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Centro de Estudos Euclydes da Cunha – CEEC, as entrevistas realizadas com moradores de Canudos, em especial descendentes de conselheiristas objetivava fixar a memória desses moradores sobre o conflitoocorrido no período de 1896/1897 . João de Regis era um dos mais lúcidos e importantes memorialistas da trajetória do seu povo, cujos depoimentos se caracterizavam pela profunda honestidade do seu testemunho e pela lealdade dedicada a lembrança dos seus antepassados. Oreconhecimento da tradição oral como fonte histórica estratégica para a recuperação e inserçãodo discurso popular na produção historiográfica, confere a estas entrevistas gravadas no ano final do século XX e no princípio do século XXI, a importância de uma fonte documental de grande relevância para quantos desejem encaram o desafio de reescrever o histórico das lutas populares no Brasil.  \nPALAVRAS-CHAVES: História. Memória. Cultura Popular. Oralidade.  \nABSTRACT: The interviews carried out with residents of Canudos, especially descendants of counselors, aimed at establishing the memory of these residents about the War that took place in the period of 1896-1897, developed by the Oral History Nucleus of the Euclydes da Cunha Studies Center (CEEC) . Joao de Regis was one of the most lucid and important memorialistsof the trajectory of his people, whose testimonies were characterized by the deep honesty of his testimony and the loyalty dedicated to the memory of his ancestors. The recognition of oral tradition as a strategic historical source for the recovery and insertion of popular discourse in historiographical production, confers to this interview recorded in the final year of the twentieth century and in the beginning of the twenty-first century the importance of a documentary source of great relevance for those who want to face the challenge of rewriting the history of popular struggles in Brazil.  \nKEYWORDS: History. Memory. Popular Culture. Orality.  \nINTRODUÇÃO  \nForam muitas as conversas que mantive com João de Régis. Não eram encontros frequentes, contudo, sempre foram prosas prolongadas. Na sua casinha das Umburanas aonde ainda não dispunha do conforto e praticidade da energia elétrica, aliás, ele morreu sem esse benefício, João sabia bem receber seus convidados. Possuía a natural cortesia dos sertanejos, aquele acolhimento prudente e amigável, inicialmente desconfiado, depois expansivo e generoso. Magro e alto, acaboclado, olhos agateados e vivazes, fala mansa e de timbre agudo,  \n1 Historiador e Coordenador do Centro de Estudos Euclydes da Cunha – CEEC/UNEB.  \nera amigo de uma prosa boa, mais eloquente se tornava ainda se o assunto fosse a história desua terra e do seu povo.  \nVestia quase sempre camisa social, sem arregaço, a manga esticada até os pulsos, calças comuns de pano, sandálias de couro. Como a complementar sua indumentária ainseparável bengala de pau da caatinga, amparando-o nos seus passos tardos, idas e vindas em muitas manhãs e noites, verões e invernos, chuvas e estiagens. Era o homem típico do sertão. Sangue e hábitos. Vida morigerada, modestíssima, transcorrida integralmente na luta pela subsistência.  \nJoão Reginaldo de Matos, o João de Régis, nasceu em Canudos no dia 12 de junho de 1907, filho de Reginaldo José de Matos, natural de Mirandela e Joana Batista de Jesus, canudense de fundas raízes. O pai era agricultor, plantando o comum na região, ou seja, milho, feijão, abóbora, fava. Criava miúnças – bodes, cabras, galinhas de capoeira, porcos – parareforçar a economia doméstica, com vistas o sustento da família Bom catingueiro costumavacaçar bichos do mato muito apreciados na culinária sertaneja-tatu, preá, veado, capivara, etc. A mãe, dona Joana, filha do famoso Mané da Guerra, criada nos conformes sertanejos setornara dona de casa. 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