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Analisa como, por volta de 1906, se consolidou a cronologia da atenção a objetos africanos e da Oceania, e como revisões críticas posteriores evidenciaram vieses ideológicos, colonialidade e permanências de preconceitos na valorização dessa arte.",{"@graph":14,"@context":73},[15,34,56],{"@type":16,"itemListElement":17},"BreadcrumbList",[18,23,27,31],{"item":19,"name":20,"@type":21,"position":22},"https://docshare.wps.com","Home","ListItem",1,{"item":24,"name":25,"@type":21,"position":26},"https://docshare.wps.com/pt/document/","Document",2,{"item":28,"name":29,"@type":21,"position":30},"https://docshare.wps.com/pt/document/literatura/","Literatura",3,{"item":32,"name":10,"@type":21,"position":33},"https://docshare.wps.com/pt/document/discovered-models-hidden-models-picasso-black-art-and-the-shock-effect/157290/",4,{"url":32,"name":10,"@type":35,"image":36,"author":41,"headline":10,"publisher":44,"fileFormat":47,"inLanguage":8,"description":12,"dateModified":48,"datePublished":49,"encodingFormat":47,"isAccessibleForFree":50,"interactionStatistic":51},"DigitalDocument",{"url":37,"@type":38,"width":39,"height":40},"https://docshare.wps.com/thumbnails/discovered-models-hidden-models-picasso-black-art-and-the-shock-effect/157290.png","ImageObject",300,407,{"name":42,"@type":43},"Jordan Avery","Person",{"url":19,"name":45,"@type":46},"DocShare","Organization","application/pdf","2026-09-30","2026-08-29",true,{"@type":52,"interactionType":53,"userInteractionCount":55},"InteractionCounter",{"@type":54},"ViewAction",5,{"@type":57,"mainEntity":58},"FAQPage",[59,65,69],{"name":60,"@type":61,"acceptedAnswer":62},"Qual é o papel das narrativas de “descoberta” da “arte negra” no modernismo europeu?","Question",{"text":63,"@type":64},"Essas narrativas foram centrais para construir a autoimagem do modernismo, ora apresentando a “arte negra” como gatilho para invenções plásticas, ora como fonte duradoura de inspiração.","Answer",{"name":66,"@type":61,"acceptedAnswer":67},"Como Marius de Zayas caracteriza a “arte negra” e a arte moderna europeia?",{"text":68,"@type":64},"Ele inicia a apresentação em termos de arte moderna europeia, sugerindo que, nas pesquisas plásticas, teria sido “descoberta” a arte negra, com destaque para um suposto pioneirismo.",{"name":70,"@type":61,"acceptedAnswer":71},"Quais críticas são discutidas contra a ideia de uma “descoberta” isenta de problemas?",{"text":72,"@type":64},"As críticas apontam para vieses ideológicos e autopromoção, além de relacionar a aproximação ao contexto colonial. 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Atas do XV Encontrode História da Arte. Campinas: IFCH/UNICAMP, n. 15, 2021.  \nDOI: 10.20396/eha.15.2021.4684  \nResumo  \nNarrativas em torno da “descoberta” da “arte negra” pela arte moderna europeia foram fundamentais para a construção da autoimagem do modernismo. De início, elas estiveram dominadas por relatos de artistas como Vlaminck e Picasso, que, por volta de 1906, teriam começado a olhar com atenção para objetos da África e Oceania. No caso de Picasso, sua relação com a dita arte negra foi objeto de uma longa disputa, que buscarei reconstituir brevemente, discutindo parte da fortuna crítica a esse respeito.  \nPalavras-chave: Picasso. Arte negra. Descoberta. Les Demoiselles d’Avignon.  \n1 Universidade de São Paulo. Doutoranda em Artes Visuais, PPGAV/ ECA-USP. Agência financiadora: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, nº do processo 2021/04635-7.  \nEm 1914, na ocasião daquela que se dizia ser a primeira mostra de arte africana concebidaestritamente do ponto de vista da arte nos Estados Unidos, o crítico e colecionador mexicano Marius de Zayas optou por iniciar o texto de apresentação da exposição referindo-se não à arte africana, mas à arte moderna europeia:  \nA arte moderna não é individualística nem esotérica, e menos ainda uma expressãode geração espontânea. Ela se revela mais francamente como uma arte dedescobertas. [ ...] Em suas pesquisas plásticas, ela descobriu a arte negra2  \nAto contínuo, Zayas (que se autodefinia um propagandista da arte moderna) enaltece o supostopioneiro nessa empreitada. Picasso, ele diz, foi o descobridor. Dez anos depois, em 1924, ao apresentar opúblico estadunidense a uma exposição de arte africana na Fundação Barnes, o marchand francês Paul Guillaume optou pela mesma estratégia de escrever não apenas sobre os aproximadamente 125 objetosentão em exibição, mas sobre o efeito que eles teriam causado em artistas modernos no ocidente: “O movimento moderno em arte”, dirá Guillaume,“indubitavelmente retira sua inspiração da arte africanae não poderia ser de outro modo”3 . Segundo ele, o impacto da arte africana sobre o modernismo europeuseria, inclusive, comparável ao impacto da arte antiga sobre o Renascimento.  \nEsses pronunciamentos são, cada um a seu modo, paradigmáticos de posições recorrentes entre os partidários da arte moderna na Europa durante as primeiras décadas do século XX, que ora evocavama “descoberta” da dita arte negra como uma espécie de gatilho para invenções plásticas, ora destacavamo papel dessa arte como fonte mais duradoura de inspiração, reforçando tacitamente uma espécie deafinidade entre ambas as manifestações.  \nDaí derivam muitas das abordagens sobre a arte moderna que, nas décadas seguintes, consolidaram-se na esteira de sua institucionalização e enfatizaram repetidamente que em dado momento, por volta de 1906, um número seleto de artistas-na França, mas também na Alemanhacomeçou a olhar seriamente para objetos da África e da Oceania, antes considerados meras“curiosidades” ou artefatos etnográficos sem valor artístico4 . Por muito tempo, essas abordagens foram  \n2 “Santurary in Wood by African Savages: The Root of Modern Art”. In: FLAM, J. ; DEUTCH; M. Primitivism and Twentieth-Century Art: A documentary History. Berkeley: University of California Press, 2003, p. 70 (trad. minha) .  \n3 GUILLAUME, Paul.“African Art at Barnes Foundation”, apud IKKONÉ, Child. From DuBois to Van Vetchen: The Early New Negro Literature, 1903-1926 . Westport: Greenwood Press, 1981, pp. 3-4 (trad. minha) .  \n4 Entre outros, cf. LAUDE, Jean. La peinture française (1905-1914) et \"l'art nègre\". Paris: Editions Klincksieck, 2006. FLAM, Jack,\"Matisse and the Fauves,\" in \"Primitivism\" in Twentieth-Century Art: Affinity of the Tribal and the Modern , ed. William Rubin. New York: Mus","cbCainNYalQiIfVh","https://ap.wps.com/l/cbCainNYalQiIfVh","pdf",217640,11,"Portuguese","# Resumo\n## Narrativas de “descoberta” e construção do modernismo\n## Pronunciamentos de críticos e mediadores (Zayas e Guillaume)\n## Cronologia e disputa entre “descobridores” e outros intérpretes\n## Críticas e revisão de vieses ideológicos e contexto colonial","[{\"question\":\"Qual é o papel das narrativas de “descoberta” da “arte negra” no modernismo europeu?\",\"answer\":\"Essas narrativas foram centrais para construir a autoimagem do modernismo, ora apresentando a “arte negra” como gatilho para invenções plásticas, ora como fonte duradoura de inspiração.\"},{\"question\":\"Como Marius de Zayas caracteriza a “arte negra” e a arte moderna europeia?\",\"answer\":\"Ele inicia a apresentação em termos de arte moderna europeia, sugerindo que, nas pesquisas plásticas, teria sido “descoberta” a arte negra, com destaque para um suposto pioneirismo.\"},{\"question\":\"Quais críticas são discutidas contra a ideia de uma “descoberta” isenta de problemas?\",\"answer\":\"As críticas apontam para vieses ideológicos e autopromoção, além de relacionar a aproximação ao contexto colonial. 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