[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37504-pt":3,"doc-seo-37504-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37504,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Balas de Estalo","“Balas de Estalo” reúne textos de Machado de Assis publicados originalmente na Gazeta de Notícias entre 02/07/1883 e 04/01/1886, refletindo sobre temas de medicina, liberdade individual e críticas a práticas de cura, como a dosimetria, a alopatia, a homeopatia e o ecletismo. O texto discute implicações éticas do uso de doses exatas versus a “liberdade de medicarse”, introduz analogias religiosas e históricas e conclui com recomendações satíricas para o convívio em bondes, organizadas em regras numeradas.","Texto-fonte:  \nObra Completa de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, Vol. III, 1994.  \nPublicado originalmente na Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, de 02/07/1883 a 04/01/1886 .  \n1883  \n2 de julho  \nSabe-se que a Sociedade Portuguesa de Beneficência acaba de abrir uma enfermaria à medicina dosimétrica. Este é o nome, creio eu; e não há por onde trocar os nomes às coisas, que já os trazem de nascença.  \nMas não basta abrir enfermarias; é útil explicá-las. Se a dosimetria quer dizer que os remédios dados em doses exatas e puras curam melhor ou mais radicalmente, ou mais depressa, é, na verdade, grande crueza privar os restantes enfermos detão excelso benefício. Uns ficarão meio curados, ou mal curados, outros sairão dali lestos e pimpões; e isto não parece justo.  \nNote-se bem que eu não ignoro que os doentes, por estarem doentes, não perdemo direito à liberdade; mas, entendamo-nos: é a liberdade do voto, a liberdade deconsciência, a liberdade de testar, a liberdade do ventre, (teoria Lulu Sênior); porum sentimento de compaixão, a liberdade de descompor. Mas, no que toca aos medicamentos, não! Concedo que o doente possa escolher entre a alopatia e a homeopatia, porque são dois sistemas,— ou duas escolas,— a escola cadavérica (versão Maximiano) e a escola aquática. Mas não tratando a dosimetria senão da perfeita composição dos remédios, não há para o doente, a liberdade de medicarse mal. Ao contrário, este era o caso de aplicar o velho grito muçulmano: — crê ou morre.  \nSe, ao menos, a própria dosimetria permitisse o uso de ambos os modos, as doses bem medidas, e as doses mal medidas, tinha a enfermaria uma explicação. E não seria absurdo. Conheci um médico, que dava alopatia aos adultos, e homeopatia às crianças, e explicava esta aparente contradição com uma resposta épica de ingenuidade: — para que hei de martirizar uma pobre criança? A própria homeopatia, quando estreou no Brasil, teve seus ecléticos; entre eles, o Dr. R. Torres e o Dr. Tloesquelec, segundo afirmou em tempo (há quarenta anos) o Dr. João V. Martins, que era dos puros. Os ecléticos tratavam os doentes, \"como aeles aprouvesse\" . É o que imprimia então o chefe dos propagandistas.  \nMas a dosimetria é contrária a esses tristes recursos. Parece mesmo que esta nova religião ainda não passou do vers. 18, cap. IV, de São Mateus, que é o lugar em que Jesus chama os primeiros apóstolos, Pedro e André: \"Vinde após mim, efarei que sejais pescadores de homens\". Não há ainda tempo de ter hereges nemcismáticos: está nas primeiras pescas de doentes.  \nO único ponto em que a escola dosimétrica se parece com a homeopática é na facilidade que dá ao doente de tratar-se a si mesmo; mas isto não quer dizer que tenha de cair no mesmo abuso do ecletismo. Quer dizer que a ciência, como todasas moedas, tem seus trocos miúdos. Dois amigos meus andam munidos de caixasdosimétricas; ingerem isto ou aquilo, conforme um papelinho impresso, que trazem consigo. Levam a saúde nas algibeiras, chegam mesmo a distribuí-la aos amigos.  \nLá que isto seja novo, é o que nego redondamente. O autor destas vulgarizaçõesparece ser um certo Asclepíades, contemporâneo de Pompeu. Esse cavalheiro era mestre de eloqüência; mas sentindo em si outros talentos, estudou a medicina, criou uma arte nova, e anunciou cinco modos de cura aplicáveis a todas as enfermidades. Estão ouvindo? Cinco, nem mais uma pílula para remédio. Essasdrogas eram: dieta, abstinência de vinho, fricções, exercício a pé e passeios deliteira. Cada um sentia que podia medicar-se a si próprio, escreve Plínio,— e oentusiasmo foi geral. Tal qual a homeopatia e a dosimetria. Nem uma nem outra tocou ao sublime daquele Asclepíades, que, segundo o mesmo autor, encontrandoo saimento de um desconhecido, fez com que o inculcado morto não fosse deitado à fogueira, levou-o consigo e curou-o; mas, em suma, aguardemos o primeirofreguês que a escola cadavérica remeter para a Jurujuba.  \nVoltando ao ponto, espero que a direção da Beneficência ate","cbCaisbLMJ1Jg4Py","https://ap.wps.com/l/cbCaisbLMJ1Jg4Py","pdf",354500,1,62,"Portuguese","pt",112,"# Balas de Estalo\n## Enfermaria dosimétrica e liberdade do doente\n## Medicamentos, alopatia e homeopatia\n## Satirização de regras para passageiros de bondes","[{\"question\":\"Qual é a crítica principal ao modelo da enfermaria dosimétrica?\",\"answer\":\"A dosimetria é tratada como um recurso que pode beneficiar alguns pacientes enquanto priva outros de um “benefício” prometido, gerando injustiça ao reduzir a liberdade prática no tratamento medicamentoso.\"},{\"question\":\"Como o texto contrapõe a dosimetria ao ecletismo e à ideia de escolha do doente?\",\"answer\":\"O autor concede que o doente possa escolher entre alopatia e homeopatia, mas argumenta que, quando a dosimetria regula apenas a composição e a medida das doses, não existe liberdade para “medicar-se mal”, nem para usar doses de modo arbitrário.\"},{\"question\":\"O que representam as “regras para uso dos que freqüentam bondes”?\",\"answer\":\"São prescrições satíricas, em artigos numerados, sobre comportamentos dos passageiros (como tosse, posição das pernas, leitura de jornais e uso de quebra-queixos), visando organizar o convívio em um meio de locomoção democrático.\"}]",1783052247,95,{"code":4,"msg":30,"data":31},"ok",{"site_id":24,"language":23,"slug":32,"title":13,"keywords":33,"description":14,"schema_data":34,"social_meta":85,"head_meta":87,"extra_data":89,"updated_unix":27},"balas-de-estalo","",{"@graph":35,"@context":84},[36,53,67],{"@type":37,"itemListElement":38},"BreadcrumbList",[39,43,47,50],{"item":40,"name":41,"@type":42,"position":20},"https://docshare.wps.com","Home","ListItem",{"item":44,"name":45,"@type":42,"position":46},"https://docshare.wps.com/pt/document/","Document",2,{"item":48,"name":12,"@type":42,"position":49},"https://docshare.wps.com/pt/document/literatura/",3,{"item":51,"name":13,"@type":42,"position":52},"https://docshare.wps.com/pt/document/balas-de-estalo/37504/",4,{"url":51,"name":13,"@type":54,"author":55,"headline":13,"publisher":57,"fileFormat":60,"inLanguage":23,"description":14,"dateModified":61,"datePublished":61,"encodingFormat":60,"isAccessibleForFree":62,"interactionStatistic":63},"DigitalDocument",{"name":9,"@type":56},"Person",{"url":40,"name":58,"@type":59},"DocShare","Organization","application/pdf","2026-07-03",true,{"@type":64,"interactionType":65,"userInteractionCount":4},"InteractionCounter",{"@type":66},"ViewAction",{"@type":68,"mainEntity":69},"FAQPage",[70,76,80],{"name":71,"@type":72,"acceptedAnswer":73},"Qual é a crítica principal ao modelo da enfermaria dosimétrica?","Question",{"text":74,"@type":75},"A dosimetria é tratada como um recurso que pode beneficiar alguns pacientes enquanto priva outros de um “benefício” prometido, gerando injustiça ao reduzir a liberdade prática no tratamento medicamentoso.","Answer",{"name":77,"@type":72,"acceptedAnswer":78},"Como o texto contrapõe a dosimetria ao ecletismo e à ideia de escolha do doente?",{"text":79,"@type":75},"O autor concede que o doente possa escolher entre alopatia e homeopatia, mas argumenta que, quando a dosimetria regula apenas a composição e a medida das doses, não existe liberdade para “medicar-se mal”, nem para usar doses de modo arbitrário.",{"name":81,"@type":72,"acceptedAnswer":82},"O que representam as “regras para uso dos que freqüentam bondes”?",{"text":83,"@type":75},"São prescrições satíricas, em artigos numerados, sobre comportamentos dos passageiros (como tosse, posição das pernas, leitura de jornais e uso de quebra-queixos), visando organizar o convívio em um meio de locomoção democrático.","https://schema.org",{"og:url":51,"og:type":86,"og:title":13,"og:site_name":58,"og:description":14},"article",{"robots":88,"canonical":51},"index,follow",{"doc_id":7,"site_id":24}]