[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37538-pt":3,"doc-seo-37538-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37538,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",26,"Contos e Romances","Iaiá Garcia","Capítulo inicial de Iaiá Garcia, obra completa de Machado de Assis, ambientado em 1866 e narrando a chegada de uma carta ao funcionário público Luís Garcia. O texto descreve seu modo de viver solitário e metódico em Santa Teresa, sua apatia e cepticismo moldados pela experiência, bem como sua relação peculiar com Raimundo, ex-escravo a quem concedera liberdade. A rotina doméstica, o silêncio social e os gestos cotidianos estruturam o ambiente antes da interferência de Valéria.","Texto-fonte:  \nObra Completa, de Machado de Assis, vol. I, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.  \nPublicado originalmente em folhetins, a partir de 01/01/1878, em O Cruzeiro .  \nCAPÍTULO PRIMEIRO  \nLuís Garcia transpunha a soleira da porta, para sair, quando apareceu um criado elhe entregou esta carta:  \n“5 de outubro de 1866.  \nSr. Luís Garcia — Peço-lhe o favor de vir falar-me hoje, de uma a duas horas datarde. Preciso de seus conselhos, e talvez de seus obséquios.—VALÉRIA.”  \n— Diga que irei. A senhora está cá no morro?  \n— Não, senhor, está na Rua dos Inválidos.  \nLuís Garcia era funcionário público. Desde 1860 elegera no lugar menos povoado de Santa Teresa uma habitação modesta, onde se meteu a si e a sua viuvez. Não era frade, mas queria como eles a solidão e o sossego. A solidão não era absoluta, nem o sossego ininterrompido ; mas eram sempre maiores e mais certos que cá embaixo. Os frades que, na puerícia da cidade, se tinham alojado nas outras colinas, desciam muita vez,— ou quando o exigia o sacro Ministério, ou quando ogoverno precisava da espada canônica,— e as ocasiões não eram raras; mas geralmente em derredor de suas casas não ia soar a voz da labutação civil. Luís Garcia podia dizer a mesma coisa; e, porque nenhuma vocação apostólica o incitava a abrir a outros a porta de seu refúgio, podia dizer-se que fundara um convento em que ele era quase toda a comunidade, desde prior até noviço.  \nNo momento em que começa esta narrativa, tinha Luís Garcia quarenta e umanos. Era alto e magro, um começo de calva, barba rapada, ar circunspecto. Suas maneiras eram frias, modestas e corteses; a fisionomia um pouco triste. Umobservador atento podia adivinhar por trás daquela impassibilidade aparente ou contraída as ruínas de um coração desenganado. Assim era; a experiência, que foi precoce, produzira em Luís Garcia um estado de apatia e cepticismo, com seus laivos de desdém. O desdém não se revelava por nenhuma expressão exterior; era a ruga sardônica do coração. Por fora, havia só a máscara imóvel, o gesto lento e as atitudes tranqüilas. Alguns poderiam temê-lo, outros detestá-lo, sem que merecesse execração nem temor. Era inofensivo por temperamento e por cálculo. Como um célebre eclesiástico, tinha para si que uma onça de paz vale mais que uma libra de vitória. Poucos lhe quer iam deveras, e esses empregavam mal aafeição, que ele não retribuía com afeição igual, salvo duas exceções. Nem por isso era menos amigo de obsequiar. Luís Garcia amava a espécie e aborrecia o  \nindivíduo. Quem recorria a seu préstimo, era raro que não obtivesse favor. Obsequiava sem zelo, mas com eficácia, e tinha a particularidade de esquecer obenefício, antes que o beneficiado o esquecesse.  \nA vida de Luís Garcia era como a pessoa dele,— taciturna e retraída. Não fazia nem recebia visitas. A casa era de poucos amigos; havia lá dentro a melancolia da solidão. Um só lugar podia chamar-se alegre; eram as poucas braças de quintal que Luís Garcia percorria e regava todas as manhãs. Erguia-se com o sol, tomava do regador, dava de beber às flores e à hortaliça; depois, recolhia-se e ia trabalharantes do almoço, que era às oito horas. Almoçado, descia a passo lento até à repartição, onde, se tinha algum tempo, folheava rapidamente as gazetas do dia. Trabalhava silenciosamente, com a fria serenidade do método. Fechado oexpediente, voltava logo para casa, detendo-se raras vezes em caminho. Ao chegar a casa, já o preto Raimundo lhe havia preparado a mesa,— uma mesa de quatro a cinco palmos,— sobre a qual punha o jantar, parco em número, medíocre na espécie, mas farto e saboroso para um estômago sem aspirações nem saudades. Ia dali ver as plantas e reler algum tomo truncado, até que a noite caía. Então, sentava-se a trabalhar até às nove horas, que era a hora do chá .  \nNão somente o teor da vida tinha essa uniformidade, mas também a casa participava dela. Cada móvel, cada objeto,—ainda os ínfimos,— parecia haver-se petrificado. A cortina, que usualmente era c","cbCaiiSumpayl1UT","https://ap.wps.com/l/cbCaiiSumpayl1UT","pdf",487662,1,107,"Portuguese","pt",112,"# Capítulo Primeiro\n## A carta de Valéria e o chamado a Luís Garcia\n## A vida recolhida e metódica de Luís Garcia\n## A casa, a rotina e a solidão\n## Raimundo, a liberdade e o pacto afetivo","[{\"question\":\"Quem entrega a carta a Luís Garcia e o que ela solicita?\",\"answer\":\"Um criado entrega uma carta a Luís Garcia solicitando que ele fale com Valéria entre uma e duas horas da tarde, pedindo conselhos e talvez obséquios.\"},{\"question\":\"Como é a vida cotidiana de Luís Garcia no começo da narrativa?\",\"answer\":\"Luis Garcia vive de modo taciturno e retraído, sem visitas, mantendo uma rotina rígida: trabalha no expediente, cuida das plantas e volta para casa para estudar ou trabalhar até a hora do chá.\"},{\"question\":\"Qual é a relação de Luís Garcia com Raimundo?\",\"answer\":\"Luís Garcia herdou Raimundo e lhe concedeu carta de liberdade. 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