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Analisa como suas técnicas de feitura construíram o sagrado e os afamados xangôs, enfatizando o “assombro” associado a objetos específicos. 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Uma flor de silêncio e assombro: memórias entrelaçadas na  \nColeção Perseverança. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 6, n. 1, p.150-173, jan. 2022. DOI: 10.20396/modos.v6i1.8667476 . Dispo  \nnível em: [https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/](https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/)[ ](https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/)view/8667476 .  \nImagem modificada: Religiosas presas e fotografadas por policiais, diante dos objetos de culto, na década de 1930. Fotografia do Instituto Médico Legal de Maceió . Fonte: Acervo de Gonçalves Fernandes.  \nMODOS  \nrevista de história da arte  \nvolume 6 | número 1 janeiro-abril 2022  \nISSN: 2526-2963  \nUma flor de silêncio e assombro: memórias entrelaçadas na Coleção  \nPerseverança  \nFlower of silence and haunt: memories intertwined in the Coleção Perseverança  \nAnderson Almeida*  \nresumo  \nEste artigo fala de uma coleção, de sua queima, do fogo que parcialmente a consumiu;  \ndas memórias que a circundam, das histórias silenciadas, das camadas não reveladas. Fala também de vestígios, marcas deixadas por homens e mulheres negros que viveram no estado de Alagoas e, com suas técnicas de feitura, construíram o sagrado, os afamados xangôs. Assim, propomos um breve relato sobre o assombro, a partir dealguns objetos da Coleção Perseverança, fruto do fatídico Quebra do Xangô de 1912.  \nPALAVrAs-CHAVe  \nColeção Perseverança. Quebra doXangô. Arte assombrada. Imagem e memória.  \nColeções afrorreligiosas.  \nABsTrACT  \nThis article talks about a collection, its burning, the fire that partially consumed it; from the memories that surround it, from the silenced stories, from the unrevealed layers. It also speaks oftraces, marks left by black men and women who lived in the state of Alagoas and, with their crafting techniques, built the sacred, the famous xangôs. Thus, we propose a brief account of the hunt, based on some objects from the Coleção Perseverança, the result of the factual Quebra do Xangô from 1912.  \nKeY WorDs  \nPerseverança Collection. Quebra doXangô. Haunted Art. Image and memory. Afroreligious collections.  \nMODOS  \nrevista de história da arte  \nvolume 6 | número 1 janeiro-abril 2022  \nISSN: 2526-2963  \nDe fogo e cinzas, eis uma flor, eis uma coleção  \nUma flor nasceu na rua!  \nPassem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.  \nUma flor ainda desbotada  \nilude a polícia, rompe o asfalto.  \nFaçam completo silêncio, paralisem os negócios,  \ngaranto que uma flor nasceu.  \nSua cor não se percebe.  \nSuas pétalas não se abrem.  \nSeu nome não está nos livros.  \nÉ feia. Mas é realmente uma flor.  \n(A flor e a náusea, por Carlos Drummond de Andrade)  \nDrummond desenha-nos a imagem de uma flor. Sua flor intitulada feia. Aflor aparentemente abandonada, desbotada, surgida em meio ao caos da cidade civilizada. A flor não percebida, que brotou em algum lugar do tão largo cinzento do asfalto. A flor não vista por ser menor. A flor dita sem vida, sem valor, tímida, na condição de mais uma flor sem graça, qualquer, que nasceu para ser, naturalmente, arrancada. O poeta roga pela flor. Por sua flor. Suplica o silêncio. Grita para que vejam a flor que brotou, mesmoachando que ela é feia. A flor do poeta é resistente.  \nAflor feiade Drummond, no fundode sua excitação, é um elemento que transmite muitos significados, está sujeita a diversos olhares e, dependendode quem a veja, em sua maioria um olhar inexistente, a flor tornar-se-á outra flor. Talvez ainda mais feia ou no fundo mais bela?  \nTomamos o devaneio do referido poeta para introduzirmos nossocaminho com este artigo. A flor, aqui, será uma coleção que surgiu de uma barbárie, de uma ação iconoclasta, em 1912, no estado de Alagoas. Uma flor/ coleção que carrega sangue, óleo, restos de animais, cheiro de ritual. Uma flor que dizem ter um assombro. Mas","cbCaifzbpRVHq8SE","https://ap.wps.com/l/cbCaifzbpRVHq8SE","pdf",1765608,24,"Portuguese","# Resumo\n# Palavras-chave\n# Introdução (devaneio sobre a “flor feia” e o caminho do artigo)\n# Quebra do Xangô de 1912 e a Operação Xangô\n# A Coleção Perseverança e sua exposição museológica","[{\"question\":\"Qual é o foco do artigo sobre a Coleção Perseverança?\",\"answer\":\"O artigo aborda a coleção, o incêndio que a consumiu parcialmente e as memórias e camadas associadas aos objetos. Também examina as histórias silenciadas ligadas ao sagrado e aos xangôs.\"}]","Uma flor de silêncio e assombro - memórias entrelaçadas na Coleção Perseverança | PDF",37]