[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37539-pt":3,"doc-seo-37539-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37539,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Joaquim Maria Machado de Assis — Joaquim Serra","Texto literário em que o narrador, ao enterrar o querido Serra, relembra a juventude e relê cartas íntimas que revelam a vitalidade do espírito do amigo. A reflexão contrasta os méritos de Joaquim Serra com seus destinos políticos, explicando o fenômeno pela luta pública e por qualidades como sacrifício, modéstia e domínio do esquecimento. O autor sustenta que Serra era, sobretudo, um artista: buscava justiça e liberdade por uma necessidade estética social, defendendo a correção da ordem pública com simplicidade e sagacidade.","Texto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.III, 1994.  \nPublicado originalmente em Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 05/11/1888 .  \nQuando há dias fui enterrar o meu quer ido Serra, vi que naquele féretro iatambém uma parte da minha juventude. Logo de manhã relembrei-a toda. Enquanto a vida chamava ao combate diurno todas as suas legiões infinitas, tão alegre e indiferente, como se não acabasse de perder na véspera um dos mais robustos legionários, recolhi-me às memórias de outro tempo, fui reler algumas cartas do meu amado amigo.  \nCartas íntimas e familiares, mais letras que política . As primeiras, embora velhas, eram ainda moças, daquela mocidade que ele sabia comunicar às coisas que tratava. Relê-las era conversar com o morto, cuja alma ali estava derramada no papel, tão viçosa como no primeiro dia. A cintilação do espírito era a mesma; afrase brotava e corria pela folha abaixo, como a água de um córrego, rumorosa efresca .  \nOs dedos que tinham lavrado aquelas folhas de outro tempo, quando os vi depois cruzados sobre o cadáver, lívidos e hirtos, não pude deixar de os contemplar longamente, recordando as páginas públicas que trabalharam, e que ele soltou ao vento, ora com o desperdício de um engenho fértil, ora com a tenacidade de apóstolo. Versos sobre versos, prosa e mais prosa, artigos de toda casta, políticos, literários, o epigrama fino, o epíteto certo ou jovial, e, durante os últimos anos, a luta pela abolição, tudo caiu daqueles dedos infatigáveis, prestadios, tão cheios de força como de desinteresse .  \nA morte trouxe ao espírito de todos o contraste singular entre os méritos de Joaquim Serra e os seus destinos políticos. Se a vida política é, como a demais vida universal, uma luta em que a vitória há de caber ao mais aparelhado, aí deve estar a explicação do fenômeno. Podemos concluir então, que não bastam otalento e a dedicação, se não é que o próprio talento pode faltar, às vezes, sem dano algum para a carreira do homem. A posse de outras qualidades pode sertambém negativa para os efeitos do combate. Serra possuía a virtude dosacrifício pessoal, e muito cedo a aprendeu e cumpriu, segundo o que ele própriomandou me dizer um dia da Paraíba do Norte, em 10 de março de 1867:  \nJá te escrevi algumas linhas acerca da minha adiada viagem emmaio. Foi mister. . . Não sei mesmo como se exigem sacrifícios da ordem daqueles que ultimamente se me têm exigido. Se eu contasse tudo, talvez não o acreditarias. Enfim, não te verei emmaio, mas hei de ir ao Rio este ano .  \nNão me referiu, nem então, nem depois, outras particularidades, porque tambémpossuía o dom de esquecer,— negativo e impróprio da vida política.  \nEra modesto até à reclusão absoluta. Suas idéias saíam todas endossadas porpseudônimos. Eram como moedas de ouro, sem efígie, com o próprio e único valor do metal. Daí o fenômeno observado ainda este ano . Quando chegou o dia da vitória abolicionista, todos os seus valentes companheiros de batalha citaramgloriosamente o nome de Joaquim Serra entre os discípulos da primeira hora, entre os mais estrênuos, fortes e devotados; mas a multidão não o repetiu não o conhecia. Ela, que nunca desaprendeu de aclamar e agradecer os benefícios, nãosabia nada do homem que, no momento em que a nação inteira celebrava o grande ato, recolhia-se satisfeito ao seio da família . Tendo ajudado a soletrar a liberdade, Joaquim Serra ia continuar a ler o amor aos que lhe ensinavam todosos dias a consolação.  \nMas eu vou além . Creio que Joaquim Serra era principalmente um artista. Amava a justiça e a liberdade, pela razão de amar também o arquitrave e a coluna, por uma necessidade de estética social. Onde outros podiam ver artigos deprograma, intuitos partidários, revolução econômica, Joaquim Serra via umaretificação e um complemento; e, porque era bom e punha em tudo a sua almainteira, pugnou pela correção da ordem pública, cheio daquela tenacidade silenciosa, se assim se pode dizer, de um escritor de ","cbCaif6K5nEI0IWh","https://ap.wps.com/l/cbCaif6K5nEI0IWh","pdf",26653,1,2,"Portuguese","pt",112,"# Joaquim Serra: luto e memória\n## Cartas íntimas e estilo\n## Méritos vs. destinos políticos\n## Sacrifício, modéstia e esquecimento\n## Serra como artista e defensor da ordem pública","[{\"question\":\"Em que sentido o texto afirma que Joaquim Serra era principalmente um artista?\",\"answer\":\"O texto sustenta que Serra amava justiça e liberdade por amar também a estrutura social, como arquitrave e coluna. 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