, eu manifestei a minha profissão de fé nuns versos singelos, mas não frios de entusiasmo, nascidos de uma discussão . Masentão tratava-se do progresso na sua expressão genérica . Desta vez limito-me atraçar algumas idéias sobre uma especialidade, um sintoma do adiantamento moral da humanidade.  \nSou dos menos inteligentes adeptos da nova crença, mas tenho consciência que dos de mais profunda convicção. So u filho deste século, em cujasveias ferve o licor da esperança. Minhas tendências, minhas aspirações, são asaspirações e as tendências da mocidade; e a mocidade é o fogo, aconfiança, o fut uro, o progresso . A nós, guebros modernos do fogo intelectual, na expressão de Lamartine, não importa este ou aquele brado de descrença e desânimo: as sedições só se realizam contra os princípios, nunca contra as variedades.  \nNão há contradizê-lo. Por qualquer face que se olhe o espírito humanodescobre-se a reflexão viva de um sol ignoto . Tem-se recon hecido que há home ns para que m a evidência das teo rias é uma quimera; felizmente temos a evidência dos fatos, diante da qual os São Tomés do século têm decurvar a cabeça.  \nÉ a época das regenerações . A Revolução Francesa, o est rondo maior dos tempos europeus, na bela expressão do poeta de Jocelyn, foi o passo da humanidade para entrar neste século. O pórtico era gigantesco, e era necessário um passo de gigante para entrá-lo . Ora, esta explosão do pensamento humano conce ntrado na rainha da Euro pa não é u m s into ma de progresso? O que era a Revolução Francesa senão a idéia que se fazia república, o espírito humano que tomava a toga democrática pelas mãos dopovo mais democrático do mundo? Se o pensamento se fazia liberal é que tomava a sua verdadeira face. A humanidade, antes de tudo, é republicana.  \nTudo se regenera: tudo toma uma nova face. O jornal é um sintoma, um exemplo desta regeneração . A humanidade, como o vulcão, re benta u ma nova cratera qua ndo mais fogo lhe ferve no centro. A literatura tinha acaso nos moldes con hecidos em que preenchesse o fim do pensamento humano? Não; nenhum era vasto como o jornal, nenhum liberal, nenhum democrático, como ele. Foi a nova cratera do vulcão .  \nT rate mos do jo rna l, esta alavanca que Arqui medes pedia para abalar omundo, e que o espírito humano, este Arquimedes de todos os séculos, encontrou .  \nO jornal matará o livro? O livro absorverá o jornal?  \nA humanidade desde os prime i ros tempos tem cam in hado em busca deum meio de propagar e perpetuar a idéia. Uma pedra convenientemente levantada era o símbolo representativo de um pensamento. A geração que nascia vinha ali contemplar a idéia da geração aniquilada.  \nEste meio, mais ou menos aperfeiçoado, não preenchia as exigências dopensamento humano. Era uma fórmula estreita, muda, limitada . Não havia outro . Mas as tendências progress ivas da humanidade não se acomodavam com os exemplares primitivos dos seus liv ros de pedra . De perfeição em perfeição nasce u a arte. A arquitetura vinha transformar em preceito, em ordem, o que eram então partos grotescos da fantasia dos povos. O Egito na aurora da arquitetura deu-lhe a solidez e a simplicidade nas formas severas da coluna e da pirâmide. Parece que este povo ilustre queria fazer eterna a idéia no monumento, como o homem na múmia .  \nO meio, pois, de propagar e perpetuar a idéia era uma arte. 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