[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"doc-detail-51903-pt":3,"doc-seo-51903-112":30,"detail-sidebar-cat-0-pt-112":84},{"code":4,"msg":5,"data":6},0,"success",{"doc_id":7,"user_id":8,"nickname":9,"user_avatar":10,"doc_module":4,"category_id":11,"category_name":12,"doc_title":13,"doc_description":14,"doc_content":15,"file_id":16,"file_url":17,"file_type":18,"file_size":19,"view_count":20,"is_deleted":4,"is_public":21,"is_downloadable":21,"audit_status":21,"page_count":22,"language":23,"language_code":24,"site_id":25,"html_lang":24,"table_of_contents":26,"faqs":27,"seo_title":13,"seo_description":14,"update_tm":28,"read_time":29},51903,3848291630094,"Emma Wilson","https://eur-avatar.wpscdn.com/davatar_085a072bc5b1113ac321206ff7593b45",27,"Literatura","Contra os Acadêmicos","Reflexão teológica e filosófica de Santo Agostinho sobre os “acadêmicos”, examinando como seus argumentos alimentam o desespero e enfraquecem a adesão à verdade. O texto discute a noção de fortuna e sua substituição por Providência divina, esclarece ambiguidades no uso de termos como “sentido” e corrige formulações anteriores. Aborda também a relação entre razão, espírito, alma e beatitude, defendendo que a felicidade deve se orientar a Deus. Inclui revisões e observações sobre passagens específicas dos livros.","Santo Agostinho  \nCONTRA OS  \nACADÊMICOS  \nTradução: Souza Campos, [E. L. de](E. L. de)  \nTeodoro Editor  \nNiterói – Rio de Janeiro – Brasil 2018  \nContra os Acadêmicos  \nSanto Agostinho  \nIntrodução1  \n1  \nQuando então eu abandonei tudo o que eu tinha adquirido outudoo que eu desejava adquirir dos bens que se deseja neste mundo e medediquei inteiramente à contemplação da vida cristã, mesmo não sendo ainda batizado, eu escrevi primeiramente contra ou sobre os Acadêmicos.  \nSeus argumentos inspiram a muitos o desespero da verdade. Eles desestimulam o sábio a aderir a alguma realidade, pois, segundo eles, tudo é incerto e obscuro.  \nEu fiquei impressionado com esses argumentos e quis destruí-los, opondo-lhes razões o mais fortes quantopossíveis. Com a misericórdiae a ajuda de Deus, eu consegui isso.  \n1 Das Revisões. Livro I, cap. 1.  \n2  \nMas, nesses três livros, eu lamento ter mencionado a Fortuna2. Não, sem dúvida, que eu quisesse, com este nome, me referir a qualquer divindade, mas somente ao curso casual dos acontecimentos que semanifestam nos bens e nos males, seja internamente, seja externamente anós.  \nDaí, de fato, vem estas expressões: “por acaso, talvez, acidentalmente, porventura, fortuitamente”. São expressões que nenhumareligião proíbe utilizar, mas que todos devem reportar à Providência divina.  \nEu não deixei de mencionar isto, pois disse: Talvez, afinal, o que se chama comumente de fortuna esteja submetido a um governo secreto. Talvez chamemos de acaso aos acontecimentos cuja causa e razãonão descobrimos e nada de particular aconteça, de bom ou de ruim, que não tenha sua relação e sua concordância com o conjunto3.  \nEu disse isto e, no entanto, me arrependo de ter empregado a palavra fortuna, quando vejo que as pessoas têm o desagradável hábito de dizer, invés de “Deus o quis”,“A fortuna o quis”.  \nNesta outra passagem: Seja como castigo por nossas faltas, seja por necessidade de nossa natureza, o espíritomais sublime, se conserva  \n2 Livro I, cap. 1 e 7.  \n3 Livro I, cap. 1.  \nalguma ligação com os bensfrágeis, não pode atracarno porto da verdadeira sabedoria, eu não deveria ter apresentado as duas condições, pois, sem elas, o sentido ficaria completo. Ou então, eu deveria ter me limitado a dizer como castigo por nossas faltas, diante da miséria que Adão nos legou e não precisaria ter acrescentado por necessidade de nossa natureza, já que essa dura necessidade de nossa natureza vem justamente da iniquidade anterior e original.  \nDa mesma forma também, na frase: Tudo o que é visível a um olho mortal, tudo o que impressiona nossos sentidos não é digno de nenhum culto e merece nosso desprezo4, eu deveria ter acrescentado: tudoo que atinge os sentidos deste corpo mortal, poishá tambémum sentido interior e espiritual.  \nMas, eu falava então à maneira daqueles que só aplicam apalavra sentido ao corpo e só entendem como sensíveis as coisas corpóreas. Assim, toda vez que me expressei desta forma, o equívoco não foi tãoevidente, exceto para aqueles que estão habituados com esta locução.  \nEm outro lugar, eu disse: Você acha que viver de forma feliz seja algo diferente do que viver conforme ao que há de mais perfeito no ser humano?5 E, querendo explicar as palavras o que há de mais perfeitono ser humano, eu acrescentei, um pouco depois: Alguém alguma vez  \n4 Livro I, cap. 3.  \n5 Livro I, cap. 5.  \nduvidou de que o que há de mais perfeito no ser humano é aparte da alma à qual tudo em nós deve submissão e obediência? Ora, para que você nãopeça outra definição, essaparte é o que sepode chamar derazão ou espírito6.  \nIsto é verdade, pois, de tudo o que pertence à natureza humana, não há nada de melhor nela do que a razão e o espírito.  \nMas, quem quer viver de forma feliz, não deve viver somente segundo arazão, pois assim viveria segundo o ser humano, enquanto que, para poder atingir a beatitude, é segundo Deus que se deve viver. 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