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O texto evoca o cenário do Solar dos Pimentéis em Castelo Branco (Mogadouro) e descreve a ligação do casal ao espaço, entre cartas, telefonemas e memórias. 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MOGADOURO setº 2008  \nSOLAR DOS PIMENTÉIS EM CASTELO BRANCO (MOGADOURO) CASTELO DEMOGADOURO ANOS 80  \nAs únicas férias em que não fui a Trás-os-Montes coincidiram com os doisanos finais do curso liceal.  \nTinha começado a namorar mais seriamente aos 16 com alguém que a família nãoconsiderava compatível com os seus pergaminhos. Vivia bem longe. Correspondiam-se àsescondidas pois a jovem era seis anos mais velha. As missivas iam para casa doutrem eescondidas em locais mais ou menos difíceis de descobrir. Até um dia em que o meu paidescobrira os tacos do parqué desequilibrados e ali destapara epístolas de quentes confissõesamorosas. Namoro condenado.  \nEu no liceu e ela na Faculdade de Letras em Coimbra. Uma paixão anormal. Eu não o via assim. Obviamente, sentia-me o maior. Bom para a imagem, para o ego e sabe-se lá para quemais. Havia outro fator contra, era prima direita das minhas primas do Azinhoso, cuja únicavocação na vida era fazer riquezas e multiplicá-las. Constavam coisas, boatos, intrigas e escárnio. Boas razões para continuaro namoro com a oposição dos pais e da prima.  \nUma vez, estava eu de férias na Eucísia e ela fora, de carro de praça (táxi), visitar-me. Demorava mais de duas horas de Mogadouro na velha estrada que passava pela hoje desaparecida Ponte de Remondes, e custava um balúrdio.  \nHavia telefonemas infindáveis, cartas diárias, o gosto e incentivo pelos escritos poéticos do adolescente. Vivia ela no então ainda em pé e imponente, mas atualmente decrépito earruinado Solar dos Pimentéis1 [https://www.youtube.com/watch?v=WW_I7e2vjwg](https://www.youtube.com/watch?v=WW_I7e2vjwg) ,o edifício é em  \n1 O Solar dos Pimentéis é uma residência solarenga barroca com o frontispício dividido em três corpos, separados por pilastras de capitel coríntio. No corpo principal tem uma porta verga reta, sobre a qualse rasga uma janela com frontão. Por cima da cornija existe um terceiro registo, onde se inscreve obrasão dos Pimentéis, com coroa no timbre, timbre este que se inscreve num frontão semicircular. Tema ladear o brasão duas bandeiras e palmas, ladeadas por sua vez por janelas. O segundo corpo tem uma escadaria de granito que dá acesso a um alpendre em ruínas. Acesso: EN 221, 5 km depois de Mogadouro, em direção de Moncorvo. Proteção: Imóvel de Interesse Público, Dec. nº 2/96, DR 56 de 6 março 1996. Apresenta planta retangular. A imponente fachada, articulada com largas pilastras, debases pesadas e muito salientes, é comum para a região e a época (segunda metade do século XVIII) . Este período construtivo é indicado particularmente pelas molduras das janelas, que ostentamparapeitos de brincos e remate ondulado, elementos caraterísticos do barroco. O imóvel possui acuriosidade de possuir 365 portas e janelas, uma por cada dia do ano.  \nA fachada central conserva, entre duas janelas, o grande brasão, magnífica peça heráldica.  \nOs cumes que coroam a casa indicam uma época bastante avançada para a construção civil.  \nHá indícios de que os espaços verdes circundantes seriam similares aos do Palácio de Mateus em Vila Real.  \nConsiderado uma das maiores residências nobres trasmontanas, o antigo solar da família Pimentel é uma construção que remonta, muito possivelmente, à segunda metade do século XVIII, inscrevendose na tipologia mais comum da arquitetura solarenga setecentista, mas denunciando, nos elementos decorativos e recortes das molduras dos vãos, uma linguagem rococó (AZEVEDO, 1969, p. 127) . De planta retangular, a casa pauta-se por um desenvolvimento horizontal, ainda que equilibradopelos eixos verticais formados pelas pilastras dos cunhais, coroadas por pináculos, pelas pilastras de capitéis coríntios que dividem a fachada em três corpos, e pela articulação porta-janela que seobserva ao centro de cada um dos panos do alçado principal. Estas composições parecem \"substituir\"as pilastras, pois respeitam uma configuração idêntica na sua ligação à cornija. 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