[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37518-pt":3,"doc-seo-37518-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37518,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Desencantos","“Desencantos” apresenta uma fantasia dramática ambientada em Petrópolis, em um espaço bucólico com jardim e terraço, em que Clara e Luís de Melo dialogam sobre o amor, a sinceridade do sentimento e a duração das paixões. A conversa contrapõe entusiasmo e efemeridade, cita exemplos clássicos (Gonzaga, Heloísa e Abelardo, Píramo e Tisbe, Safo) e discute se a emoção nasce do coração ou de cálculos. A entrada de Pedro Alves amplia o contraste entre ideais sentimentais e julgamentos morais, trazendo tensão intelectual e sentimental ao confronto.","Texto-fonte:  \nTeatro de Machado de Assis, org. de João Roberto Faria, São Paulo: Martins Fontes, 2003.  \nPublicado originalmente por Paula Brito, Rio de Janeiro, 1861.  \nFantasia Dramática  \nA  \nQuintino Bocaiúva  \nPERSONAGENS  \nCLARA DE SOUZA  \nLUÍS DE MELO  \nPEDRO ALVES  \nPRIMEIRA PARTE  \nEm Petrópolis  \n( Um jardim. Terraço no fundo.)  \nCena I  \nCLARA, LUÍS DE MELO  \nCLARA  \nCusta a crer o que me diz. Pois, deveras, saiu aborrecido do baile? LUÍS  \nÉ verdade.  \nCLARA  \nDizem entretanto que esteve animado. . .  \nLUÍS  \nEsplêndido!  \nCLARA  \nEsplêndido, sim!  \nLUÍS  \nMaravilhoso!  \nCLARA  \nEssa é pelo menos a opinião geral. Se eu lá fosse, estou certa de que seria aminha.  \nLUÍS  \nPois eu lá fui e não é essa a minha opinião.  \nCLARA  \nÉ difícil de contentar nesse caso.  \nLUÍSOh! não.  \nCLARA  \nEntão as suas palavras são um verdadeiro enigma.  \nLUÍS  \nEnigma de fácil decifração.  \nCLARA  \nNem tanto.  \nLUÍS  \nQuando se dá preferência a uma flor, à violeta, por exemplo, todo o jardim ondeela não apareça, embora esplêndido, é sempre incompleto.  \nCLARA  \nFaltava então uma violeta nesse jardim? LUÍS  \nFaltava. Compreende agora?  \nCLARA  \nUm pouco LUÍSAinda bem!  \nCLARA  \nVenha sentar-se neste banco de relva, à sombra desta árvore copada. Nada lhefalta para compor um idílio, já que é dado a esse gênero de poesia. Tinha entãomuito interesse em ver lá essa flor?  \nLUÍS  \nTinha. Com a mão na consciência, falo-lhe a verdade; essa flor não é uma predileção do espírito, é uma escolha do coração.  \nCLARA  \nVeja que se trata de uma paixão. Agora compreendo a razão por que não lhe agradou o baile, e o que era enigma, passa a ser a coisa mais natural do mundo. Está absolvido do seu delito.  \nLUÍS  \nBem vê que tenho circunstâncias atenuantes a meu favor.  \nCLARA  \nEntão o Senhor ama? LUÍS  \nLoucamente, e como se pode amar aos vinte e dois anos, com todo o ardor de um coração cheio de vida. Na minha idade o amor é uma preocupação exclusiva, que se apodera do coração e da cabeça. Experimentar outro sentimento, que não seja esse, pensar em outra coisa, que não seja o objeto escolhido pelo coração, é impossível. Desculpe se lhe falo assim...  \nCLARA  \nPode continuar. Fala com um entusiasmo tal, que me fez parecer estar ouvindo algumas das estrofes do nosso apaixonado Gonzaga .  \nLUÍS  \nO entusiasmo do amor é porventura o mais vivo e ardente.  \nCLARA  \nE por isso o menos duradouro. É como a palha que se inflama com intensidade, mas que se apaga logo depois.  \nLUÍS  \nNão aceito a comparação. Pois Deus havia de inspirar ao homem esse sentimento, tão suscetível de morrer assim? Demais, a prática mostra o contrário.  \nCLARA  \nJá sei. Vem falar-me de Heloísa e Abelardo, Píramo e Tisbe, e quanto exemplo a história e a fábula nos dão. Esses não provam. Mesmo porque são exemplos raros,é que a história os aponta. Fogo de palha, fogo de palha e nada mais.  \nLUÍS  \nPesa-me que de seus lábios saiam essas palavras.  \nCLARA  \nPor quê?  \nLUÍS  \nPorque eu não posso admitir a mulher sem os grandes entusiasmos do coração. Chamou-me há pouco de poeta; com efeito eu assemelho-me por esse lado aos filhos queridos das musas. Esses imaginam a mulher um ente intermediário que separa os homens dos anjos e querem-na participante das boas qualidades de unse de outros. Dir-me-á que se eu fosse ag iota não pensaria assim; eu responderei que não são os agiotas os que têm razão neste mundo.  \nCLARA  \nIsso é que é ver as coisas através de um vidro de cor. Diga-me: sente deveras o que diz a respeito do amor, ou está fazendo uma profissão de fé de homem político?  \nLUÍS  \nPenso e sinto assim.  \nCLARA  \nDentro de pouco tempo verá que tenho razão.  \nLUÍS  \nRazão de quê?  \nCLARA  \nRazão de chamar fogo de palha ao fogo que lhe devora o coração. LUÍS  \nEspero em Deus que não.  \nCLARA  \nCreia que sim .  \nLUÍS  \nFalou-me há pouco em fazer um idílio, e eu estou com desejos de compor uma ode sáfica.  \nCLARA  \nA que respeito? LUÍS  \nRespeito à crueldade das violetas.  \nCLARA  \nE depois ia ","cbCaivxW8OfywJql","https://ap.wps.com/l/cbCaivxW8OfywJql","pdf",123070,1,47,"Portuguese","pt",112,"# Primeira Parte\n## Cena I\n## Cena II","[{\"question\":\"Qual é o tema central do diálogo entre Clara e Luís de Melo?\",\"answer\":\"O diálogo gira em torno do amor e da paixão: Clara interpreta a atitude de Luís como sinal de um sentimento verdadeiro e discute a duração e a intensidade do entusiasmo amoroso.\"},{\"question\":\"Como Luís de Melo relaciona a escolha da violeta ao amor?\",\"answer\":\"Luís afirma que a flor não é preferência do espírito, mas escolha do coração, associando o gosto pelas violetas a uma paixão concreta e sincera.\"},{\"question\":\"Que função a entrada de Pedro Alves cumpre na peça?\",\"answer\":\"Pedro Alves introduz uma postura crítica e distanciada, questionando os valores morais e a utilidade das conversas, o que intensifica o contraste entre idealização sentimental e juízo racional.\"}]",1783052296,72,{"code":4,"msg":30,"data":31},"ok",{"site_id":24,"language":23,"slug":32,"title":13,"keywords":33,"description":14,"schema_data":34,"social_meta":85,"head_meta":87,"extra_data":89,"updated_unix":27},"desencantos","",{"@graph":35,"@context":84},[36,53,67],{"@type":37,"itemListElement":38},"BreadcrumbList",[39,43,47,50],{"item":40,"name":41,"@type":42,"position":20},"https://docshare.wps.com","Home","ListItem",{"item":44,"name":45,"@type":42,"position":46},"https://docshare.wps.com/pt/document/","Document",2,{"item":48,"name":12,"@type":42,"position":49},"https://docshare.wps.com/pt/document/literatura/",3,{"item":51,"name":13,"@type":42,"position":52},"https://docshare.wps.com/pt/document/desencantos/37518/",4,{"url":51,"name":13,"@type":54,"author":55,"headline":13,"publisher":57,"fileFormat":60,"inLanguage":23,"description":14,"dateModified":61,"datePublished":61,"encodingFormat":60,"isAccessibleForFree":62,"interactionStatistic":63},"DigitalDocument",{"name":9,"@type":56},"Person",{"url":40,"name":58,"@type":59},"DocShare","Organization","application/pdf","2026-07-03",true,{"@type":64,"interactionType":65,"userInteractionCount":4},"InteractionCounter",{"@type":66},"ViewAction",{"@type":68,"mainEntity":69},"FAQPage",[70,76,80],{"name":71,"@type":72,"acceptedAnswer":73},"Qual é o tema central do diálogo entre Clara e Luís de Melo?","Question",{"text":74,"@type":75},"O diálogo gira em torno do amor e da paixão: Clara interpreta a atitude de Luís como sinal de um sentimento verdadeiro e discute a duração e a intensidade do entusiasmo amoroso.","Answer",{"name":77,"@type":72,"acceptedAnswer":78},"Como Luís de Melo relaciona a escolha da violeta ao amor?",{"text":79,"@type":75},"Luís afirma que a flor não é preferência do espírito, mas escolha do coração, associando o gosto pelas violetas a uma paixão concreta e sincera.",{"name":81,"@type":72,"acceptedAnswer":82},"Que função a entrada de Pedro Alves cumpre na peça?",{"text":83,"@type":75},"Pedro Alves introduz uma postura crítica e distanciada, questionando os valores morais e a utilidade das conversas, o que intensifica o contraste entre idealização sentimental e juízo racional.","https://schema.org",{"og:url":51,"og:type":86,"og:title":13,"og:site_name":58,"og:description":14},"article",{"robots":88,"canonical":51},"index,follow",{"doc_id":7,"site_id":24}]