[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37524-pt":3,"doc-seo-37524-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37524,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS Eça de Queirós Primo Basílio - Análise Literária","Texto crítico de Machado de Assis sobre os romances de Eça de Queirós, com foco em O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio. O autor avalia a filiação ao realismo, a relação com o modelo zolista (La Faute de l'Abbé Mouret) e os efeitos da “reprodução fotográfica” de detalhes. Discute o impacto da recepção pública, o mérito e limitações da concepção, a construção da ação e o uso de cinismo e artifício, além de introduzir personagens e elementos do enredo de O Primo Basílio.","Texto-Fonte:  \nObra Completa de Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994.  \nPublicado em O Cruzeiro, 16 e 30/04/1878 .  \nUm dos bons e vivazes talentos da atual geração portuguesa, o Sr. Eça de Queirós, acaba de publicar o seu segundo romance, o Primo Basílio. O primeiro, O Crime do Padre Amaro, não foi decerto a sua estréia literária. De ambos os lados do Atlântico, apreciávamos há muito o estilo vigoroso e brilhante do colaboradordo Sr. Ramalho Ortigão, naquelas agudas Farpas, em que aliás os dois notáveis escritores formaram um só . Foi a estréia no romance, e tão ruidosa estréia, que acrítica e o público, de mãos dadas, puseram desde logo o nome do autor na primeira galeria dos contemporâneos. Estava obrigado a prosseguir na carreira encetada; digamos melhor, a colher a palma do triunfo. Que é, e completo eincontestável.  \nMas esse triunfo é somente devido ao trabalho real do autor? O Crime do Padre Amaro revelou desde logo as tendências literárias do Sr. Eça de Queirós e a escola a que abertamente se filiava. O Sr. Eça de Queirós é um fiel e aspérrimo discípulodo realismo propagado pelo autor do Assommoir. Se fora simples copista, o deverda crítica era deixá-lo, sem defesa, nas mãos do entusiasmo cego, que acabaria por matá-lo; mas é homem de talento, transpôs ainda há pouco as portas da oficina literária; e eu, que lhe não nego a minha admiração, tomo a peito dizer-lhe francamente o que penso, já da obra em si, já das doutrinas e práticas, cujoiniciador é, na pátria de Alexandre Herculano e no idioma de Gonçalves Dias.  \nQue o Sr . Eça de Queirós é discípulo do autor do Assommoir, ninguém há que onão conheça. O próprio O Crime do Padre Amaro é imitação do romance de Zola, La Faute de l'Abbé Mouret. Situação análoga, iguais tendências; diferença domeio; diferença do desenlace; idêntico estilo; algumas reminiscências, como no capítulo da missa, e outras; enfim, o mesmo título. Quem os leu a ambos, nãocontestou decerto a originalidade do Sr. Eça de Queirós, porque ele tinha, e tem, ea manifesta de modo afirmativo; creio até que essa mesma originalidade deumotivo ao maior defeito na concepção d' O Crime do Padre Amaro. O Sr. Eça de Queirós alterou naturalmente as circunstâncias que rodeavam o Padre Mouret, administrador espiritual de uma paróquia rústica, flanqueado de um padre austeroe ríspido; o Padre Amaro vive numa cidade de província, no meio de mulheres, aolado de outros que do sacerdócio só têm a batina e as propinas; vê-osconcupiscentes e maritalmente estabelecidos, sem perderem um só átomo deinfluência e consideração.  \nSendo assim, não se compreende o terror do Padre Amaro, no dia em que do seu erro lhe nasce um filho, e muito menos se compreende que o mate. Das duas forças que lutam na alma do Padre Amaro, uma é real e efetiva — o sentimento da paternidade; a outra é quimérica e impossível — o terror da opinião, que ele tem visto tolerante e cúmplice no desvio dos seus confrades; e não obstante, é esta a força que triunfa. Haverá aí alguma verdade moral?  \nOra bem, compreende-se a ruidosa aceitação d' O Crime do Padre Amaro. Era realismo implacável, conseqüente, lógico, levado à puerilidade e à obscuridade. Víamos aparecer na nossa língua um realista sem rebuço, sem atenuações, sem melindres, resoluto a vibrar o camartelo no mármore da outra escola, que aosolhos do Sr. Eça de Queirós parecia uma simples ruína, uma tradição acabada. Não se conhecia no nosso idioma aquela reprodução fotográfica e servil das coisasmínimas e ignóbeis Pela primeira vez, aparecia um livro em que o escuso e o —digamos o próprio termo, pois tratamos de repelir a doutrina, não o talento, e menos o homem,— em que o escuso e o torpe eram tratados com um carinho minucioso e relacionados com uma exação de inventário. A gente de gosto leu com prazer alguns quadros, excelentemente acabados, em que o Sr. Eça de Queirós esquecia por minutos as preocupações da escola; e, ainda nos quadros que lhe destoavam, achou mais de um ra","cbCait56ThAEVAUE","https://ap.wps.com/l/cbCait56ThAEVAUE","pdf",64316,1,9,"Portuguese","pt",112,"# Avaliação do realismo de Eça de Queirós\n## Vínculos com o realismo e com modelos naturalistas\n## Recepção do público e aceitação do romance\n## O Crime do Padre Amaro: méritos e defeitos\n## Reincidência em O Primo Basílio e mudanças no estilo\n## Análise de personagens e do argumento de O Primo Basílio","[{\"question\":\"Quais obras de Eça de Queirós são analisadas neste texto?\",\"answer\":\"O texto discute principalmente O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio, avaliando a evolução do autor e os efeitos da forma narrativa adotada.\"},{\"question\":\"Como Machado de Assis caracteriza a relação de Eça com o realismo?\",\"answer\":\"Machado afirma que Eça é discípulo do realismo, valorizando a consequência literária do método, mas apontando limites como a puerilidade e a obscuridade do excesso de fidelidade aos detalhes.\"},{\"question\":\"O que Machado considera um ponto fraco em O Crime do Padre Amaro e como isso repercute em O Primo Basílio?\",\"answer\":\"Ele indica que a mesma originalidade que sustenta o romance é motivo do maior defeito na concepção. 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