[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37529-pt":3,"doc-seo-37529-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37529,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Gazeta de Holanda - Machado de Assis","Gazeta de Holanda reúne textos atribuídos ao “doutor da mula ruça” e estruturados como crônicas datadas na Gazeta de Notícias, explorando ironia, crítica social e jogos retóricos. O narrador comenta o papel do periódico, discute a presença de ideias modernas ou a falta delas, e transforma assuntos cotidianos em alegorias. Entre textos sobre construção para júri e a proteção aos animais, surgem figuras como Pangloss e um burro filosófico, revelando contradições e caridades descritas com humor e sarcasmo.","Texto-Fonte:  \nObra Completa de Machado de Assis, Edições Jackson, Rio de Janeiro, 1937. Publicado originalmente na Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, de 01/11/1886 a 24/02/1888 .  \nN. ° 1  \n1.º DE NOVEMBRO DE 1886.  \nVoilà ce que l'on dit de moi  \nDans la “Gazette de Hollande”.  \nUm doutor da mula ruça, Caolho, coxo e maneta,É o homem que se embuça No papel desta gazeta.  \nGazeta que, se tivesse Outra forma, outro formato, Pode ser que merecesse Vir com melhor aparato.  \nMas é modesta, não passa De uma folha de parreira, Que dá uva, que dá passa, Que dá vinho e borracheira.  \nTraz programa definido,  \nPara entrar no grande prélio; Nem bemol, nem sustenido, Nem Caim, nem Marco-Aurélio.  \nNão traz idéias modernas, Nem antigas; não traz nada.  \nTraz as suas duas pernas, Uma sã, outra quebrada.  \nE vem, como é de ciência, Entre muletas segura, A muleta da inocência, E a muleta da loucura.  \nSe uma não pega, outra pega, E fica o corpo amparado; Se para um lado escorrega, Fica-lhe sempre outro lado .  \nDe modo que, quanto diga, Seja ou não o que a lei manda, Há de achar entrada amiga Esta Gazeta de Holanda.  \nQue traga idéias a folha Liberal que se anuncia, Que as espalhe, que as escolha, Como a Reforma fazia.  \nVá que seja — posto seja Tarefa das mais reversas, Fazer uma só igreja, De tantas seitas diversas.  \nA prova é que, ainda agora, Já pronta a bagagem sua, Somente esperando a hora De sair a folha à rua,  \nFeito um capítulo apenas, De tão diversos capítulos, E, contando boas penas, Já traz a folha dois títulos.  \nVoz da Nação, ou — Gazeta Nacional; só falta a escolha. Já principia a marreta, Antes de sair a folha.  \nEu cá, perfeita unidade. Ora aprovo, ora contesto, Sem que haja necessidade De ouvir protesto e protesto. . .  \nExemplo: ao ler que se trata De fazer um edifício  \nPara o júri: — colunata, Vasto e grego frontispício,  \nE que esta idéia bizarra Nasceu mesmo agora, agora, Quando foi ali à barra Uma distinta senhora;  \nQuando a afluência de gente Era tal, que o magistrado  \nTeve de ir incontinente Pedir sabão emprestado;  \nComigo disse: — Bem feito Que a Joaninha expirasse De uma moléstia do peito, E que a Eduarda cegasse .  \nSó assim tínhamos prédio Para um tribunal sem nada;  \nNão foi morte, foi remédio;  \nFoi vida, não foi pancada .  \nPangloss, o doutor profundo, Mostra que há grande harmonia Entre as cousas deste mundo, Entre um dia e outro dia;  \nQue os narizes foram dados Para os óculos; portanto, Trazem óculos pousados... Pangloss é o meu padre-santo.  \nLogo, se uma e outra escrava Brigaram sem sentimento, A razão de ação tão brava Foi termos um monumento.  \nNeste ponto o ponto pingo, E despeço-me no ponto Em que cada novo pingo, Já não é ponto, é posponto.  \nN. ° 2  \n5 DE NOVEMBRO DE 1886.  \nVoilà ce que l'on dit de moi  \nDans la “Gazette de Hollande”.  \nMuito custa uma notícia! Que ofício! E nada aparece, Que canseira e que perícia!  \nQue andar desde que amanhece!  \nE tu, leitor sem entranhas, Exiges mais, e não vês Como perdemos as banhas Em te dar tudo o que lês.  \nÉs assim como um janota De maneiras superfinas,  \nQue não sabe o preço à bota Com que cativa as meninas.  \nAgora mesmo, buscando Saber de associação Que se deu ao venerando Ofício de proteção  \nAos animais — não sabia Onde achasse os documentos Dessa obra de simpatia, Para transmiti-la aos ventos.  \nAchei quatrocentas atas De reuniões semanais, Ofícios, notas e datas, Tudo espalhado em jornais.  \nMas das ações praticadas Em favor da bicharia, E das vitórias ganhadas, Nada disso conhecia.  \nEntão lembrei-me de um burro, Sujeito de algum valor, Nem grosseiro nem casmurro, Menos burro que o senhor.  \nE pensei: “Naturalmente Traz toda a historia sabida;É burro, há de ter presente A proteção recebida”  \nLá fui. O animal estava Em pé, com os olhos no chão, Tinha um ar de quem cismava Cousas de ponderação.  \nQue cousas, porém, que assunto  \nTão grave, tão demorado, Ocupava o seu bestunto, Nada lhe foi perguntado.  \nTalvez, ao ver-se assim magro, Cativ","cbCaieAWNmT3qgLn","https://ap.wps.com/l/cbCaieAWNmT3qgLn","pdf",349498,1,109,"Portuguese","pt",112,"# Gazeta de Holanda\n## Estrutura e datas na Gazeta de Notícias\n## Ironia sobre o periódico e sua programação\n## Alegorias: construção para o júri\n## Caridade e proteção aos animais","[{\"question\":\"O que caracteriza a “Gazeta de Holanda” nos textos de Machado de Assis?\",\"answer\":\"Os trechos apresentam crônicas em formato de jornal, com datas e versos em tom irônico, discutindo o papel do periódico e sua programação limitada.\"},{\"question\":\"Como o narrador utiliza a crítica social ao comentar a Gazeta de Notícias?\",\"answer\":\"O narrador contrapõe ideias modernas e antigas, afirma a ausência de “nada” no conteúdo e destaca a repetição de fórmulas, usando humor para evidenciar contradições.\"},{\"question\":\"Qual é o papel do burro na discussão sobre proteção aos animais?\",\"answer\":\"O burro narra, em frases toscas, a existência de leis, regulamentos e um asilo para animais, relacionando a presença do abrigo e o tempo de sua rotina à falta de perguntas e ao tema do jornal.\"}]",1783052343,168,{"code":4,"msg":30,"data":31},"ok",{"site_id":24,"language":23,"slug":32,"title":13,"keywords":33,"description":14,"schema_data":34,"social_meta":85,"head_meta":87,"extra_data":89,"updated_unix":27},"gazeta-de-holanda-machado-de-assis","",{"@graph":35,"@context":84},[36,53,67],{"@type":37,"itemListElement":38},"BreadcrumbList",[39,43,47,50],{"item":40,"name":41,"@type":42,"position":20},"https://docshare.wps.com","Home","ListItem",{"item":44,"name":45,"@type":42,"position":46},"https://docshare.wps.com/pt/document/","Document",2,{"item":48,"name":12,"@type":42,"position":49},"https://docshare.wps.com/pt/document/literatura/",3,{"item":51,"name":13,"@type":42,"position":52},"https://docshare.wps.com/pt/document/gazeta-de-holanda-machado-de-assis/37529/",4,{"url":51,"name":13,"@type":54,"author":55,"headline":13,"publisher":57,"fileFormat":60,"inLanguage":23,"description":14,"dateModified":61,"datePublished":61,"encodingFormat":60,"isAccessibleForFree":62,"interactionStatistic":63},"DigitalDocument",{"name":9,"@type":56},"Person",{"url":40,"name":58,"@type":59},"DocShare","Organization","application/pdf","2026-07-03",true,{"@type":64,"interactionType":65,"userInteractionCount":4},"InteractionCounter",{"@type":66},"ViewAction",{"@type":68,"mainEntity":69},"FAQPage",[70,76,80],{"name":71,"@type":72,"acceptedAnswer":73},"O que caracteriza a “Gazeta de Holanda” nos textos de Machado de Assis?","Question",{"text":74,"@type":75},"Os trechos apresentam crônicas em formato de jornal, com datas e versos em tom irônico, discutindo o papel do periódico e sua programação limitada.","Answer",{"name":77,"@type":72,"acceptedAnswer":78},"Como o narrador utiliza a crítica social ao comentar a Gazeta de Notícias?",{"text":79,"@type":75},"O narrador contrapõe ideias modernas e antigas, afirma a ausência de “nada” no conteúdo e destaca a repetição de fórmulas, usando humor para evidenciar contradições.",{"name":81,"@type":72,"acceptedAnswer":82},"Qual é o papel do burro na discussão sobre proteção aos animais?",{"text":83,"@type":75},"O burro narra, em frases toscas, a existência de leis, regulamentos e um asilo para animais, relacionando a presença do abrigo e o tempo de sua rotina à falta de perguntas e ao tema do jornal.","https://schema.org",{"og:url":51,"og:type":86,"og:title":13,"og:site_name":58,"og:description":14},"article",{"robots":88,"canonical":51},"index,follow",{"doc_id":7,"site_id":24}]