[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37517-pt":3,"doc-seo-37517-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37517,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS Crônicas","Crônicas de Joaquim Maria Machado de Assis, publicado no periódico O Futuro (1862–1863), apresentam uma escrita que mistura reflexão metalinguística e observação do cotidiano político e cultural. O texto inicia com a “viagem” da pena de cronista, seguida de conselhos sobre como escrever sem se envolver em polêmicas e mantendo equilíbrio estético. Em seguida, registra acontecimentos legislativos e avalia obras literárias recentes, destacando o poema D. Jaime, de Thomaz Ribeiro, e o romance As minas de prata, atribuídos a Quintino Bocaiúva e ao autor d’O Guarani.","Crônicas  \nTexto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Edições W. M. Jackson, 1938.  \nPublicado originalmente em O Futuro, Rio de Janeiro, de 15/09/1862 a 01/07/1863 .  \n15 DE SETEMBRO DE 1862.  \nTirei hoje do fundo da gaveta, onde jazia a minha pena de cronista. A coitadinha estava com um ar triste, e pareceu-me vê-la articular por entre os bicos, umatímida exprobração. Em roda do pescoço enrolavam-se uns fios tenuíssimos, obradessas Penélopes que andam pelos tetos das casas e desvãos inferiores dos móveis. Limpei-a, acariciei-a, e, como o Abencerragem ao seu cavalo, disse-lhe algumas palavras de animação para a viagem que tínhamos de fazer. Ela, como pena obediente, voltou-se na direção do aparelho de escrita, ou, como diria o tolode Bergerac, do receptáculo dos instrumentos da imoralidade. Compreendi o gestomudo da coitadinha, e passei a cortar as tiras de papel, fazendo ao mesmo tempo as seguintes reflexões, que ela parecia escutar com religiosa atenção:  \n— Vamos lá; que tens aprendido desde que te encafuei entre os meus esboços de prosa e de verso? Necessito mais que nunca de ti; vê se me dispensas as tuas melhores idéias e as tuas mais bonitas palavras; vais escrever nas páginas do Futuro. Olha para que te guardei! Antes de começarmos o nosso trabalho, ouve amiga minha, alguns conselhos de quem te preza e não te quer ver enxovalhada .  \n. . Não te envolvas em polêmicas de nenhu m gênero, nem políticas, nem literárias, nem quaisquer outras; de outro modo verás que passas de honrada a desonesta, de modesta a pretensiosa, e em um abrir e fechar de olhos perdes o que tinhas e  \no que eu te fiz ganhar. O pugilato das idéias é muito pior que o das ruas; tu ésfranzina, retrai-te e fecha-te no círculo dos teus deveres, quando couber a tua vez de escrever crônicas. Seja entusiasta para o gênio, cordial para o talento, desdenhosa para a nulidade, justiceira sempre, tudo isso com aquelas meias-tintastão necessárias aos melhores efeitos da pintura. Comenta os fatos com reserva, louva ou censura, como te ditar a consciência, sem cair na exageração dos extremos. E assim viverás honrada e feliz.  \nE havendo dito estas coisas à minha pena, tinha eu acabado de preparar o papel, e eis que ela começou, entre os meus já desacostumados e emperrados dedos, amencionar que no dia 4 deste mês se efetuou o encerramento da assembléia legislativa, cerimônia sobre a qual nada há que dizer, porque foi conforme os estilos que por sua natureza nada oferecem de notável. Os membros do parlamento foram procurar no remanso da paz o repouso das lutas da tribuna e dos trabalhos com que auxiliaram a administração na sessão finda. Entre os serviços prestados este ano pela representação nacional, convém não esquecer ode haver habilitado o governo a fazer o serviço financeiro de 63 a 64 por meio deum orçamento definido e discutido.  \nPasso às letras e às artes.  \nO maior acontecimento literário da quinzena foi o poema de Thomaz Ribeiro, D. Jaime, cujos primeiros exemplares chegaram pelo paquete. A fama chegou com olivro, e assim, todos quantos estimam a literatura, militantes ou amadores, correram à obra mal os livreiros a puseram nos mostradores. Dizia-se que D. Jaime era uma obra de largas proporções, e que Thomaz Ribeiro, como rarosestreantes, deitara a barra muito além de todos os estreantes; dizia-se isto, emuitas coisas mais. O poema foi lido, e uma só vírgula não se alterou aos louvores da fama. O poema D. Jaime é realmente uma obra de elevado merecimento, e Thomaz Ribeiro um poeta de largo alento; a sua musa é simultaneamente simples, terna, graciosa, épica, elegíaca; ensinou-lhe ela a ser poeta de poesia, expressão esta que não deve causar estranheza a quem reparar que há poetas de palavras, mas Thomaz Ribeiro não é poeta de palavras, certo que não!  \nNão me demorarei em referir os episódios mais celebrados do poema, nem emanalisar as páginas mais lidas, que o são todas, e no mesmo grau, mas muito de passagem perguntarei com o Sr. C","cbCaiphu22KHnBSx","https://ap.wps.com/l/cbCaiphu22KHnBSx","pdf",176542,1,34,"Portuguese","pt",112,"# A pena de cronista e conselhos para escrever crônicas\n# Encerramento da assembléia legislativa e política\n# Letras e artes: D. 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