[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37521-pt":3,"doc-seo-37521-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37521,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS Eduardo Prado","Crítica literária centrada na figura de Eduardo Prado e no encontro do narrador com ele, enfatizando o encanto do homem e do escritor. O texto destaca a harmonia entre vida moral, intelectual e social, além de qualidades como invenção de estilo, observação aguda, erudição discreta e vasta, e um humor original. Remete a cartas de viagem e à capacidade de ver claro e largo, culminando em uma meditação sobre o tempo, a morte e a continuidade simbólica entre grandes autores.","Texto-Fonte:  \nCrítica Literária de Machado de Assis, Rio de Janeiro: W. M. Jackson, 1938.  \nPublicado em O Comércio de São Paulo, 1901.  \nA última vez que vi Eduardo Prado foi na véspera de deixar o Rio de Janeiro pararecolher a S. Paulo, dizem que com o gé rmen do mal e da morte em si. Naquelaocasião era todo vida e saúde. Quem então me dissesse que ele ia também deixar o mundo, não me causaria espanto, porque a injustiça da naturezaacostuma a gente aos seus golpes; mas, é certo que eu buscaria maneira de obter outras horas como aque la, em que me detivesse ao pé dele, para ouvi-lo eadmirá-lo.  \nSó falamos de arte . Ouvi-lhe notícias e impressões, senti-lhe o gosto apurado e acrítica superior, tudo envolvido naquele tom ameno e simples, que era um relevomais aos seus dotes. Não tínhamos intimidade; faltou-nos tempo e a prática necessária. Antes daquela vez última, apenas falamos três ou quatro, o bastante para considerá-lo bem e cotejar o homem com o escritor. Eduardo Prado era dos que se deixam penetrar sem esforço e com prazer. O que agora li a seu respeito na primeira mocidade, na escola e nos últimos anos, referido por amigos que parecem não o esquecer mais, confirma a minha impressão pessoal. Aliás, os seus escritos mostravam bem o homem. Apanhava-se o sentimento da harmonia que ajustava nele a vida moral, intelectual e social.  \nPrincipalmente artista e pensador, possuía o divino horror à vulgaridade, ao lugar comum e à declamação. Se entrasse na vida política, que apenas atravessou coma pena, em dias de luta, levaria para ela qualidades de primeira ordem, nãocontando o humour, tão diverso da chalaça e tão original nele. Mas a erudição e a história, não menos que a arte, eram agora o seu maior encanto. Sabia bem todas as coisas que sabia.  \nNaturalmente remontei comigo, durante aquela boa hora, e ainda depois dela, ao tempo das cartas de viagem que nos deu tão rica amostra dum grande talento que viria a crescer e subir. A matéria em si convidava ao egotismo, mas ele nãopadecia desse mal. Também faria correr o risco da repetição de coisas vistas epintadas, que se não acham aqui. A faculdade de ver claro e largo, a arte de dizer originalmente a sensação pessoal, ele as possuía como os principais que hajamandado as terras ou rasgado os mares deste mundo. Invenção de estilo, observação aguda, erudição discreta e vasta, graça, poesia e imaginaçãoproduziram essas páginas vivas e saborosas. Aquela partida de Nápoles, sob umcéu chuvoso e de chumbo, não se esquece . Relê-se com encanto essa explicaçãodo tempo áspero, durante o qual o céu napolitano se recompõe, para começar novamente a ópera “com os coros de pescadores e as barcarolas, a música de luz e de azul”. Assim a África, assim todas as partes onde quer que este brasileiro  \nlevou a ânsia de ver homens e coisas, cidades e costumes, a natureza vária entre ruínas perpétuas, através de regiões remotas. . .  \nConta-se que ele chorou, quando morreu Eça de Queiroz. Agora, que ambos sãomortos, alguém que imaginasse e escrevesse o encontro das duas sombras, à maneira de Luciano, daria uma curiosa página de psicologia . As confabulações detais espíritos são dignas de memória. Sterne escreveu que “um dia, conversando com Voltaire. . .” e imagina-se o que diriam eles. Imagina-se o que diriam, todasas noites, Stendhal e Byron, passeando no solitário foyer do teatro Scala. Quando Montaigne ouvia as histórias que Amyot lhe ia contar, podemos ver a delícia de ambos e admitir que as visitas continuam no outro mundo. Assim se podia dizerdo Eça e do Eduardo, por um texto que exprimisse o talento, o amor das coisas finas e belas, e, enfim, a grande simpatia que um inspirava ao outro .  \nQuando me despedi de Eduardo Prado, naquele dia, vim perguntando a mim mesmo se teria vida bastante para ler e admirar as obras-primas que esse talentoso brasileiro levava no cérebro em gestação, ou em gérmen, e durantemuitos anos viriam abastecer a nossa língua e a nossa terra. Seis dias depois, era ele qu","cbCaib7rFRoKOvQS","https://ap.wps.com/l/cbCaib7rFRoKOvQS","pdf",26418,1,2,"Portuguese","pt",112,"# Crítica e retrato de Eduardo Prado\n## Arte, pensamento e qualidades literárias\n## Viagens, erudição e estilo\n## Encontros, memória e reflexão sobre a morte","[{\"question\":\"Como o narrador descreve Eduardo Prado como homem e como escritor?\",\"answer\":\"Ele ressalta que os escritos mostravam o homem e destaca a harmonia da vida moral, intelectual e social. Também menciona que Eduardo Prado se deixava penetrar sem esforço, com prazer, e que sabia “todas as coisas que sabia”.\"},{\"question\":\"Quais qualidades literárias são atribuídas ao talento de Eduardo Prado?\",\"answer\":\"O texto aponta invenção de estilo, observação aguda, erudição discreta e vasta, graça, poesia e imaginação. 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