[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37520-pt":3,"doc-seo-37520-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37520,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Dom Casmurro","“Dom Casmurro” apresenta o narrador em primeira pessoa explicando a origem do título, associado à alcunha de homem calado e recluso. A narrativa contextualiza a vida interior marcada pela solidão, a decoração clássica da casa e o contraste com o ambiente barulhento da exterioridade. O texto descreve o projeto de restaurar a própria adolescência ao reproduzir a casa natal, mas revela frustração: falta “o interno” e persistem perdas. A monotonia leva o narrador a escrever, impulsionado pelas figuras e bustos da moradia a transformar lembranças em relato, evocando sombras e memórias.","Texto de referência:  \nObras Completas de Machado de Assis, vol. I, Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994.  \nPublicado originalmente pela Editora Garnier, Rio de Janeiro, 1899.  \nCAPÍTULO PRIMEIRO  \nDO TÍTULO  \nUma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da Lua e dos ministros, eacabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que nãofossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fecheios olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura emetesse os versos no bolso.  \n— Continue, disse eu acordando.  \n— Já acabei, murmurou ele.  \n— São muito bonitos.  \nVi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro . Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso mezanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: \"Dom Casmurro, domingo vou jantar com você”.—\"Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixasessa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo”.— \"Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça”.  \nNão consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também nãoachei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.  \nCAPÍTULO II  \nDO LIVRO  \nAgora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão.  \nVivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá . Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Mata-cavalos, dando-lhe o mesmo aspecto eeconomia daquela outra, que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bemas indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. Na principal destas, a pintura doteto e das paredes é mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e grandes pássaros que as tomam nos bicos, de espaço a espaço. Nos quatro cantos do teto as figuras das estações, e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto, Nero e Massinissa, com os nomes por baixo. . . Não alcanço a razão detais personagens. Quando fomos para a casa de Mata-cavalos, já ela estava assim decorada; vinha do decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas . O mais é tambémanálogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço elavadouro. Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como outrora, há aqui omesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.  \nO meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice aadolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que ape","cbCaigb8ul4PcVJJ","https://ap.wps.com/l/cbCaigb8ul4PcVJJ","pdf",567017,1,128,"Portuguese","pt",112,"# Do título\n## A alcunha Dom Casmurro e o início da narração\n# Do livro\n## Solidão, casa e contraste entre vida interior e exterior\n## Tentativa de recompor a juventude e perda da essência\n## Monotonia e decisão de escrever","[{\"question\":\"Por que o narrador recebe a alcunha “Dom Casmurro”?\",\"answer\":\"Uma noite, um rapaz o cumprimenta, senta-se ao lado e interrompe a recitação de versos. Depois, no dia seguinte, esse rapaz lhe diz nomes feios e o alcunha de “Dom Casmurro”, associação que a vizinhança espalha por seus hábitos reclusos.\"},{\"question\":\"O narrador tenta restaurar a juventude e o que acontece com essa intenção?\",\"answer\":\"Ele manda construir a casa para reproduzir a da antiga rua onde viveu, como forma de “atar as duas pontas da vida”. 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