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Se alguém já escreveu algum manual de como fazê -lo? Sim, muitos, vários disponíveis em seções de livrarias, etiqueta-das . Existe um livro bem grosso, que nos contam, foi ditado, que não só funciona como um manual, mas como prognóstico, diagnóstico, prescrição. Não que as pessoas deixem de encontrar ali sentido e que com isso busquem pertencimento. Não que isso seja errado. Não que isso seja raro. Porém, não é disso que estamos falando. Queremos encontrar outras bibliotecas, com outros livros, com outras imagens, com outras coisas e seres, ainda, talvez, nem vistos, quiçá imaginados . Queremos que tu abras mundos . Vamos começar pela evidência de que esses mun-dos não terão portas, portanto não nos preocupemos com chaves, cadeados, nem com chaveiros . Arrombar os mundos é típico de um jeito que já conhecemos pela História . Arrombar mundos é típico de quem chega fincando uma cruz no chão eoutra no peito das gentes . Como é possível aprender com o sangue derramado, sa-bemos, e como sabemos, sabemos com o âmago do corpo em pesadelo, que abrirnão pode significar, como já dissemos, arrombar, invadir, matar, administrar elucrar. Então, abrir tem que ser de outra ordem, para outro rumo, com cuidadoe com tempo. Então abrir tem que ser também uma ação que nos coloque entre outros mundos já existentes . Então abrir irá nos exigir mais do que uma imagemum pouco míope ou estigmática de onde estamos . Então abrir terá que nos fazer levar a sério os sonhos que não se sonham sós . Então abrir será uma condução, um passo, depois de mais um passo, sem um lado indicado numa linha reta, mes-mo que se esteja com os dois pés cravados nessa linha . Então abrir terá que nos fazer sentir as análises do que nos envolve para além do imediato, do apalpável, do que nos querem dar na mão como substituto de um chocalho que não soa mais, não faz bailar, só distrai. Para abrirmos o mundo e depois chegarmos em outros mundos com permissões não mais abstratas, mas, sim, das gentes e dos bichos e dos seres dos mundos, teremos que ter responsabilidade e coragem . Coragem deenfrentar todos os ditos, sempre reditos, que vieram sabe-se-lá ao certo de que espaço e de que tempo. Teremos que entender quem faz o quê com os manuaise, poderemos responder, por que não, com roteiros, já sabemos disso de algum manifesto antropófago de outro século. Não se trata de abrir como se fosse umalata de massa de tomate, talvez tenha a ver com plantar tomates ou saber com quem planta tomates, como um tomate também vive antes de ser comido. Porque queremos comida, diversão e arte, queremos abrir o que nos fecha na clausura da marcha, do machado, do bruto mando.  \nPorto Alegre, outubro de 2022 .","cbCaiuPz5q5DYfhY","https://ap.wps.com/l/cbCaiuPz5q5DYfhY","pdf",1393333,"Portuguese","# Abertura de mundos\n## Recusa do manual e do prognóstico\n## Abrir sem invadir\n## Responsabilidade, coragem e sonhos\n## Desejo de comida, diversão e arte","[{\"question\":\"O texto defende o que significa “abrir mundos”?\",\"answer\":\"“Abrir” é apresentado como uma ação de outra ordem, que não envolve arrombar, invadir ou matar. Trata-se de uma condução entre mundos já existentes, com cuidado e tempo.\"},{\"question\":\"Por que o texto critica os “manuais” e os livros bem comuns?\",\"answer\":\"Porque há muitos guias que funcionam como prognóstico, diagnóstico e prescrição, mas isso não é o centro da proposta do autor. 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