[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37507-pt":3,"doc-seo-37507-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37507,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS. Cartas Fluminenses","Cartas Fluminenses reúne uma série epistolar de Machado de Assis publicada originalmente no Diário do Rio de Janeiro em 1867. Na carta datada de 5 de março de 1867, o narrador responde a dúvidas sobre a existência de seu destinatário e sustenta essa convicção pela força da maioria e pelos ecos na imprensa. Em seguida, apresenta traços pessoais, preferências de leitura e opiniões políticas, valorizando o sistema representativo e defendendo o imperador, ao mesmo tempo em que recusa um programa fixo para a atuação na imprensa.","Texto-fonte:  \nObra Completa de Machado de Assis, Edições W.M. Jackson, 1937.  \nPublicado originalmente em Diário do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1867.  \nI  \nÀ OPINIÃO PÚBLICA  \n5 DE MARÇO DE 1867.  \nDizem alguns que V. Excia. não existe; outros afirmam o contrário. Mas estes sãoem maior número, e a força do número, que é a suprema razão moderna, resolve as dúvidas que eu porventura possa ter. Creio que V. Excia. existe, em que peseaos mofinos caluniadores de V. Excia. Se não existisse, como se falaria tanto em seu nome, na tribuna, na imprensa, nos meetings, na praça do comércio, na ruado Ouvidor? Das criações fabulosas não se fala com tanta insistência egeneralidade, salvo se houvesse uma conspiração para asseverar aquilo que não é, e isto repugna-me acreditar.  \nTambém por muito tempo se duvidou da existência de Mr. Hume, aquele célebremágico que transformava os ovos em carvão, mas, se bem me lembro, apareceu um dia o dito mágico, e daí em diante ninguém mais duvidou dele. O mesmo há de acontecer com o judeu errante, de quem falam todos, e que eu creio que existe, sem ser a cholera-morbos, e que há de aparecer mais dia menos dia, tenhoessa esperança.  \nÉ a maioria da gente que tem razão, e quando falo em maioria suponho ter produzido um desses argumentos invulneráveis, até mesmo no calcanhar, apesar de quanto possa ter dito o visconde de Albuquerque.  \nAssentado isto, receba V. Excia. esta carta que é a primeira da série com que eu pretendo estrear na imprensa .  \nÉ costume entre a gente trocar os bilhetes de visita a primeira vez que se encontra. Na Europa, ao menos, é tão necessário trazer um maço de bilhetes, como trazer um lenço. V. Excia . terá desejo de saber quem sou. Di-lo-ei em poucaspalavras.  \nSe a velhice quer dizer cabelos brancos, se a mocidade quer dizer ilusões fracas, não sou moço nem velho. Realizo literalmente a expressão francesa: Un homme entre deux âges. Estou tão longe da infância como da decrepitude; não anseiopelo futuro, mas também não choro pelo passado. Nisto sou exceção dos outroshomens que, de ordinário, diz um romancista, passam a primeira metade da vida a desejar a segunda, e a segunda a ter saudades da primeira.  \nNão sou alto nem baixo; estou entre Thiers e Dumas, entre o finado marquês de Abrantes e o visconde de Camaragibe. Cito os dois para dar cor local à compa-  \nração, e ficar logo às boas com a crítica literária. Além disso, há um ponto decontato entre o orador francês e o orador brasileiro; ambos obtiveram um apelido quase idêntico pela semelhança da eloqüência parlamentar. Onde não há nenhumponto de contato é entre os outros dois: nem o Sr. Camaragibe faz romances, nem Alexandre Dumas faz política, e creio que ambos se dão bem com esta abstenção.  \nNão sou votante nem eleitor, o que me priva da visita de algumas pessoas de consideração em certos dias, gozando, aliás, da estima deles no resto do ano, o que me é sobremaneira agradável. Ao mesmo tempo poupo-me às lutas da igreja e às corrupções da sacristia.  \nNão privo com as musas, mas gosto delas. Leio por instruir-me; às vezes por consolar-me. Creio nos livros e adoro-os. Ao domingo leio as Santas Escrituras; os outros dias são divididos por meia dúzia de poetas e prosadores da minhapredileção; consagro a sexta-feira à Constituição do Brasil e o sábado aosmanuscritos que me dão para ler. Quer tudo isto dizer que à sexta-feira admiro os nossos maiores, e ao sábado durmo a sono solto. No tempo das câmaras leio com freqüência o padre Vieira e o padre Bernardes, dois grandes mestres.  \nQuanto às minhas opiniões públicas, tenho duas, uma impossível, outra realizada . A impossível é a republica de Platão. A realizada é o sistema representativo. 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