[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-37500-pt":3,"doc-seo-37500-112":29},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":4,"is_deleted":4,"is_public":20,"is_downloadable":20,"audit_status":20,"page_count":21,"language":22,"language_code":23,"site_id":24,"html_lang":23,"table_of_contents":25,"faqs":26,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":27,"read_time":28},37500,5909877438554,"Maeve","https://ap-avatar.wpscdn.com/avatar/5600025385ad2bf12a7?_k=1778553567797529272",27,"Literatura","Ao Acaso (Crônicas da Semana)","“Ao Acaso (Crônicas da Semana)” reúne crônicas publicadas no Diário do Rio de Janeiro, refletindo sobre o papel do folhetim como apostolado urbano: leva a palavra da “verdade” sem os riscos atribuídos a apóstolos históricos. O texto acompanha a reconciliação do Barão de S. Lourenço com as musas após um discurso parlamentar, discute a correção/edição de falas impressas e satiriza o custo da fama de bom humor. A crônica amplia o olhar do parlamento para o provincial ao narrar a chegada do corpo de João Francisco Lisboa ao Maranhão.","Ao Acaso  \n(Crônicas da Semana)  \nTexto-fonte:  \nObra Completa, Machado de Assis, Rio de Janeiro: Edições W. M. Jackson,1937 .  \nPublicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, de 12/06/1864 a 16/05/1865 .  \n12 DE JUNHO DE 1864.  \nTambém o folhetim tem cargo de almas.  \nÉ apóstolo e converte.  \nFácil apostolado, é certo. Não há terras inóspitas ou áridos desertos, aonde levar a palavra daverdade; nem se corre o risco de ser decapitado, como S. Paulo, ou crucificado, como S. Pedro.  \nÉ um apostolado garantido pela polícia, feito em plena sociedade urbana. Em vez de pisar areiasardentes ou subir por montanhas escalvadas, tenho debaixo dos pés um assoalho sólido, quatro paredes dos lados e um teto que nos abriga do orvalho da noite e das pedradas dos garotos. E porcúmulo de garantia ouço os passos da ronda que vela pela tranqüilidade do quarteirão.  \nÉ cômodo, e nem por isso deixa de ser glorioso.  \nDeste modo o folhetim faz de ânimo alegre o seu apostolado. Entra em todo o lugar, por mais grave esério que seja. Entra no senado, como S. Paulo entrava no areópago, e aí levanta a voz em nome daverdade, fala em tom ameno e fácil, em frase ligeira e chistosa, e no fim do discurso tem conseguido, também como S. Paulo, uma conversão.  \nO Sr. Barão de S. Lourenço foi o meu Dionísio.  \nS. Excia. veio reconciliar-se com as musas.  \nFoi para isso que ocupou a tribuna terça-feira passada, e tão francamente o fez que se dignou responder indiretamente aos períodos que lhe consagrei no folhetim de domingo.  \nÉ verdade que o meio, empregado pelo ilustre senador, foi um meio já sediço no parlamento. S. Excia. explicou-se. Não se deu por vencido; achou que o interpretei mal, e veio explicar o sentido das suaspalavras. Seja como for explicar um erro é sempre honroso.  \nS. Excia. alegou que não desconhece aptidão nas musas para os cargos públicos; e que os reparos feitos tinham por fim somente poupá-las para que elas possam conservar o brilho. Quer que os poetassejam aproveitados, mas não quer que a circunstância de conversar com as musas seja suficiente paradar-lhes recomendação.  \nE acrescentou ainda que as musas não podem pensar mal de S. Excia., visto que S. Excia. tambémpossui estro, faltando-lhe somente o talento da rima.  \nO ilustre senador lamentou também que eu lhe profetizasse a ausência dos poetas na ocasião em que S. Excia. partir desta para a melhor. Enfim (para terminar a parte do discurso que me toca) S. Excia. sentiu que, com o seu discurso, ficassem as musas assanhadas.  \nEsta última expressão causaria estranheza se não fosse transparente o fim com que o ilustre barão aempregou. Pareceu-lhe engraçada, e S. Excia. não pôde conter-se: soltou-a. S. Excia. adquiriu já uma fama de bom humor e deseja conservá-la a todo o custo.  \nMais adiante ei de mostrar o custo desta fama.  \nMas, sinceramente ou não, é certo que o ilustre senador veio reconciliar-se com as musas. As musasnão são intolerantes e recebem com galhardia as explicações parlamentares. Pode ficar certo o ilustre senador de que há mais alegria no Parnaso por um pecador que se arrepende, do que por um justo que nunca pecou.  \nO folhetim aplaude-se com a conversão.  \nO sentimento de contrição do ilustre senador já se havia revelado antes, por meio de uma correçãozinha feita no discurso que se publicou segunda-feira passada.  \nÉ o que há de ficar impresso.  \nEste meio de corrigir — alterando ou suprimindo — é muito do uso de alguns oradores. Será útil que acivilização acabe com esse uso de andar de jaqueta diante dos contemporâneos e aparecer de casaca à posteridade.  \nConvertido o ilustre barão, ficaria terminado o incidente, se uma das musas assanhadas não me houvesse remetido duas linhas para publicar.  \nA musa, ignorando se S. Excia. está ou não sinceramente convertido, hesitou se devia escrever emprosa ou em verso. Uma terceira forma, que não fosse nem verso nem prosa, resolvia a questão, mas essa só o ilustre barão ou Mr. Jourdain no-la poderia indicar.","cbCairF6ZRtRHdYa","https://ap.wps.com/l/cbCairF6ZRtRHdYa","pdf",663163,1,114,"Portuguese","pt",112,"# Ao Acaso (Crônicas da Semana)\n## O folhetim como apostolado urbano\n## Reconciliação do Barão com as musas\n## O custo da fama e expressões parlamentares\n## Do parlamento geral ao parlamento provincial","[{\"question\":\"Qual é a ideia central do folhetim na crônica?\",\"answer\":\"O folhetim é tratado como um apostolado garantido pela ordem urbana: entra em diferentes lugares, fala com leveza e consegue “conversão” por meio da palavra e do tom fácil.\"},{\"question\":\"Como o Barão de S. Lourenço se relaciona com as musas no texto?\",\"answer\":\"O Barão é apresentado como reconciliando-se com as musas após discursos na tribuna. 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