[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37513-pt":3,"doc-seo-37513-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37513,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",26,"Contos e Romances","Contos Fluminenses","Contos Fluminenses reúne narrativas de Machado de Assis, com foco na construção irônica de personagens e no jogo entre expectativas do leitor e a realidade dos fatos. No trecho apresentado, a introdução de “Miss Dollar” desconstrói sucessivamente estereótipos de heroínas românticas, enquanto o enredo revela que a figura central é uma cadelinha galga, procurada por recompensa anunciada em jornal. A narrativa segue com o capítulo que explica o colecionismo canino do Dr. Mendonça e seu apego afetivo aos cães.","Contos Fluminenses  \nTexto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, vol. II, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.  \nPublicado originalmente pela Editora Garnier, Rio de Janeiro, em 1870.  \nÍNDICE  \nMISS DOLLAR  \nLUÍS SOARES  \nA MULHER DE PRETO  \nO SEGREDO DE AUGUSTA  \nCONFISSÕES DE UMA VIÚVA MOÇA  \nLINHA RETA E LINHA CURVA  \nFREI SIMÃO  \nMISS DOLLAR  \nÍNDICE  \nCAPÍTULO PRIMEIRO  \nCAPÍTULO II  \nCAPÍTULO III  \nCAPÍTULO IV  \nCAPÍTULO V  \nCAPÍTULO VI  \nCAPÍTULO VII  \nCAPÍTULO VIII  \nCAPÍTULO PRIMEIRO  \nEra conveniente ao romance que o leitor ficasse muito tempo sem saber quem era Miss Dollar. Mas por outro lado, sem a apresentação de Miss Dollar, seria o autor obrigado a longas digressões, que encheriam o papelsem adiantar a ação. Não há hesitação possível: vou apresentar-lhes Miss Dollar.  \nSe o leitor é rapaz e dado ao gênio melancólico, imagina que Miss Dollar é uma inglesa pálida e delgada, escassa de carnes e de sangue, abrindo à flor do rosto dois grandes olhos azuis e sacudindo ao vento umas longastranças loiras. A moça em questão deve ser vaporosa e ideal como uma criação de Shakespeare; deve ser o contraste do roastbeef britânico, com que se alimenta a liberdade do Reino Unido. Uma tal Miss Dollar deve ter o poeta Tennyson de cor e ler Lamartine no original; se souber o portuguêsdeve deliciar-se com a leitura dos sonetos de Camões ou os Cantos de Gonçalves Dias. O chá e o leite devem ser a alimentação de semelhante criatura, adicionando-se-lhe alguns confeitos e biscoitos para acudir àsurgências do estômago. A sua fala deve ser um murmúrio de harpa eólia;  \no seu amor um desmaio, a sua vida uma contemplação, a sua morte um suspiro.  \nA figura é poética, mas não é a da heroína do romance.  \nSuponhamos que o leitor não é dado a estes devaneios e melancolias; nesse caso imagina uma Miss Dollar totalmente diferente da outra. Destavez será uma robusta americana, vertendo sangue pelas faces, formasarredondadas, olhos vivos e ardentes, mulher feita, refeita e perfeita. Amiga da boa mesa e do bom copo, esta Miss Dollar preferirá um quartode carneiro a uma página de Longfellow, coisa naturalíssima quando o estômago reclama, e nunca chegará a compreender a poesia do pôr-dosol. Será uma boa mãe de família segundo a doutrina de alguns padresmestres da civilização, isto é, fecunda e ignorante.  \nJá não será do mesmo sentir o leitor que tiver passado a segunda mocidade e vir diante de si uma velhice sem recurso. Para esse, a Miss Dollar verdadeiramente digna de ser contada em algumas páginas, seria uma boa inglesa de cinqüenta anos, dotada com algumas mil libras esterlinas, e que, aportando ao Brasil em procura de assunto para escreverum romance, realizasse um romance verdadeiro, casando com o leitoraludido. Uma tal Miss Dollar seria incompleta se não tivesse óculos verdes  \ne um grande cacho de cabelo grisalho em cada fonte. Luvas de rendabranca e chapéu de linho em forma de cuia, seriam a última demão deste magnífico tipo de ultramar.  \nMais esperto que os outros, acode um leitor dizendo que a heroína do romance não é nem foi inglesa, mas brasileira dos quatro costados, e que o nome de Miss Dollar quer dizer simplesmente que a rapariga é rica.  \nA descoberta seria excelente, se fosse exata; infelizmente nem esta nemas outras são exatas. A Miss Dollar do romance não é a menina romântica, nem a mulher robusta, nem a velha literata, nem a brasileira rica. Falhadesta vez a proverbial perspicácia dos leitores; Miss Dollar é uma cadelinhagalga.  \nPara algumas pessoas a qualidade da heroína fará perder o interesse do romance. Erro manifesto. Miss Dollar, apesar de não ser mais que uma cadelinha galga, teve as honras de ver o seu nome nos papéis públicos, antes de entrar para este livro. O Jornal do Comércio e o Correio Mercantil publicaram nas colunas dos anúncios as seguintes linhas reverberantes depromessa:  \nDesencaminhou-se uma cadelinha galga, na noite de ontem, 30. Acode ao nome de Miss Dollar. Quem a achou e quiser levar à Rua de Mat","cbCainkRsSEHmEZ0","https://ap.wps.com/l/cbCainkRsSEHmEZ0","pdf",539971,1,164,"Portuguese","pt",112,"# MISS DOLLAR\n## CAPÍTULO PRIMEIRO\n## CAPÍTULO II\n## CAPÍTULO III\n## CAPÍTULO IV\n## CAPÍTULO V\n## CAPÍTULO VI\n## CAPÍTULO VII\n## CAPÍTULO VIII\n# LUÍS SOARES\n# A MULHER DE PRETO\n# O SEGREDO DE AUGUSTA\n# CONFISSÕES DE UMA VIÚVA MOÇA\n# LINHA RETA E LINHA CURVA\n# FREI SIMÃO","[{\"question\":\"Quem é Miss Dollar no romance, segundo a narrativa?\",\"answer\":\"Miss Dollar não corresponde aos tipos esperados como heroína romântica ou mulher rica; trata-se de uma cadelinha galga. O texto confirma isso ao mostrar o anúncio de jornal oferecendo recompensa por sua captura.\"},{\"question\":\"Como o autor apresenta a personagem Miss Dollar aos leitores?\",\"answer\":\"O narrador explica que seria necessário que o leitor soubesse demoradamente quem ela é, mas evita longas digressões e decide apresentá-la diretamente. 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