[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37522-pt":3,"doc-seo-37522-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37522,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS. Entre 1892 e 1894","O texto reúne trechos de Machado de Assis publicados originalmente em coleções no início do século XX, organizados em entradas datadas de julho de 1892 e novembro de 1893. Em “Vae Soli!”, o narrador comenta um anúncio matrimonial e transforma a procura de um marido em diagnóstico irônico da solidão e do tédio. Em “Salteadores da Tessália”, reflete sobre a repetição do mundo: rotina social, guerra e paz, e a mesmice das notícias nos jornais.","Texto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.II, 1994.  \nPublicado originalmente em Páginas Recolhidas , Rio de Janeiro: Editora Garnier, 1906.  \nVAE SOLI!  \n(1892, julho)  \nUm dia desta semana, farto de vendavais, naufrágios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importadores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios, e disse comigo:  \n\"Eia, passemos em revista as procuras e ofertas, caixeiros desempregados, pianos, magnésias, sabonetes, oficiais de barbeiro, casas para alugar, amas-deleite, cobradores, coqueluche, hipotecas, professores, tosses crônicas... \"  \nE o meu espírito, estendendo e juntando as mãos e os braços, como fazem os nadadores, que caem do alto, mergulhou por uma coluna abaixo. Quando voltou à tona, trazia entre os dedos esta pérola:  \nUma viúva interessante, distinta, de boa família e independente de meios, deseja encontrar por esposo um homem de meia idade, sério, instruído, e também com meios de vida, que esteja como ela cansado de viver só ; resposta por carta ao escritório desta folha, com as iniciais M. R. . . ., anunciando, a fim de ser procurada essa carta.  \nGentil viúva, eu não sou o homem que procuras, mas desejava ver-te, ou, quando menos, possuir o teu retrato, porque tu não és qualquer pessoa, tu vales algumacoisa mais que o comum das mulheres . Ai de quem está só! dizem as sagradas letras; mas não foi a religião que te inspirou esse anúncio. Nem motivo teológico, nem metafísico. Positivo também não, porque o positivismo é infenso às segundasnúpcias. Que foi então, senão a triste, longa e aborrecida experiência? Não queresamar; estás cansada de viver só .  \nE a cláusula de ser o esposo outro aborrecido, fato de solidão, mostra que tu nãoqueres enganar, nem sacrificar ninguém. Ficam desde já excluídos os sonhadores, os que amem o mistério e procurem justamente esta ocasião de comprar umbilhete na loteria da vida. Que não pedes um diálogo de amor, é claro, desde que impões a cláusula da meia idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno. Não há de ser um náufrago, à espera de uma tábua de salvação, pois que exiges que também possua . E há deser instruído, para encher com as luzes do espírito as longas noites do coração, econtar (sem as mãos presas) a tomada de Constantinopla.  \nViúva dos meus pecados, quem és tu que sabes tanto? O teu anúncio lembra a  \ncarta de certo capitão da guarda de Nero. Rico, interessante, aborrecido, como tu, escreveu um dia ao grave Sêneca, perguntando-lhe como se havia de curar dotédio que sentia, e explicava-se por figura: \"Não é a tempestade que me aflige, é o enjôo do mar\". Viúva minha, o que tu queres realmente, não é um marido, é um remédio contra o enjôo. Vês que a travessia ainda é longa,— porque a tua idade está entre trinta e dois e trinta e oito anos,— o mar é agitado, o navio jogamuito; precisas de um preparado para matar esse mal cruel e indefinível. Não te contentas com o remédio de Sêneca, que era justamente a solidão, \"a vidaretirada, em que a alma acha todo o seu sossego\". Tu já provaste esse preparado; não te fez nada. Tentas outro; mas queres menos um companheiro que uma companhia.  \nPode ser que a esta hora já tenhas achado o esposo nas condições definidas. Não estás ainda casada, porque é preciso fazer correr os pregões, e tens alguns dias diante de ti, para examinar bem o homem. Lembra-te de Xisto V, amiga minha; não vá ele sair, em vez de um coração arrimado à bengala, um coração com pernas, e umas pernas com músculos e sangue; não vás tu ouvir, em vez datomada de Constantinopla, a queda de Margarida nos braços de Fausto. Há desses corações, nevados por cima, como estão agora as serras do Itatiaia e de Itajubá, econtendo em si as lavas que o Etna está cuspindo desde alguns dias.  \nMas, se ele te sair o que queres,","cbCait2iWSZ8IWkl","https://ap.wps.com/l/cbCait2iWSZ8IWkl","pdf",61112,1,11,"Portuguese","pt",112,"# Vae Soli!\n# Salteadores da Tessália","[{\"question\":\"Qual é o tema central de “Vae Soli!”?\",\"answer\":\"A resposta começa a partir de um anúncio de viúva que busca um esposo sério e instruído para deixar de viver só. 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