[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37496-pt":3,"doc-seo-37496-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37496,4398048950312,"Violet","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/400002538284de19e3c?_k=1778320343897328908",27,"Literatura","JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS A Reforma pelo Jornal","O texto argumenta que o jornal exerce papel decisivo para abalar as aristocracias, mais do que os movimentos populares, ao promover a unidade humana e a discussão pública. A palavra é apresentada como origem de todas as reformas: falada na tribuna, escrita no livro e, sobretudo, debatida no jornal. A discussão é descrita como sentença contra o status quo, pois ao submeter ideias ao exame perde-se legitimidade evidente e aumenta a chance de queda. O jornal alimenta a propaganda e prepara o terreno para reflexão, mobilização e mudanças sociais, contribuindo para dissolver castas e ampliar aspirações cívicas.","Texto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, V.III, 1994.  \nPublicado originalmente em O Espelho, Rio de Janeiro, 23/10/1859 .  \nHouve uma coisa que fez treme r as aristoc racias, ma is do que os movimentos populares; foi o jornal. Devia ser curioso vê-las quando um séculodespertou ao clarão deste fiat humano; era a cúpula de seu edifício que sedesmoronava .  \nCom o jornal eram incompatíveis esses parasitas da humanidade, essas fofas individualidades de pergaminho alçado e leitos de brasões. O jornal que tende à unidade humana, ao abraço comum, não era um inimigo vulgar, era uma [barreira... de](barreira... de) papel, não, mas de inteligências, de aspirações.  \nÉ fácil prever um resultado favorável ao pensamento democrático. A im pre nsa, que encar nava a idéia no livro, expendi e u e m outra parte, sentia-se aindaassim presa por um obstáculo qualquer; sentia-se cerrada naquela esfera larga mas ainda não infinita; abriu pois uma represa que a impedia, e lançou-se uma noite aquele oceano ao novo leito aberto: o pergaminho será a Atlântida submergida.  \nPor que não?  \nTodas as coisas estão em gérmen na palavra, diz um poeta oriental. Não é assim? O verbo é a origem de todas as reformas .  \nOs hebreus, narrando a lenda do Gênesis, dão à criação da luz a precedência dapalavra de Deus. É palpitante o símbolo. O fiat repetiu-se em todos caos, e, coisaadmirável! sempre nasceu dele alguma luz.  \nA história é a crônica da palavra. Moisés, no deserto; Demóstenes, nas guerrashelênicas; Cristo, nas sinagogas da Galiléia; Huss, no púlpito cristão; Mirabeau, natribuna republicana; todas essas bocas eloqüentes, todas essas cabeças salientes do passado, não são senão o fiat multiplicado levantado em todas as confusões da humanidade. A história não é um simples quadro de acontecimentos; é mais, é overbo feito livro.  \nOra pois, a palavra, esse dom divino que fez do homem simples matéria organizada, um ente superior na criação, a palavra foi sempre uma reforma . Falada na tribuna é prodigiosa, é criadora, mas é o monólogo; escrita no livro, é ainda criadora, é ainda prodigiosa, mas é ainda o monólogo; esculpida no jornal, é prodigiosa e criadora, mas não é o monólogo, é a discussão.  \nE o que é a discussão?  \nA sentença de morte de todo o status quo , de todos os falsos princípios dominantes. Desde que uma coisa é traz ida à discussão, não tem  \nlegitimidade evidente, e nesse caso o choque da argumentação é uma probabilidade de queda .  \nOra, a discussão, que é a feição mais especial, o c un ho mais vivo dojornal, é o que não convém exatamente à organização desigual e sinuosa da sociedade .  \nExaminemos .  \nA prime ira prop riedade do jo rna l é a re produção a miudada, é oderramamento fácil em todos os membros do corpo social. Assim, o o perário que se retira ao lar, fatigado pelo labor quotidiano, vai lá encontra r ao ladodo pão do corpo, aquele pão do espírito, hóstia social da com unhãopública. A propaganda assim é fác il; a discussão do jornal re produz-setambém naquele espírito rude, com a diferença que vai lá ac har o terre no preparado. A alma torturada da individualidade ínfi ma rece be, ace ita, absorve sem labor, se m obstácu lo aque las impressões, aquela argumentação de princípios, aquela argüição de fatos. Depois uma reflexão, depois um braço que se ergue, um palácio que se invade, um sistema que cai, um p rincípio que se levanta, uma reforma que se coroa .  \nMalévola faculdade — a palavra!  \nSerá o u não o escolho das aristoc racias modernas, este novo molde dopensamento e do verbo?  \nEu o c reio de coração. Graças a Deus, se há alguma coisa a es perar é adas inteligências proletárias, das classes ínfimas; das superiores, não .  \nAs aristoc racias dissolve m-se, diz um eloqüente i rmão d'armas . É averdade . A ação democrática parece reagir sobre as castas que se levantam no prime iro plano social. 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