[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37505-pt":3,"doc-seo-37505-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37505,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Bons Dias!","“Bons dias!” apresenta uma sequência de entradas em forma de diálogo direto com o leitor, iniciadas por um ritual de cortesia e desdobradas em reflexões irônicas sobre ausência de “programa”, vida política e interpretações religiosas. O narrador, identificado como relojoeiro, contrasta a esperança de alinhamento entre versões do tempo e a discordância real dos relógios, usando essa metáfora para questionar partidos e discursos. Em maio, a doença e a impossibilidade de cumprir planos políticos reforçam o tom satírico, culminando em trocas cifradas sobre arranjos partidários do Ceará.","Texto-fonte:  \nObra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, Vol. III, 1994.  \nPublicado originalmente na Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, de 05/04/1888 a 29/08/1889 .  \n1888  \n5 de abril  \nBons dias!  \nHão de reconhecer que sou bem criado. Podia entrar aqui, chapéu à banda, e ir logo dizendo o que me parecesse; depois ia-me embora, para voltar na outra semana. Mas, não senhor; chego à porta, e o meu primeiro cuidado é dar-lhe os bons dias. Agora, se o leitor não me disser a mesma coisa, em resposta, é porque é um grande malcriado, um grosseirão de borla e capelo; ficando, todavia, entendido que há leitor e leitor, e que eu, explicando-me com tão nobre franqueza, não me refiro ao leitor, que está agora com este papel na mão, mas ao seu vizinho. Ora bem!  \nFeito esse cumprimento, que não é do estilo, mas é honesto, declaro que nãoapresento programa . Depois de um recente discurso proferido no Beethoven, achoperigoso que uma pessoa diga claramente o que é que vai fazer; o melhor é fazer calado. Nisto pareço-me com o príncipe (sempre é bom parecer-se a gente com príncipes, em alguma coisa, dá certa dignidade, e faz lembrar um sujeito muito alto e louro, parecidíssimo com o Imperador, que há cerca de trinta anos ia atodas as festas da Capela Imperial, pour étonner de bourgeois ; os fiéis levavam aolhar para um e para outro, e a compará-los, admirados, e ele teso, grave, movendo a cabeça à maneira de Sua Majestade. São gostos) de Bismark. Opríncipe de Bismark tem feito tudo sem programa público; a única orelha que oouviu, foi a do finado Imperador,— e talvez só a direita, com ordem de o nãorepetir à esquerda. O Parlamento e o país viram só o resto.  \nDeus fez programa, é verdade (\"E Deus disse: Façamos o homem à nossa imageme semelhança, para que presida\", etc. Gênesis, I, 26); mas é preciso ler esse programa com muita cautela. Rigorosamente, era um modo de persuadir ao homem a alta linhagem de seu nariz . Sem aquele texto, nunca o homem atribuiria ao Criador, nem a sua gaforinha, nem a sua fraude. É certo que a fraude, e, arigor, a gaforinha são obras do Diabo, segundo as melhores interpretações; masnão é menos certo que essa opinião é só dos homens bons; os maus crêem-se filhos do Céu — tudo por causa do versículo da Escritura.  \nPortanto, bico calado. No mais é o que se está vendo; cá virei uma vez por semana, com o meu chapéu na mão, e os bons dias na boca. Se lhes disser desde já, que não tenho papas na língua, não me tomem por homem despachado, que vem dizer coisas amargas aos outros. Não, senhor; não tenho papas na língua, e é  \npara vir a tê-las que escrevo . Se as tivesse, engolia-as e estava acabado. Mas aqui está o que é; eu sou um pobre relojoeiro, que, cansado de ver que os relógiosdeste mundo não marcam a mesma hora, descri do ofício. A única explicação dos relógios era serem iguaizinhos, sem discrepância; desde que discrepam, fica-se sem saber nada, porque tão certo pode ser o meu relógio, como o do meubarbeiro .  \nUm exemplo. O Partido Liberal, segundo li, estava encasacado e pronto para sair, com o relógio na mão, porque a hora pingava. Faltava-lhe só o chapéu, que seria o chapéu Dantas, ou o chapéu Saraiva (ambos da chapelaria Aristocrata); era só pô-lo na cabeça, e sair. Nisto passa o carro do paço com outra pessoa, e ele descobre que ou o seu relógio está adiantado, ou o de Sua Alteza é que seatrasara. Quem os porá de acordo?  \nFoi por essas e outras que descri do oficio; e, na alternativa de ir à fava ou serescritor, preferi o segundo alvitre; é mais fácil e vexa menos. Aqui me terão, portanto, com certeza até à chegada do Bendegó, mas provavelmente até à escolha do Sr. Guaí, e talvez mais tarde. Não digo mais nada para os nãoaborrecer, e porque já me chamaram para o almoço.  \nTalvez o que aí fica, saia muito curtinho depois de impresso. Como eu não tenhohábito de periódicos, não posso calcular entre a letra de mão e a letra de forma. Se aqui estivesse o meu amigo Fulano (não ponho o nome,","cbCaitow0lG8rya4","https://ap.wps.com/l/cbCaitow0lG8rya4","pdf",195056,1,43,"Portuguese","pt",112,"# Bons dias!\n## Cumprimento e recusa de programa\n## Metáfora dos relógios\n## Doença e planos frustrados\n## Conversas sobre partidos do Ceará","[{\"question\":\"Por que o narrador começa com a expressão “bons dias” e como ele trata a relação com o leitor?\",\"answer\":\"Ele ironiza a formalidade do cumprimento e a expectativa de resposta do leitor, deixando claro que seu comentário não se dirige literalmente ao leitor do papel, mas ao “vizinho”. A cortesia vira pretexto para estabelecer um tom confessional e satírico.\"},{\"question\":\"O que significa a metáfora do relojoeiro e da discordância entre os relógios?\",\"answer\":\"O narrador afirma que os relógios do mundo não marcam a mesma hora e que, quando há discrepância, fica impossível saber o “certo”. 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