[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-52036-pt":3,"doc-seo-52036-112":31,"detail-sidebar-cat-0-pt-112":85},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":20,"is_deleted":4,"is_public":21,"is_downloadable":21,"audit_status":21,"page_count":22,"language":23,"language_code":24,"site_id":25,"html_lang":24,"table_of_contents":26,"faqs":27,"seo_title":28,"seo_description":14,"update_tm":29,"read_time":30},52036,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",26,"Contos e Romances","Fiódor Dostoiévski - O Adolescente","O Adolescente, de Fiódor Dostoiévski, abre com o narrador relatando sua decisão de registrar a própria história apenas em termos diretos, evitando floreios literários e a busca de elogios do leitor. O texto apresenta a inquietação do autor consigo mesmo, a dificuldade de traduzir sentimentos em palavras e a intenção de iniciar as anotações a partir de 19 de setembro do ano anterior. Em seguida, fornece bases biográficas: idade, sobrenome Dolgorúki, linhagem e o modo como a figura paterna influencia todo o destino narrativo.","PRIMEIRA PARTE  \nCAPÍTULO I  \nI  \nSem conseguir me conter, dei início à história dos meus primeiros passos pela vida, ainda que até pudesse deixar de fazê-lo. De uma coisa estou certo: nuncamais voltarei a escrever minha autobiografia, nem que viva até os cem anos. É preciso nutrir por si mesmo uma paixão excessivamente desprezível para escrever a seu próprio respeito. A única desculpa que tenho é a de que não escrevo como todos escrevem, isto é, visando aos elogios do leitor. Se me deu na veneta escrever palavra por palavra tudo o que me aconteceu desde o ano passado, isso foi motivado por uma necessidade interior: era grande minhaestupefação com tudo o que havia acontecido. Registro apenas osacontecimentos, envidando todos os esforços para descartar tudo o que lhe forestranho, principalmente os floreios literários; um literato escreve durante trintaanos e no fim das contas ignora inteiramente por que passou tanto tempo escrevendo. Não sou um literato, literato não quero ser, e acharia uma indecênciae uma torpeza arrastar para o mercado literário o íntimo de minha alma e uma bonita descrição dos meus sentimentos. Agastado, porém, pressinto que parece impossível evitar uma descrição completa dos sentimentos e dispensar reflexões (talvez até banais), tão perversivo é o efeito que tem sobre o homem qualquer atividade literária, ainda que ele a realize unicamente para si. Tais reflexões podem até ser muito banais, porque, como você mesmo pode avaliar, é bempossível que do ponto de vista de um estranho não tenham nenhum valor. Mas deixemos tudo isso de lado. Não obstante, eis aqui o prefácio: não haverá maisnada desse gênero. Mãos à obra: se bem que não há nada mais complicado do que empreender alguma coisa, talvez, até, qualquer coisa.  \nII  \nComeço, quer dizer, gostaria de começar minhas notas a partir de dezenove de setembro do ano passado, isto é, exatamente no dia em que pela primeira vez encontrei    \nMas explicar quem encontrei, assim, de antemão, quando ninguém sabe denada, seria vulgar; acho que até esse tom seria vulgar; depois de ter dado a mim mesmo a palavra de evitar floreios literários, estou resvalando nesses floreios desde a primeira linha. Além disso, parece que só a vontade não basta para escrever a contento. Observo apenas que em nenhum idioma europeu parece sertão difícil escrever como em russo. Acabo de reler o que escrevi e percebo quesou bem mais inteligente que isso que acabo de escrever. Como pode acontecer que um homem inteligente enuncie algo bem mais tolo do que aquilo que seu espírito contém? Já reparei isto mais de uma vez em mim e nas conversas quemantive com as pessoas durante todo esse último ano fatal, e isso me deixou muito angustiado.  \nEmbora comece pelo dia dezenove de setembro, para que seja compreensívelao leitor e a mim mesmo, coloco umas duas palavras para dizer quem sou, onde estava antes e, consequentemente, o que ao menos em parte podia ter em mentenaquela manhã de dezenove de setembro.  \nIII  \nEu havia concluído o curso colegial (Até a Revolução de 1917, o ensino médio na Rússia era cursado numa instituição chamada gimnázia, diferente donosso ginásio, que compreendia apenas o que hoje chamamos de ensino fundamental. Daí a tradução de colégio em vez de ginásio. (N. do T.)), agora já caminho para os vinte e um anos. Meu sobrenome é Dolgorúki, e meu pai legítimo é Makar Ivánovitch Dolgorúki, ex-servo doméstico dos senhores Viersílov. De sorte que sou um filho legítimo, embora seja ilegítimo no mais alto grau e minha origem não deixe a mínima dúvida. Aconteceu assim: vinte e doisanos atrás o senhor de terras Viersílov (este sim é meu pai), então com vinte e cinco anos, visitou sua fazenda na província de Tula. Suponho que naquela época ele ainda fosse bastante desprovido de originalidade. 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